por José Carlos Coelho Leal

domingo, 7 de dezembro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 122 - DIA PARA JAMAIS ESQUECER...




          - Mãe!!! Assim não  é possível... Já estou começando a ficar nervoso!!!

          - Mais do que natural. Num dia como hoje seria novidade não ficar, pelo menos, ansioso.


          - Estamos falando de coisas diferentes A senhora está falando do casamento e eu, me referindo ao seu "bendito" irmão!


          - Qual deles?


          - É claro que estou falando do Tio Augusto. Inda ontem à noite telefonei para ele que prometeu trazer o meu terno entre meio-dia e meio-dia e meia. Já são duas.


          - Seu casamento é as seis; vai dar tudo certo.


          - Combinei com Tania estar na casa dela no máximo às quatro e meia para tirarmos com calma as fotografias. A essa hora ela já está pronta, mais linda do que nunca, tirando as fotos individuais


         - Que absurdo! Você vai ver a noiva antes dela subir o altar?


         - Vou. Claro! E daí?


         - Isso foge a tradição e dizem que dá azar.


         - A senhora acredita nestas bobagens? Francamente...Estamos pagando para ver. Ela quer fazer tudo com calma e não na correria depois da cerimônia, com a casa cheia de convidados esperando sua atenção.


         - Eu também não acredito nessas coisas. Afinal agora vocês é que são donos de suas vidas.


         - Sabe de uma coisa? Vou subir, colocar para fora meu "velho cansado" terno de festas  e. usá-lo na falto de algo melhor.


         Foi o que fiz. Ato contínuo comecei a me vestir com zelo. Cueca, meias, camisa, gravata prateada a receber o primeiro laço (o primeiro e único, foi logo na primeira tentativa - ficou legal como poderão ver nas fotos). Tudo novinho em folha, como novinha seria minha vida dali para frente. Estava prestes a dar mais um passo, certamente o mais importante da minha existência...


         Passava das três e meia quando tio Augusto chegou trazendo uma caixa grande e uma maleta.


         - Estou precisando de um alfaiate e não de um médico. Para quê essa maleta?


         - Chega de perguntas e vamos vestir logo ese terno para dar os últimos retoques.


         - Retoques? O senhor é uma alfaiate ou um charlatão que precisa enganar o cliente.


         - Aqui não estou vendo um cliente, sim meu sobrinho filho da minha irmã caçula.


         Ao vestir a calça tio Augusto abriu finalmente a maleta e tirou um ferro elétrico em miniatura com fio e tomada.


         - Que o senhor está fazendo?


         - Vou dar um acerto final na beira do vinco direito perto da bainha da calça. Está dando impressão de dois vincos no final.


         -  O quê?!!!


         -  Não vai levar nem dois minutos. Estou com um taxi, ai fora, esperando a gente. Vou te levar à casa da tua noiva.


         - Minha noiva tem nome.


         - É Tania. Eu sei!!! Você é atrevido, hein!!!


         - Não vai levar minuto nenhum. Está bom assim. Afinal quem vai olhar para o vinco da calça do noivo. Todos estarão interessados em ver a lindeza da noiva. Quero vestir logo esse bendito colete. Quem será que inventou essa porcaria só para fazer a gente sentir mais calor.


        - Veste e você vai ver como ficará elegante.


        - Estou parecendo um manequim esculpido em madeira. Francamente, como sofre um noivo.


        - Tininha!!! Você não deu educação para esse menino? Traz pelo menos uma "maracujina" para acalmar essa fera.


        - Pelo contrário. Estou preocupado pois estou calmo demais.


        - Veste esse paletó. Perfeito!


        Eram exatamente quatro e meia quando cheguei à casa de Tania.


        - Tio obrigado por tudo. Foi um presentão.


        - Foi tudo muito bom e sinto-me feliz. Como já falei com sua mãe, não poderei ir ao casamento pois tenho muito trabalho para entregar amanhã. Parece que o mundo todo resolveu se casar ao mesmo tempo. Sejam muito felizes.


   - Vamos ser com certeza. Mamãe já tinha me avisado da impossibilidade de sua presença, Mais uma vez obrigado por tudo. Um beijo na tia Esmeralda, no Walter e no Augustinho.

        -  O teu primo Augustinho vai, com certeza. O Walter ainda não sei.  Fiquem com Deus. Felicidades!Tchau!!!


        Era o dia nove de julho de mil novecentos e sessenta e cinco. Dia para jamais esquecer...


                           Linda, linda, linda...

            Foto tirada no momento exato do  Brinde Nupcial


       

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

E X T R A - DIREITOS HUMANOS

Folha de São Paulo, Painel do Leitor

D I R E I T O S   H U M A N O S

“Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. 

Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos “pequenos” assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores. Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. 

Neguei. 

Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. 

Retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz. 

Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me “honraram” mais com suas visitas e... os menores ficaram presos. 

É assim que funciona a “esquerda caviar”. Tenho uma sugestão ao Professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Jânio de Freitas, à Ministra Maria do Rosário e a outros tantos defensores dos “direitos humanos” no Brasil. Criemos o programa social "Adote um Preso".

Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a sociedade a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda” é claro.

 ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, (desembargador (Belo Horizonte, MG)”.
Repasse se você também concorda que essa é uma boa forma de praticar Direitos Humanos..



A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” - Peter Drucker

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 121 - O IMPASSE




           Estabeleceu-se um impasse que vem se prolongando há dias. Faz tempo que postei meu último texto. Não desisti da empreitada a que me propus; longe disso.

