Carlos Newton
Muito tem se discutido neste blog sobre o governo João Goulart e o golpe militar de 31 de março. Quem não viveu aquela época não tem uma real noção do que aconteceu. Por isso, vale a pena publicar a pesquisa da jornalista Cristiane Costa, postada originalmente no blog BrHistória.
O levantamento mostra que a imprensa, praticamente sem exceção, apoiou a derrubada do presidente João Goulart, em função dos desatinos cometidos ao propor uma reforma agrária demagógica, que atingiria todas as grandes fazendas produtivas, num país onde não faltam extensas áreas improdutivas a serem cultivadas.
Além disso, Jango queria derrubar a lei da oferta e procura, ao tabelar, também demagogicamente, todos os aluguéis nas áreas urbanas. Sem falar na quebra da hierarquia nas Forças Armadas. Estas foram as principais razões da queda, que teve expressivo apoio da classe média, como os jornais registraram. É só conferir:
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“O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!” – (Do editorial “BASTA”, 31 de março de 1964 – Correio da Manhã – Rio de Janeiro)
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“Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!” – (Do editorial “FORA!”, 1° de abril de 1964 – Correio da Manhã)
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“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas” - (Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964)
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“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada.” – (Jornal do Brasil, edição de 1º de abril de 1964.)
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“Minas desta vez está conosco”(…) “Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições.” – (Estado de S. Paulo – 1º de abril de 1964)
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“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (…), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade” - (O Estado de Minas – Belo Horizonte – 2 de abril de 1964)
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“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento” – (O Dia – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)
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“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-
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“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”… “atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”. – (O Globo, 2 de abril de 1964)
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“Lacerda anuncia volta do país à democracia.” – (Correio da Manhã, 2 de abril de 1964)
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“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil” – (Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)
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“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.
Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada …” - (O Globo – Rio de Janeiro – 4 de Abril de 1964)
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“Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos”(…) “Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria.” – (Estado de Minas, 5 de abril de 1964)
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“A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. – (O Globo, 5 de abril de 1964)
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“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituiçãopara poder salvá-la!” - (Jornal do Brasil, 6 de abril de 1964)
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“Congresso concorda em aprovar Ato Institucional”. – (Jornal do Brasil, 9 de abril de 1964)
***
“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República …O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve” – (Correio Braziliense – Brasília – 16 de Abril de 1964)
***
“Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas. Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento” - (A Razão – Santa Maria – RS – 17 de Abril de 1964)
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Nota de Redação – Seis dias depois da derrubada de Goulart, a Tribuna da Imprensa de Helio Fernandes foi o primeiro jornal a se posicionar contra o regime militar. Depois, o Correio da Manhã de Paulo Bittencourt também foi para a oposição. Mas todos os outros destacados órgãos da chamada grande imprensa seguiram apoiando indefinidamente a ditadura, como fica demonstrado nesses dois editoriais que seguem abaixo, também pesquisados pela jornalista Cristiane Costa:
“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”. – (Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 31 de Março de 1973)
“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. – (Editorial assinado por Roberto Marinho, publicado no jornal” O Globo”, 7 de outubro de 1984, sob o título “Julgamento da Revolução”)
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por José Carlos Coelho Leal
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
E X T R A - PARA AQUELES QUE NÃO VIVERAM AQUELES DIAS...
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 87 - "UM DIA DA CAÇA, OUTRO..."
Não chega a ser nem um regra, nem uma tradição, nem mesmo uma constante. Acontece. Aconteceu várias vezes ao longo de minha vida. Possivelmente ainda acontecerá.
O fato: determinada pessoa me prejudica seriamente. As vezes é uma prejuízo financeiro, outras vezes é moral e por ai vai...
Quase sempre sofro mais do que devia. Fico abatido, pois meu temperamento cultiva um velho hábito em não acreditar que alguém possa agir comigo de modo diferente daquele que sempre pautou minha vida: seriedade, respeito à palavra dada, e ainda mais, utilizando um vocábulo desgastado que o mundo atual está enxovalhando: com transparência.
Muitas vezes demora, em certas ocasiões não: o tempo passa, o munda dá voltas e, por fim. acontece. Novamente estou frente a frente a quem me desgostou. Por mais que não guarde rancor tenho, gratuitamente, a oportunidade de recuperar algo perdido.
Não há nada se sobrenatural nisso. Apenas coincidência.