           Com isso, meus leitores cativos, em bom número, me abandonaram. Espero em breve tê-los de volta


          Ao me propor essa missão assumi o compromisso com a verdade e a autenticidade dos fatos narrados. A única ressalva refere-se que tudo que nestes dois livros estão escritos obedecem à minha visão dos acontecimentos, como os vivi, como os senti, procurando sempre que possível analisar o contraditório e concluir o capítulo com minha visão pessoal dos fatos.


          Jamais pretendi ser o "dono da verdade" mas, seria falso comigo mesmo me submeter à versões impostas, viessem das fontes que viessem.  


         Minha história está se reportando ao ano de 1965. O movimento militar de derrubada do "Governo João Goulart", pelo meu ponto de vista, foi a única solução possível ante o  quadro de destruição da democracia e da ordem que vinha planejadamente se impondo através da desordem pública, falta de segurança para o trabalho produtivo, a estagnação econômica e, completando o quadro de desordem geral, o pior inimigo a enfrentar: a corrupção. Tudo isso envolto numa tentativa de impor ao país uma ideologia socialista (comunista) nos moldes dos mais totalitários regimes que graçavam pelo mundo.


          Na verdade já escrevi em capítulos anteriores que penso que a verdadeira revolução estava sendo implantada pelo governo de então. João Goulart, sem o entusiamos dos grandes líderes tentava implantar as chamadas "Reformas de Base" que no seu cerne encarnava uma Revolução Socialista na maior nação da América do Sul, nos moldes da Revolução Cubana adaptada para as dimensões continentais do Brasil.

           A intervenção militar com apoio maciço da classe-média, aquela que realmente sustenta a nação pagando, sem opção, seus impostos, visava abortar tal iniciativa. Por esse motivo intitulo esse movimento de Contra-Revolução de 1964.

           Essas minhas opiniões representam apenas o modo de interpretar a história daqueles momentos como depoimento de uma testemunha que acompanhou cada segundo daquele momento histórico, não de de um especialista e sim de um simples cidadão que vê, analisa e tira suas conclusões.

          Aqui vale transcrever uma passagem do livro de Elio Gaspari - "A Ditadura Envergonhada", ele próprio citando um comentário do general Ernesto Geisel em 1981:
"O que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções fazem-se por uma ideia, em favor de uma doutrina. Nós simplesmente fizemos um movimento para derrubar João Goulart. Foi um movimento contra e não por alguma coisa. Era contra a subversão, contra a corrupção. Em primeiro lugar nem a subversão, nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá. Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo, e isso não é revolução".

           Talvez essa frase explique muita coisa que não deu certo com a Contra-Revolução de 1964.

          Outro fato importante tratado nesse livro se refere a existente linha dura que dividia o movimento militar e, de certo modo, se contrapunha ao desejo do presidente Castello Branco que pretendia limitar os poderes excepcionais que dispunha, para normalizar a vida política nacional. Castello dizia: "o clima provocado pelas cassações é pior do que a Inquisição".

           Ainda nesse livro Gaspari comenta que Castello demorava demais sobre os problemas. Quando decidia sobre uma ação ela já se mostrava inócua.

           A situação que vive o país, hoje, é semelhante e, sob certo ponto de vista, muito pior que aquela. Temos que ter uma opção clara a defender tendo em vista o futuro de nossos filhos, netos e, para vários de nós,  bisnetos...

          Este panorama histórico-econômico-político tem ocupado todos os escaninhos de minha memória. Devo chegar rapidamente a uma conclusão para nortear meu pensamento atual. Livre dessa missão estarei apto a voltar a recordar tudo de bom que a vida me proporcionou na medida maior do que merecia,


          Já e já estarei de volta...

l

sábado, 8 de novembro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 120 - ESTÁ DIFÍCIL A RETOMADA DE MEU CAMINHO...




          Está difícil a retomada de meu caminho de escritor bissexto. Ainda não assimilei totalmente e, com racionalidade, os últimos acontecimentos políticos em nosso país de modo a deixar meu coração tranquilo quanto ao porvir de nosso Brasil e de nossos descendentes.

          Muitas perguntas permanecem sem resposta:

          - Eduardo Campos foi assassinado? De quem é a responsabilidade?

          - O sistema eleitoral de coleta de votos é confiável? Por que só no Brasil é adotado?

          - O resultado da apuração foi uma fraude? 

          - Os responsáveis pelo "Mensalão" vão continuar soltos por esse Supremo cooptado e imoral?

         - E o "Petrolão"? Como fica?

         - E as obras financiadas pelo BNDES em países sob regimes autoritários de "esquerda" não serão questionadas?

         - Existirá uma oposição de fato ou, de "mentirinha" como até aqui, nos moldes do que aconteceu nesses últimos doze anos?

         - Gostaria de saber, ainda, quando o senhor Lula irá explicar ao grande público brasileiro a que se referia quando numa palestra partidária, transmitida pela televisão, declarou, colocando as mãos no ombro de dona Dilma: "...eles não sabem do que seremos capazes de fazer para re-eleger você, Dilma, presidenta do Brasil!!!". Bem como gostaria que Dilma viesse esclarecer sua frase: "..para ganhar uma eleição fazemos o diabo!!! ". Será que estarão aptos a responder ou, pensam eles com desprezo: foi isso mesmo que dissemos, com toda a clareza;

          - Quando "lulinha" poderá vir a público explicar toda a origem de seu imenso patrimônio, ele, que há pouco tempo era um simples auxiliar de um zoológico de São Paulo?