Assim aconteceu mais uma vez naquele início de 1964.
Passada a euforia da vitória conquistada no vestibular e sucesso com as matrículas, as aulas começando com as turmas completas de novos, e alguns velhos alunos, previa que aquele ano seria bem mais trabalhoso que os dois primeiros (1962 e 1963).
Certa manhã a Cidade de Petrópolis se vestiu de luto pelo falecimento do Professor Abreu, respeitado mestre de matemática do Liceu Estadual Washington Luiz, inclusive com vários livros didáticos publicados.
Alguns dias após o funeral o Professor João Francisco, então vereador e Presidente da Câmara, veio conversar comigo, na sala de professores do Colégio Werneck, num intervalo entre aulas. De imediato estranhei o fato por não ser usual.
- Professor Leal!
- Pois não Professor João.
- Gostaria de fazer um convite formal ao senhor em nome da Presidência da Câmara de Vereadores de Petrópolis.
- Pois não, respondi sem muito entusiasmo.
- Em reunião com algumas lideranças da Casa seu nome foi indicado para ser o Professor de Matemática do Liceu Washington Luiz, na verdade as turmas do 2º e 3º Científico, devido à vacância da cadeira com a morte do Professor Abreu.
- Eu???!!!
- Isso mesmo. O senhor tem feito um belo trabalho para nossa Cidade (Havia sinceridade nessas palavras, ou era apenas uma daquelas conhecidas jogadas políticas?...).
- Professor João Francisco: me sinto muito honrado mas para mim é muito difícil aceitar tal convite devido à falta quase que total de tempo livre.
Ai veio a verdade que eu imaginava.
- Professor Leal caso o senhor não aceite a oposição vai impor seu indicado e isso nos fragilizará para as próximas eleições.
- Como assim?
- Estão querendo nomear um tal de Almirante!
- Como? Um almirante? Será que é quem estou pensando...
Trocamos algumas palavras e não havia dúvida. O almirante era aquele mesmo que me deu o golpe no aluguel da sala do Curso Pio XII. Lembram-se!
- Professor João Francisco, pode contar comigo. Vou dar um jeito nos meus horários e, terei o máximo prazer de dar aula no respeitado Liceu Washington Luiz.
- Assim que se fala Professor Leal. Fico-lhe muito grato. Petrópolis sairá ganhando.
- Quem lhe agradece sou eu.
Imagino a cara com que ficou o Almirante ao ler a minha nomeação no Diário Oficial. Valeu aquele provérbio: "Um dia da caça, outro do caçador...".
Com todo respeito, evidentemente.
Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do anos de 2004.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
EXTRA - O MELHOR DO HUMOR INGLÊS
Jantar da velha senhora inglesa
Trata-se de humor inglês, dos
melhores.
Vejam em:
domingo, 19 de janeiro de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 86 - O CÉU COMEÇAVA A PARECER DE "BRIGADEIRO"
Naquele janeiro de 1964 os jornais se ocupavam muito em cobrir as notícias das últimas remoções das famílias faveladas que ocupavam as encostas do Morro do Pasmado, em Botafogo. Era uma área de alto risco e, ainda naquele início de verão, algumas vítimas foram feitas em decorrências das enxurradas típicas daquela época do ano.
Essas famílias passariam o ocupar casas previamente construídas para atender essas demandas. Neste caso as famílias foram instaladas na chamada Vila Aliança.
Essa realização, do então Estado da Guanabara, teve início em 1961 quando o Presidente John Kennedy criou a chamada "Aliança para o Progresso", projeto de cooperação técnica e financeira que visava atender os países da América Latina objetivando neutralizar a influência do Leste Europeu com revoluções como a cubana, por exemplo.
A Vila Aliança foi o primeiro grande Conjunto Residencial, na verdade um sub-bairro, projetado com padrões arquitetônicos de padrão internacional, com amplas avenidas e ruas secundárias mais estreitas, com características de vilas, que integravam a vizinhança. Juntando-se a essa característica o projeto visava ainda auxiliar com conhecimentos técnicos o operariado residente e, à pequena indústria visando fomentar o desenvolvimento econômico e social da região.
Na realidade a Vila Aliança recebeu moradores removidos da favela do Morro do Pasmado, do Morro do Pinto e da favela do Esqueleto, onde hoje ergue-se o campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ.
A imprensa carioca, de uma maneira bastante significativa creditou os maiores louvores à Professora Sandra Cavalcanti, coordenadora do projeto e, pertencente ao secretariado do Governador Carlos Lacerda, primeiro governador eleito do Estado da Guanabara.
Enquanto isso, em Petrópolis, mal haviam terminado as comemorações do sucesso de Vestibular de 1964, nova batalha se apresentava. Agora nosso ânimo, meu e do Ivan. estavam revigorados e, após alguns gastos mais que justificados com publicidade, começamos a receber as matrículas. A resposta foi a esperada. Magnífica!
Finalmente atingíamos em cheio, depois de dois anos de intenso trabalho, nossa meta de utilizar ao máximo a capacidade do curso com todas as salas ocupadas pela manhã, tarde e noite. Novas turmas para Vestibular de Medicina, Filosofia e Ciências Econômicas. Nosso carro-chefe, no entanto, continuava a ser o Vestibular de Engenharia.
Para variar, novas preocupações: a situação político-militar do país, cada vez mais confusa e, a inflação que começava a dar sinais alarmantes.
Ficava cada dia mais evidente as tendências dos movimentos ditos de "esquerda". A imprensa noticiava que os advogados Sobral Pinto e Hélio Tornaghi estavam prestes a iniciar uma tomada de de depoimentos dos professores que ficaram retidos como reféns na Faculdade Nacional de Filosofia.
Alguns alunos agitadores do partido comunista haviam invadido a faculdade para evitar que ali se realizasse a solenidade de formatura. Era a desordem tomando cada vez mais espaços... Esses fatos poderiam nos atingir e a toda nação, de algum modo, numa hora quando, para nós do CEPES, "o céu começava a parecer de brigadeiro".
Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito ao longo doano de 2004, em Arraial do Cabo.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
CHEIROS DA VIDA - E X T R A - "UM POUCO DAQUILO QUE SENTIMOS FALTA"
MEUS AMIGOS
O pequeno filme (nove minutos) que vocês
poderão ver por meio deste e-mail, representa
uma pequena parte de um depoimento (foram
duas sessões em dias diferentes, com um total
de mais de duas horas de duração) que prestei
para minha neta Gabriela, a pedido dela, evidente,
que de certo modo representa uma visão rápida
do que ela sentiu após a gravação.
poderão ver por meio deste e-mail, representa
uma pequena parte de um depoimento (foram
duas sessões em dias diferentes, com um total
de mais de duas horas de duração) que prestei
para minha neta Gabriela, a pedido dela, evidente,
que de certo modo representa uma visão rápida
do que ela sentiu após a gravação.
Não se faz necessário dizer, todos já
conhecem,
como sou um "vô coruja" de meus netos.
como sou um "vô coruja" de meus netos.
Os primeiros momentos do filme a tela fica
escura e apenas o áudio se faz ouvir. Portanto,
esperem, não é defeito da gravação.
escura e apenas o áudio se faz ouvir. Portanto,
esperem, não é defeito da gravação.
Acompanha o filme, cenas que constam dos
meus arquivos; são momentos familiares,
inclusive a última vez em que minha mãe foi
filmada. Pouco mais de um mês depois ela
falecia no Hospital Samaritano - dia 31 de
agosto de 1994.
meus arquivos; são momentos familiares,
inclusive a última vez em que minha mãe foi
filmada. Pouco mais de um mês depois ela
falecia no Hospital Samaritano - dia 31 de
agosto de 1994.
Muitas cenas do filme, como a da música
final,
foram filmadas sem que eu soubesse,
Evidentemente, entre essas cenas, está o
"strip-tease" que faço. Segundo Gabriela
aquela cena significa o desnudamento de meus
sentimentos ao término daquelas gravações.
foram filmadas sem que eu soubesse,
Evidentemente, entre essas cenas, está o
"strip-tease" que faço. Segundo Gabriela
aquela cena significa o desnudamento de meus
sentimentos ao término daquelas gravações.
A música final cantada pela ZIZI POSSI, com
um maravilhoso sotaque napolitano, rememora
como cantava, afinadíssima. minha mãe.
um maravilhoso sotaque napolitano, rememora
como cantava, afinadíssima. minha mãe.
Sempre que ouço essa música fico muito
emocionado pois mamãe a cantava de vários
modos conforme seus sentimentos no momento.
Quando eu chegava em casa, era ouvi-la e
saber como estava seu humor.