          - E a Constituição, dita Cidadã: por quantas vezes ainda irá ser rasgada por essa verdadeira quadrilha que vem dilapidando o patrimônio público?

         Teria uma verdadeira ladainha de indagações que só o futuro esclarecerá. Ficam registrados, nesses escritos, meu sentimento atual. 

         É necessária muita força para prosseguir. 

         Vou tentar seguir minha história. Essa perguntas, no entanto,  continuam revolvendo meus pensamentos. Vamos voltar a 1965 onde parei o meu relato. Diferente do que sinto hoje, época de muitas felicidades e esperanças.

        Acho que rememorar aqueles dias me fará bem. Talvez minore essa angustia que invade meu coração.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

E X T R A - Apesar de estar morando na Barra da TIJUCA...




          Apesar de "estar morando" na BARRA DA TIJUCA...


A TIJUCA , e' o único bairro do Rio de Janeiro
que possui GENTÍLICO- TIJUCANO. 
Portanto ser CAJUTI ou TIJUCANO ,
não é para qualquer um
Eu , sou TIJUCANO.
Afinal estou morando na Barra da "TIJUCA"...

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 119 - MINHAS PREOCUPAÇÕES E A DEBACLE





          No capítulo anterior me detive a comentar as preocupações que ocupavam meus pensamentos quanto aos riscos provenientes de doze anos de total domínio do PT na política e no comando da nação.

        O Brasil tem sido dirigido por um governo amoral, quando não imoral, levando a nação a um estágio degradante, com baixa em todos os "índices" duramente conquistados com muita luta e esforço do povo brasileiro ao longo de várias décadas.

        A demagogia, o populismo irresponsável e eleitoreiro, a corrupção desabrida, a invasão planejada das empresas públicas,  cabide de empregos para sindicalistas profissionais e, o abandono da meritocracia a favor do compadrio, jogaram por terra todo o orgulho e esperança nacionais.

        Ao que parece não estava errado em minhas previsões. Enfim, perdi muito tempo tentando convencer meio mundo da seriedade do momento político e da responsabilidade de todos nós no salvamento do porvir dessa nação.

        Foi em vão o meu esforço...

        É melhor voltar às minhas histórias e a meu Blog que restaram abandonados nos últimos trinta dias.

        Antes porém, uma última reflexão política: para mim, o principal responsável pela debacle da nação foi a postura do PSDB  que ao longo destes doze últimos anos, em tempo algum, soube exercer com a veemência que a situação exigia, uma função de oposição, sem a qual a democracia se escoa pelo ralo como lama na sarjeta.

       O "Lulismo" se desenvolveu sem embaraços tomando de assalto todos os poderes, inclusive o principal: o judiciário.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

EX T R A - JAMAIS GOSTARIA...

JAMAIS GOSTARIA DE UM DIA, COMO OUTRO QUALQUER, TER RECEBIDO ESTE E-MAIL...


  NOTA - Aconteceu com minha

 neta na saída das aulas na UFRJ

 na Urca às 20 horas. O e-mail é 

 transcrito a seguir.



Esta situação de nosso país é revoltante.

 ZK
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          


Acabei de ser assaltada. Essa frase não é nova na sua timeline. Principalmente se você mora no Rio de Janeiro.

 Eu fui assaltada. Levaram meus pequenos pertences que eu tentei alertar: "não tem nada de valor, moço, tem meu caderno, o celular vagabun..." e levei um soco na cara. Um soco na boca que está que nem 1/4 da da Jolie agora, sangrando e enorme de inchada. 

Fui agredida, subtraída, traída. Traída pela cidade que eu já amei tanto morar. Traída por um governo covarde. Traída por uma justiça vexaminosa. Traída complexamente por uma sociedade conformada, acuada, humilhada. 

Fui - mais uma vez - dada como otária. Mas tá passando a novela do Manoel Carlos. E que lindo o Leblon. E o policial me disse também: sorte sua que você está viva!! Que realidade louca a que temos que nos sentir sortudos em uma outra pessoa não tirar a nossa vida quando a gente sai da faculdade com mais três amigas, e só roubar nossas coisas e nos dar um soco gratuito no rosto. É muita tristeza. só isso. Tristeza funda. Tristeza sem jeito. 

É a terceira vez que sou assaltada só em 2014. To colecionando BOs. "Depois a gente bate num vagabundo desse até ele aprender e nego reclama" foi o que disse o policial (nas duas vezes em que pedi ajuda a eles) e eu tive vontade de me desculpar ao ladrão. "não precisa ir atrás não, moço". a culpa não é do ladrão. mas também não é minha. Ou é? é de quem? e ai? dá próxima vez, eu fico na minha. reclamo no ouvido dos meus pais. 

A ultima coisa que quero é multiplicar a violência que recebi. documento, dinheiro, pertences, caderno, uma boca. Isso tudo se recupera. ainda estou viva! a cabeça - mesmo que confusa agora - funciona bem! só não consigo mais recuperar o tesão de ficar aqui nessa cidade. sei que voltarei a andar em pânico pelas ruas, me assustando quando um amigo vier falar oi "de surpresa" na rua. é isso que somos obrigados a entubar. esperar o próximo assalto. ou o próximo jogo no maracanã. enquanto a educação, os hospitais, o asfalto, a organização, a cultura... 

Somos reféns de nós mesmos. e vai ter copa!...

Gabriela Giffoni Leal de Souza

sábado, 4 de outubro de 2014

EXTRA - A TOMADA DO PODER

A TOMADA DO PODER
GRAMSCI E A COMUNIZAÇÃO DO BRASIL
Por Anatoli Oliynik
Em lugar algum no mundo o pensamento de Gramsci foi tão disciplinadamente aplicado como está sendo no Brasil, agora pelo PT, cuja nomenklatura governamental segue com rigor as orientações emanadas dosintelectualóides uspianos que dirigem o Foro de São Paulo e que têm como cartilha os Cadernos do Cárcere, de Gramsci.
Quem não está familiarizado com as ideologias políticas, por certo estará perguntando: Quem foi Gramsci e qual sua relação com o comunismo brasileiro?
Antonio Gramsci (1891-1937), pensador e político foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921, e o primeiro teórico marxista a defender que a revolução na Europa Ocidental teria que se desviar muito do rumo seguido pelos bolcheviques russos, capitaneados por Vladimir Illitch Ulianov Lênin (1870-1924) e seguido por Iossif Vissirianovitch Djugatchvili Stalin (1879-1953).
Durante sua prisão na Itália em 1926, que se prolongou até 1935, escreveu inúmeros textos sobre o comunismo os quais começaram a ser publicados por partes na década de 30, e integralmente em 1975, sob o título Cadernos do Cárcere. Esta publicação, difundida em vários continentes, passou a ser o catecismo das esquerdas, que viram nela uma forma muito mais potente de realizar o velho sonho de implantar o totalitarismo, sem que fosse necessário o derramamento de sangue, como ocorreu na Rússia, na China, em Cuba, no Leste Europeu, na Coréia do Norte, no Camboja e no Vietnã do Norte, países que se tornaram vítimas da loucura coletiva detonada por ideólogos mentecaptos.
Gramsci professava que a implantação do comunismo não deve se dar pela força, como aconteceu na Rússia, mas de forma pacífica e sorrateira, infiltrando, lenta e gradualmente, a idéia revolucionária.
A estratégia é utilizar-se de diplomas legais e de ações políticas que sejam docilmente aceitas pelo povo, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, a priori, representam a grande maioria da população, de modo que, entorpecidos pelo melífluo discurso gramsciano, as consciências já não possam mais perceber o engodo em que estão sendo envolvidas.
A originalidade da tese de Gramsci reside na substituição da noção de “ditadura do proletariado” por “hegemonia do proletariado” e “ocupação de espaços”, cuja classe, por sua vez, deveria ser, ao mesmo tempo, dirigente e dominante. Defendia que toda tomada de poder só pode ser feita com alianças e que o trabalho da classe revolucionária deve ser primeiramente, político e intelectual.
A doutora Marli Nogueira, juíza do trabalho em Brasília, e estudiosa do assunto, nos dá a seguinte explicação sobre a “hegemonia”:
“A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela ´análise da situação´, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo ´intelectual coletivo´ (o partido), que as dissemina pelos ´intelectuais orgânicos´ (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população”.
Quanto à “ocupação de espaços”, pode ser claramente vislumbrada pela nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT em todo o território brasileiro, cujos detentores desses cargos, militantes congênitos, têm a missão de fazer a acontecer a “hegemonia”.
Retornando a Gramsci e segundo ele, os principais objetivos de luta pela mudança são conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, artistas, sindicatos etc.), uma vez que, os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis. O proletariado precisa transformar-se em força cultural e política, dirigente dentro de um sistema de alianças, antes de atrever-se a atacar o poder do Estado-burguês. E o partido deve adaptar sua tática a esses preceitos, sem receio de parecer que não é revolucionário. Isso o povo brasileiro não está percebendo, pois suas mentes já foram entorpecidas pelo governo revolucionário que está no poder.
Desta forma, Gramsci abandonou a generalizada tese marxista de uma crise catastrófica que permitiria, como um relâmpago, uma bem sucedida intervenção de uma vanguarda revolucionária organizada. Ou seja, uma intervenção do Partido. Para ele, nem a mais severa recessão do capitalismo levaria à revolução, como não a induziria nenhuma crise econômica, a menos que, antes, tenha havido uma preparação ideológica. É exatamente isto que está acontecendo no presente momento aqui no Brasil: A preparação ideológica. E está em fase muito adiantada, diga-se de passagem.
Segundo a doutora Marli Nogueira:
“Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava ´superação do senso-comum´, que outra coisa não é senão a hegemonia de pensamento. Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista.E quando chegar a hora de dizer ´agora estamos prontos para ter realmente uma ´democracia´ (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa ´volta à democracia´ se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais”.
Lênin sustentava que a revolução deveria começar pela tomada do Estado para, a partir daí, transformar a sociedade. Gramsci inverteu esses termos: a revolução deveria começar pela transformação da sociedade, privando a classe dominante da direção da “sociedade civil” e, só então, atacar o poder do Estado. Sem essa prévia “revolução do espírito”, toda e qualquer vitória comunista seria efêmera.
Para tanto, Gramsci definiu a sociedade como “um complexo sistema de relações ideais e culturais” onde a batalha deveria ser travada no plano das idéias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas etc. Por essa razão, a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletariados de Marx e Lênin e nem pelos camponeses de Mão Tse Tung, e sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, por meio de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudar a mentalidade, desvinculando-a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores da ideologia comunista.
Fidel Castro, com certeza, foi o último dinossauro a adotar os métodos de Lênin. Poder-se-á dizer que Fidel é o último dos moicanos às avessas considerando que seus discípulos Lula, Morales, Kirchner, Vasquez e Zapatero, estão aplicando, com sucesso, as teses do Caderno do Cárcere, de Antônio Gramsci. Chávez, o troglodita venezuelano, optou pelo poder força bruta e fraudes eleitorais. No Brasil, por via das dúvidas, mantêm-se ativo e de prontidão o MST e a Via Campesina, como salvaguarda, caso tenham que optar pela revolução cruenta que é a estratégia leninista.
Todos os valores que a civilização ocidental construiu ao longo de milênios vêm sendo sistematicamente derrubados, sob o olhar complacente de todos os brasileiros, os quais, por uma inocência pueril, seja pelo resultado de uma proposital fraqueza do ensino, seja por uma ignorância dos reais intentos das esquerdas, nem mesmo se dão conta de que é a sobrevivência da própria sociedade que está sendo destruída.
Perdidos esses valores, não sobra sequer espaço para a indignação que, em outros tempos, brotaria instantaneamente do simples fato de se tomar conhecimento dos últimos acontecimentos envolvendo escancaradas corrupções em todos os níveis do Estado..
entorpecimento da razão humana, com o conseqüente distanciamento entre governantes e governados, já atingiu um ponto tal que, se não impossibilitou, pelo menos tornou extremamente difícil qualquer tipo de reação por parte do povo.
Estando os órgãos responsáveis pela sua defesa –imprensa, associações civis, empresariado, clero, entre outros – totalmente dominados pelo sistema de governo gramsciano que há anos comanda o País, o resultado não poderia ser outro: a absoluta indefensabilidade do povo brasileiro. A este, alternativa não resta senão a de assistir, inerme e inerte, aos abusos e desmandos daqueles que, por dever de ofício, deveriam protegê-lo em todos os sentidos.
A verdade é que os velhos métodos para implantação do socialismo-comunismo foram definitivamente sepultados. Um novo paradigma está sendo adotado, cuja força avassaladora está sendo menosprezada, e o que é pior, nem percebido pelo povo brasileiro.
O Brasil está sendo transformado, pelas esquerdas, num laboratório político do pensamento de Gramsci sob a batuta de Lula, o aluno aplicado, e a tutela do Foro de São Paulo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 118 - ESPERO ESTAR COMPLETAMENTE EQUIVOCADO