MUITA SAUDADE!
emocionado pois mamãe a cantava de vários
modos conforme seus sentimentos no momento.
Quando eu chegava em casa, era ouvi-la e
saber como estava seu humor.
MUITA SAUDADE!
Para mim esse filme foi um verdadeiro
PRESENTE DE NATAL. Mais uma surpresa,
das muitas, que me faz minha Gabiroga.
PRESENTE DE NATAL. Mais uma surpresa,
das muitas, que me faz minha Gabiroga.
Aproveito para desejar um FELIZ 2014 para
todos
os meu amigos.
os meu amigos.
Um beijo para todos / Zé Karlos
VEJAM EM:
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 85 - VESTIBULAR DE 1964 - A VITÓRIA DO C.E.P.E.S.
O ano de 1964 começava com todas as incertezas politicas geradas pelas diversas crises ocorridas desde a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961 e, se intensificaram com a chegada ao poder de João Goulart após o plebiscito do inicio do ano de 1963.
Uma coisa começava a ficar cada veza mais clara: toda a luta política estava envolvida por um forte movimento liderado pelo Presidente da República visando uma guinada ideológica radical no maior país da America do Sul.
Essa era a realidade, a verdadeira revolução era liderada exatamente pelo Presidente envolta nas famosas "Reformas de Base".
Na verdade, a classe média brasileira, ainda possuidora de grande influência na opinião pública, via com séria desconfiança tais iniciativas governamentais e, sentia no bojo da crise, toda a influência do "leste europeu" que pretendia instalar em nosso vasto território uma "ideologia socialista" totalmente contrária à tradição do povo brasileiro.
Além da preocupação de cidadão com sólida formação democrática, sentia claramente que toda política mundial decorria da chamada "Gerra-fria" que iria se prolongar desde o final da Segunda Guerra Mundial até a extinção da União Soviética em 1991. Ao analisar os fatos ocorridos em 1964 é fundamental considerar o estado de coisas que comandava todo inter-relacionamento mundial.
Apesar da conturbada situação política do país, os meses de janeiro e fevereiro foram de muito trabalho para todos os professores do CEPES com om revesamento contínuo, ministrando aulas intensivas para preparação final dos alunos para os diversos vestibulares que se sucederam numa faina monumental.
Valeu o sacrifício. Os resultados foram espetaculares. Na faculdade de Engenharia Industrial de Petrópolis, o principal destino de nossos alunos, além de uma taxa de aproveitamento de 88%, com brilhantismo nossos vestibulandos ocuparam os seis primeiros lugares no resultado final dos exames.
Destacaram´se os alunos: Mauro Araujo Xavier, primeiro lugar, Nelson Leon, segundo lugar e Anna Maria Melgarejo, terceiro lugar.
Vitoriosos estavam também nossos colegas professores, todos universitários de engenharia, Luiz José Saboia e Silva, Daniel Augusto Monteiro, Werner Kochintkz, Marcio Eiras de Moraes e Maurício Vieira de Albuquerque
Aprovamos, também, na PUC do Rio, na Nacional de Engenharia e na Universidade do Estado da Guanabara, além da Faculdade Nacional de Arquitetura.
Finalmente consolidava-se o nome CEPES na cidade de Petrópolis. Depois de dois anos de trabalho incessante, Ivan e eu estávamos felizes e, orgulhosos do sucesso obtido. Dividimos esse sucesso com todos os nossos companheiros de trabalho.
Nossos alunos, agora nossos colegas de Universidade, organizaram um jantar de confraternização que se transformou numa festa memorável. Noite para não esquecer.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
'CHEIROS DA VIDA" - 84 - A ESCOLA DA VIDA
Nesses anos em Arraial do Cabo aconteceu algo que julgava impossível tal o meu temperamento agitado e inquieto. Vez por outra, com a ajuda dessa maravilhosa natureza que nos rodeia, fez-se possivel até meditar e filosofar.
Isso aconteceu, mais uma vez, neste início de noite. O marulhar tranquilo e compassado da ondas a quebrar nas areias da Praia dos Anjos, me fez parar a caminhada, desvencilhar do tênis e das meias; com os pés livres sentei-me a poucos metros da água. O céu começava a receber estrelas e percebi que à minha volta, até onde meus olhos se permitiam ver, nenhuma vivalma.
Então soltei as rédeas do pensamento...
A vida é semelhante a uma escola.
Quando nascemos já estamos matriculados e, começamos a estudar.