          Desde 2003, com a eleição de Lula, vejo com preocupação a situação do Brasil rumo ao futuro. 

          Chegada a semana derradeira da Campanha Presidencial de 2014 concluo que a situação do país é mais melindrosa do que o mais pessimista prognóstico que poderia fazer naqueles primórdios da tomada do poder por parte do Partido dos Trabalhadores - PT.

          Arrisco afirmar que a situação do país é mais delicada do que aquela de 1964. Naquela ocasião, já homem feito, acompanhei cada passo dos movimentos políticos, ideológicos e militares.

          Nossa Nação saiu machucada porém, livre de uma ameaça de radicalização de esquerda, essa sim a verdadeira causa da revolução e não a verdade que querem impingir ao jovem povo brasileiro que a ação do governo de então foi sufocada pelos militares.  e que os "patriotas" foram presos, torturados e exilados covardemente.

          Naquela oportunidade a verdadeira revolução era liderada pelo Governo João Goulart  que enfrentou a Conta-Revolução liderada pelos militares com apoio maciço do povo laborioso de nossa terra, pondo abaixo um plano socialista utópico dominada pelo sindicalismo depravado e sórdido.

         Uma única pergunta: caso fossem vencedoras as ditas esquerdas defensoras da ditadura do proletariado qual seria o desfecho daqueles anos?  Basta consultar o que aconteceu em Cuba e, mais recentemente, na Venezuela, para saber a resposta.

          Voltando aos dias atuais me parece que qualquer que seja o resultado do Pleito de 2014 o Brasil estará numa crise sem precedentes que mal posso adivinhar o desfecho.

           Ainda restam alguma horas para as cabeças pensantes desse país impor uma verdade que o povo, em geral, não conhece e é mantido na ignorância devido a doze anos de um governo corrupto ao extremo, inescrupuloso, violento, mentiroso e apátrida.

          Confesso que jamais, até essa idade de 75 anos, pudesse esperar dias tão amargos como os que virão, ademais que o sistema das eleições digitalizadas não conseguem garantir a lisura da apurações.

          Só uma graça divina poderá iluminar as cabeças e mentes dos brasileiros para salvar nosso Brasil. Afastar o PT do poder é condição necessária, infelizmente, não suficiente.

          ESPERO  COM VEEMÊNCIA QUE EU ESTEJA COMPLETAMENTE ERRADO.


sábado, 20 de setembro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 117 - A MAIOR RIQUEZA DE UMA NAÇÃO

         


          Sabe-se que a maior riqueza de uma nação é o conhecimento, e o Brasil apresenta um quadro educacional desolador. 

         Parte considerável de professores  dos ensinos fundamental e médio não tem a titulação exigida por lei. Os que possuem formação específica  são obrigados, pelas circunstâncias, a ministrarem outras disciplinas.


        Na  maioria das instituições de ensino superior, o desprestígio das licenciaturas é notório.

Elas são consideradas habilitações de segunda classe.

        Em cursos de engenharia, é comum o aluno perguntar: professor, o senhor trabalha ou só dá aula? 


        Afinal, qual é o conceito de professor no Brasil? País rico é país educado!!!


        Praticamente todas as profissões exigem preparação anterior especializada, teórica e prática. Medico, advogado, engenheiro, enfim, de todos é exigido o curso com duração superior a quatro anos e realizado após vestibular. Posteriormente, muitas das vezes lhes são exigidas outras especializações: pós-graduação, mestrado, doutorado, etc. 


         E por que para os cargos políticos não é exigido grau cultural? No máximo, que o detentor seja brasileiro, eleitor e filiado a algum partido.


        A  política brasileira é um jogo do tipo "Banco Imobiliário", onde jogadores privilegiados atuam manipulando vidas e dinheiros, como se fossem dados, e que jogam em função de possíveis ganhos materiais. E as regras desse jogo são as leis que banalizam a vida ordinária de quem não é jogador. Mas esta brincadeira, apenas se mantém porque quem assiste não sabe que faz parte do jogo.


        Assisti ao filme "Getúlio" que retrata um momento político do país. Me chamou atenção uma frase atribuída a Getúlio Vargas num desabafo com a filha Alzira: "Estou no poder há muitos anos e nunca me pediram algo para o país, sempre me pedem algo para alguém". Esta frase, dita em 1954, retrata o momento político em que vivemos. Para o país nada!


         A sociedade brasileira está sofrendo um trabalho subliminar de mudança de valores. Os piores exemplos são sempre justificados. E o povo vai deixando o ódio lhe dominar, com queima de ônibus, assassinato com vasos, etc. Que falta mais para dizermos que este país está uma anarquia?


         As eleições e os candidatos - O quadro de candidatos não é animador quando se fala em honestidade e outros valores positivos e, menos ainda, quando se acompanha as pesquisas apresentando alto índice de votação, pessoas que jamais poderíamos imaginar sequer voltando ao quadro político. 


          Assim criamos um Brasil que carrega sérias dificuldades para se tornar um país decente e maduro e que, dificilmente vai sair dessa posição, que sempre se repete.


          Está aberta a temporada de promessas... Triste é pensar que entre a teoria  e a prática existe uma grande distância. Pobre povo brasileiro! 


         O texto acima não contém uma frase sequer escrita por mim. Na verdade, relendo vários jornais dos últimos dias  escolhi aleatoriamente trechos de "Cartas Dos Leitores". Juntei-os com algum critério sendo gerado o presente capítulo que expressa com coerência o que penso, assim como grande parte pensante e responsável deste país.


        Em tempo - por uma questão de justiça segue a relação dos verdadeiros autores do presente capítulo: Jairo Salles, Nilton de Freitas, Marcelo Feres, Euzébio Torres, Solange Delocco e Maria Carneiro.


        


sábado, 30 de agosto de 2014

E X T R A - UM PRESENTE PARA NOSSA SENSIBILIDADE



Momentos de virtuosismo, beleza, encantamento, arte, emoção e sensibilidade. Momentos imperdíveis da exibição de YUJA WANG, interpretando o Concerto número 3 de Rachimaninov.
Desde a primeira vez que vi e ouvi essa menina nascida em Pequim em 10 de fevereiro de 1987 fiquei fascinado.
O concerto apresentado neste Blog foi gravado em Dresden-Alemanha em 2012.
A sonoridade e a clareza do toque dos dedos com o teclado é algo de muito maduro pra uma artista tão jovem


Um presente para nossa alma e, nossos olhos...





quinta-feira, 28 de agosto de 2014

E X T R A - AS RETRETES DO SENHOR ENGENHEIRO


LEITURA OBRIGATÓRIA

No livro "Encanamentos e Salubridade das Habitações", editado há muitos anos em Lisboa, integrante da coletânea da Livraria Bertrand: -  Biblioteca de Instrução Profissional. -  consta o trabalho, a seguir transcrito, de autoria do eminente  engenheiro português João Emílio dos Santos Segurado. 

Ao  capítulo V refere-se o texto publicado a seguir tratando das técnicas para instalações sanitárias.


E importante observar que o cronista Sergio Porto (Stanislaw Ponte Preta) num de seus livros já tratava com humor deste tema.

Zé Karlos 



Instalações sanitárias (retretes coletivas):

Na instalação de retretes coletivas nos quartéis, escolas e, principalmente, nas grandes oficinas, é necessário adotar disposições especiais, por assim dizer: disciplinares, para evitar que o pessoal ali permaneça além do tempo indispensável. É de todos conhecido que os operários menos cuidadosos com os seu deveres, aproveitam a ida à retrete amiudadamente para abandonarem o trabalho. Recorre-se por isso a diversos meios que tornam incômoda a permanência nas retretes. As portas dos sanitários devem ser baixas, para que facilmente se veja de fora quem lá está. Usam-se muito as retretes turcas, onde as pessoas se teem de acocorar para delas se servirem, mas tem-se reconhecido que nao é bastante isso, por não ser a posição incômoda para todas as pessoas.
Também se costuma colocar nas retretes desse sistema uns descansos de ferro encastrados nas paredes e que correspondem aos sovacos e onde as pessoas ficam por assim dizer penduradas para fazer as necessidades. Ainda se tem usado o tampo das retretes bastante inclinadas, para que o pessoal não fique bem sentado, mas apenas encostados, numa posição bastante incômoda, mas todos esses dispositivos são ineficazes quando se trata de mandriões incorrigíveis. Recorre-se, igualmente, à ação da água ou do vapor. Periodicamente lança-se nas retretes uma violenta corrente, que as lava, arrastando os dejetos, mas dirigida de um modo que uma parte da água molhará as pessoas que ali estiverem sentadas ou acocoradas; mas exige esta disposição que se disponha de um volume considerável de agua, o que nem sempre sucederá.
Empregando as retretes do sistema Doulton já descritas, pode usar-se com o mesmo fim a descarga de vapor das máquinas, feita na canalização; a temperatura do vapor é bastante para queimar ou, pelo menos, tornar insuportável a permanência nas retretes. Um meio preconizado por industriais para evitar a permanência do seu pessoal nas latrinas, é mantê-las num estado de imundice tal que o cheiro afugenta dali os operários logo após satisfazer suas necessidades.