Como são belas as aulas primeiras e como fazemos progressos? Dia após dia.Todos aplaudem cada nova lição que aprendemos. De entusiamo em entusiamo achamos até divertido a arte de aprender.
Com o passar dos anos parece cada vez estar mais longínqua a formatura e, as lições cada vez mais difíceis e trabalhosas não atraem aqueles aplausos de outrora.
Onde foram parar as boas notas dos primeiros tempos? E os longos dias de quietação? Onde estão? Agora estamos cansados. Nada de parar, pois há ainda muitas lições a visitar.
De repente, notas baixas. No início parece o fim do mundo depois, já nos acostumamos com elas. Faz parte do programa e devemos seguir apesar de tudo e após tudo.
Cada vez as temas parecem ficar mais complexos; onde estão os mestres de ontem? Se foram? Nos deixaram sozinhos nas mãos de estranhos e, ainda acompanhados de irreconhecíveis parceiros; pequenas vitórias suadas e injustas derrotas desprezíveis. Pensamos em abandonar tudo. Agora? Impossível... Alguém e, mais alguém e ainda mais e mais esperam por nosso sucesso.
Quando tudo parece se perder afinal compreendemos que muitas vezes as soluções complexas independem de fórmulas complicadas ou teorias intrincadas.
E começamos, finalmente aprender que a excelência da vida: a felicidade plena é atingida quando reconhecemos a alegria nos pequenos fatos e quando vivemos momentos, apenas momentos, mágicos de ternura. Isso ninguém nos ensinou, ou talvez, a vida... Ela mesma, nossa contínua e perseverante Escola.
Já não é importante a formatura, os aplausos, as medalhas. Alcançamos o máximo de nosso saber.
Por derradeiro, no dia da nossa graduação, exato nesse momento, é quando damos adeus a esse mundo para nos aproximarmos do galardão de Deus.
Parte do livro "Cheiros das Vida" escrito em Arraial do Cabo ao longo do ano de 2004.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
"CHEIROS DA VIDA" - 83 - "YO NO CREO EN BRUJAS,,,"
NOTA - É do conhecimento dos leitores que o trabalho que estou publicando foi escrito há exatos dez anos atrás. Tendo em vista a perda de muitos originais, escritos à época, continuo numa garimpagem, as vezes cansativa; as postagens seguem cronologicamente, à mediada do possível, a ordem de criação. No caso do capitulo que estou postando, a seguir, obedecendo à regra estabelecida, deveria ser postado antes do Capítulo 45 - O CABOCLO TUPINAMBÁ".
“Yo no creo en
brujas, pero que las hay, las hay”. Para mim tal provérbio (do livro Dom Quixote de Miguel de Cervantes Saavedra) é válido, pelo menos em se tratando de “discos voadores”, como eram chamados os óvnis na
década de sessenta.
Nos últimos dias a imprensa
voltou a explorar o assunto que sempre desperta a atenção do público e,
sobretudo, ajuda a incrementar a tiragem dos periódicos, o que nos faz mui
justamente pensar na hipótese de tratar-se exclusivamente de um esquema comercial.
Assim foi com Elba Ramalho
que se disse abduzida por estranhos seres e da fogosa Tiazinha que acabou
chegando a conclusão de que vira era apenas um dirigível de propaganda do Goodyear.
Até a responsabilidade pelo
blecaute de 11 de março de 1999 tentou ser imputada a estes engenhos
extraterrestres. Também se vendeu muito jornal e revista com o assunto
“chupacabras” possivelmente obra de um
viajante alienígena tecnicamente chamado de “Intruso Esporádico Agressivo, o
IEA.
A coisa complica quando o
depoimento de visões extraordinárias vem de pessoa idônea como foi o caso
relatado pelo Coronel Ozires Silva, em 1986, que exercia na ocasião a Presidência da Petrobrás.
Agora a minha história.
O fato que passo a contar
aconteceu alguns dias antes do início de meu derradeiro vestibular. Para variar
estava muito tenso.
Já eram quase duas da manhã.
Aquele tinha sido mais um
dia de verão típico do mês de janeiro. Sol a pino, temporal à tarde e à noite a
atmosfera livre e solta, envolvida apenas pela brisa que trazia o suave perfume
da mata e o excitante cheiro de terra molhada. Dia e hora de cada prova já
estavam marcados; era crucial dedicar todos os cuidados à terrível química.