domingo, 24 de agosto de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 115 - A HISTÓRIA DO "TESOURINHO"




          No último capítulo, ao final, me reportei ao apelido transbordante de meiguice "Tesourinho". Fica evidente que estava me referindo à Tania, minha mulher, aquela época minha noiva. É fundamental esclarecer que esse tratamento afetivo não saiu de minha boca mas do carinho que dona Nice, minha futura sogra, tinha pela sua filha dileta e muito amada. Fato fácil de se tornar evidente para quem convivia o dia-a-dia da família.

         Quando decidimos casar as duas futuras sogras, Dona Nice, pelo lado da Tania e, Dona Tininha pelo meu, resolveram ter uma conversa particular com o futuro genro e futura nora respectivamente. Segundo consta foram decisões isoladas conduzidas apenas pelo zelo daquelas mães. Na pior das  hipóteses fica combinado assim: "verdade histórica".

          Da minha parte não tenho nada a omitir. Foi uma conversa longa rememorando as histórias das famílias Curty e Giffoni. Fiquei sabendo de tudo de bom e ruim de ambos os lados e ao fim da explanação Dona Nice foi explícita:

          - Fico muito feliz com a união de vocês dois. Os conheço muito bem; penso que serão muito felizes. Apenas quero deixar bem claro como é a família que os acolherá como casal e, que em nenhum momento possam, neste caso os dois, dizer: "fui enganado. eu não sabia que era assim.".

          - Quanto a isso a senhora pode ficar tranquila. Agradeço muito a confiança que depositou em mim. Cresce mais ainda minha responsabilidade. Obrigado!

          - Mais uma coisinha. Quanto à Tania posso garantir: você vai levar um "tesourinho". Essa é minha caçulinha, minha filha muita querida que nunca deu trabalho. Pensa bem nesse presente de Deus:  você vai se casar com um "tesourinho"!

           Tania não me contou em detalhes sua conversa com mamãe. apenas me deu a conhecer comentários que eu já estava "careca de saber" que ela iria fazer: 

           - Tania, minha filha, esse tal de Carlinhos é de amargar: um sonhador, nunca está contente com o que já tem, quer sempre mais, teimoso, rebelde mesmo...

           - Um pouco de ambição faz bem para um homem.

           - Mais uma coisa, minha filha. Veja se vocês conseguem ficar um mês sem se falar.

           Até hoje não entendemos esse pedido. Será que ela não tinha confiança no nosso amor e na nossa decisão.

           Eu, sinceramente, não lembro. Tania diz que cumprimos esse pedido. 

           Será que tive coragem de fazer esse ato de bravura? Será que Dona Tininha tinha dúvidas quanto à nossa decisão mais do que consciente. 

           Nunca soube, nem nunca vou saber... Nessa altura nem importa mais. Em julho de 2015 estaremos fazendo nossas "Bodas de Ouro". Cinquenta anos juntos. Será que ainda ficou alguma dúvida?...

          Apesar de todas suas qualidades (nada no mundo é perfeito) Tania não é uma privilegiada quanto a um dom, na minha opinião importantíssimo para uma leveza de "bom viver". 

         Decididamente não e pródiga quanto a ser portadora de um "senso de humor" de boa qualidade. Aliás muito pouco senso de humor.

         Eu, pelo contrário cultivo por demais tal qualidade. Assim é frequente minha observação malvada e inverosímel quanto ao tema da conversa de sua mãe comigo por ocasião de nosso casamento.

         Com um ar provocante, vez por outra a atiço com a seguinte indagação: "Tania, se Dona Nice ainda viva fosse, iria denunciá-la ao Procon por sua propaganda enganosa a qual procuro aferir sua veracidade ao longo desses quase cinquenta anos de mossas vidas juntos: "Você vai casar com um "tesourinho"!".

         A cada vez que faço essa observação, ouço poucas e boas e, dou largas gargalhadas de desdém. 

         No fim a questão é facilmente resolvida com vários beijos carinhosos.




         

terça-feira, 19 de agosto de 2014

"CHEIROS DA ViDA" - 114 - RECONHECER OS RASTOS DE MINHAS ANTIGAS ANDANÇAS





              Meu propósito de recuperar os textos originais escritos entre 1997 e 2005, conforme proposição estampada na página de abertura deste blog, foi atingido. 

         Continuo cultivando a ideia de que ainda ao longo do tempo  verei editado o livro com que sonhei um dia. Tenho humildemente fé que serei acarinhado por essa graça divina.


          Eventualmente será possível o aparecimento de alguns capítulos extraviados. Na ocasião oportuna darei a conhecer esses textos com a habitual informação ao  final do fechamento de cada postagem.


          Agora, meu desejo é voltar a escrever,  tornando a percorrer cada vereda deste meu "inventário de saudades".


          Confesso que há dias estou tentando dar os primeiros passos e sinto dificuldade com a retomada da trilha nostálgica do passado. Talvez a erva daninha do desencanto (1) tenha tomado viço sendo necessário  arar esse caminho para que livremente possa reconhecer os rastos de minhas antigas andanças. 


         Vale, mais um vez, reavivar Bobbio: "Que nos seja permitido viver enquanto as lembranças não nos abandonarem...".