NaClO³ + calor à NaCl + 3/2 O²
depois, alcanos, alcenos, alcinos... Parecia até escalação de time de
futebol.
O sono já por algum tempo
vinha querendo me derrubar. Talvez uma chegada à janela, respirar o ar puro da
noite de certo me faria bem. A madrugada tranqüila
convidava a um bom sono, mas aquelas infelizes leis de Dalton, de Raoult e o
bendito “fator de Van´t Hoff atormentavam meu juízo.
Quando iria acabar aquele
martírio?...
Súbito um som familiar
fez-se ouvir cada vez mais forte: era o bonde das duas que vinha chegando à
última viagem do dia. Fez a volta direto, pois não trazia e nem havia
passageiros a transportar.
Simbolicamente aquele
derradeiro bonde do dia, trazia o sentimento de fim, ponto final em mais uma etapa da jornada de
nossas vidas.
De volta, o silêncio me
avisava que era hora de retornar aos livros para mais alguns minutos de
tortura. No entanto quando ia me
afastar da janela vejo encostar junto ao meio-fio, defronte ao portão da vila,
um taxi.
A curiosidade me prende à
janela. Quem poderia ser a estas horas?
Não havia mais dúvida era
nossa vizinha Aidê da casa 7 com os seus quarenta já passados.
-
Estudando ainda, seu Carlinhos?
-
Não é por gosto meu. Preferia estar fazendo algo bem
mais agradável...
-
Você sabe que horas são, menino?
-
Duas e tal.
-
Hora de criança estar na cama!
Quando preparava uma
resposta bem atrevida, afinal aquela amizade vinha dos tempos das fraldas e nos permitia essas brincadeiras, algo inusitado interrompeu nosso papo...
Uma luz branca de alta
intensidade, vinda do alto do céu, quase nos cegava. Aproximava-se lenta e
silenciosamente cada vez com maior brilho. Tudo ao nosso redor resplandeceu
como se fora o mais claro dos dias. O foco de luz tinha a forma redonda de um contorno preciso e inconfundível.
De repente, parou...
A “coisa” havia surgido por
detrás do apartamento do João Bosco, fronteiro à minha janela, aliás, no mesmo
edifício em que morava a “judia que judiava”, lembram-se? A mata, as construções, Dona Idê, tudo ficou branco como uma paisagem coberta de neve. Silêncio total!!!
Depois, ainda sem emitir
qualquer som foi subindo, primeiro, lentamente e logo após com velocidade
incrível.
Noite novamente.
Nós ali, paralisados. Assim
permanecemos por algum tempo.
Quanto? Não tenho a menor
idéia.
-
Carlinhos, meu filho! Que foi isso?
-
E eu sei Dona Idê!
-
Estou com as pernas bambas.
-
Desço já até aí.
Depois de alguns copos
d’água, pudemos conversar. Ninguém acordou e o silêncio era total.
- Meu filho, vem comigo até minha porta que eu
acho que nem a fechadura vou acertar.
- Vamos lá.
Voltei correndo batendo
forte com os pés no chão para espantar o medo. Imagina se aquela “coisa” volta? Tranquei a porta, subi
rapidamente para o quarto e fechei a janela mesmo estando um calor infernal.
Abandonei os livros como
estavam e deitei-me.
Um custo pegar no sono.
No dia seguinte conversando
com meus amigos fiquei sabendo que àquela mesma hora alguns deles estavam
jogando conversa fora no nosso ponto de encontro tradicional, a mureta do
Genarino - há menos de trinta metros onde estávamos eu e Dona Idê.
Ninguém vira nada. E o pior: passaram a olhar-me com certa estranheza. Para não complicar as coisas parei por ali e me abstive de mais comentários.
Ninguém vira nada. E o pior: passaram a olhar-me com certa estranheza. Para não complicar as coisas parei por ali e me abstive de mais comentários.
Dias depois, conversando com
Dona Idê, ela dizia da incredulidade com que a ouviam e, também, resolvera
colocar um ponto final naquela história. Nós dois sabíamos da
veracidade do acontecido, mas como convencer os outros?
E adiantava?...
Até hoje não sei o que foi
aquilo.
“Yo no creo en
brujas, pero que las hay, las hay”.
Trecho do livro "Cheiros da Vida" escrito, provavelmente, ao longo do ano de 2004 em Arraial do Cabo - RJ
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