         Sejam novamente meus companheiros fieis os lugares, as imagens, os personagens, as experiências, os acontecimentos, as emoções. as derrotas e as vitorias que vivenciei. Que o passar dos anos não tenham apagado  as cenas que marcaram minha existência. 


          Desistir? Logo agora que é chegado o momento de reviver dois fatos que irão marcar definitivamente minha passagem por este planeta? Convido-os a repartir comigo, passo a passo, as minhas caminhadas como engenheiro e, a entrega total à família que iria nascer do amor saboreado desde cada amanhecer ao lado da mulher de minha vida: Tania, o meu "Tesourinho" (nas próximas páginas todos tomarão conhecimento da origem desse carinhoso "Tesourinho".


         Valerá a pena, tenho certeza.


         (1) - desencanto - "com a situação política do país ameaçado, mais uma vez, pela corrupção desenfreada, pela crise econômica e pela nova investida em transformar esse país em uma ditadura comunista, tal e qual foi preconizada em 1964, derrotada e repudiada pela grande maioria dos brasileiros".



          

terça-feira, 5 de agosto de 2014

EXTRA - A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU

 - Um cordel para você.

A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU
Autores: Klévisson Viana e Bule-Bule
Nos palcos do firmamento
Jesus concebeu um plano
De montar um espetáculo
Para Deus Pai Soberano
E, ao lembrar de um dramaturgo,
Mandou buscar Ariano.

Jesus mandou-lhe um convite,
Mas Ariano não leu.
Estava noutro idioma,
Ele num canto esqueceu,
Nem sequer observou
Quem foi que lhe escreveu.

Depois de um tempo, mandou
Uma segunda missiva.
A secretária do artista
Logo a dita carta arquiva,
Dizendo: — Viagem longa
A meu mestre não cativa.

Jesus sem ter a resposta
Disse torcendo o bigode:
— Eu vejo que Suassuna
É teimoso igual a um bode.
Não pode, mas ele pensa
Que é soberano e pode!

Jesus, já perdendo a calma,
Apelou pra outro suporte.
Para cumprir a missão,
Autorizou Dona Morte:
— Vá buscar o escritor,
Mas vê se não erra o corte!

A morte veio ao País
Como turista estrangeiro,
Achando que o Brasil
Era só Rio de Janeiro.
No rastro de Suassuna,
Sobrou pra Ubaldo Ribeiro.

Porém, antes de encontrá-lo,
Sofreu um constrangimento
Passando em Copacabana,
Um malfazejo elemento
Assaltou ela levando
Sua foice e documento.

A morte ficou sem rumo
E murmurou dessa vez:
— Pra não perder a viagem
Vou vender meu picinez
Para comprar outra foice
Na loja de algum chinês.

Por um e noventa e nove
A dita foice comprou.
Passando a mão pelo aço,
Viu que ela enferrujou
E disse: — Vai essa mesma,
Pois comprar outra eu não vou!

A morte saiu bolando,
Sem direção e sem tino,
Perguntando a um e a outro
Pelo escritor nordestino,
Obteve informação,
Gratificando um menino.

Ao encontrar João Ubaldo,
Viu naufragar o seu plano,
Se lembrando da imagem
Disse: — Aqui há um engano.
Perguntou para João
Onde é que estava Ariano.

Nessa hora João Ubaldo,
Quase ficando maluco,
Tomou um susto arretado,
Quando ali tocou um cuco,
Mas, gaguejando, falou:
—Ele mora em Pernambuco!
A morte disse: — Danou-se
Dinheiro não tenho mais
Para viajar tão longe,
Mas Ariano é sagaz.
Escapou mais uma vez,
Vai você mesmo, rapaz!

Quando chegou lá no Céu
Com o escritor baiano,
Cristo lhe deu uma bronca:
— Já foi baldado o meu plano.
Pedi um da Paraíba
E você trouxe um baiano.
João Ubaldo é talentoso,
Porém não escreve tudo.

“Viva o Povo Brasileiro”
É sua obra de estudo,
Mas quero peça de humor,
Que o Céu tá muito sisudo.
Foi consultar os arquivos
Pra ressuscitar João.

Mas achou desnecessário,
Pois já era ocasião
Pra ele vir prestar contas
Ali na Santa Mansão.

Jesus olhou para a Morte
E disse assim: — Serafina,
Vejo não és mais a mesma.
Tu já foste mais malina,
Tá com pena ou tá com medo,
Responda logo, menina?!

— Jesus, eu vou lhe falar
Que preciso de dinheiro.
Ariano mora bem
No Nordeste brasileiro.

Disse o Cristo: —Tenho pressa,
Passe lá no financeiro! 
— Só faço que é pra o Senhor.
Pra outro, juro não ia.
Ele que se conformasse
Com o escritor da Bahia.

Se dependesse de mim,
Ariano não morria.
A morte na internet
Comprou passagem barata.

Quase morria de susto
Naquela viagem ingrata.
De vez em quando dizia:
— Eita que viagem chata!
Uma aeromoça lhe trouxe
Duas barras de cereais.

Diz ela: — Estou de regime.
Por favor, não traga mais,
Porque se vier eu como,
Meu apetite é voraz!

Quando chegou no Recife,
Ficou ela de plantão
Na porta de Ariano
Com sua foice na mão,
Resmungando: — Qualquer hora
Ele cai no alçapão!

A morte colonizada,
Pensando em lhe agradar,
Uma faixa com uma frase
Ela mandou preparar,
Dizendo: “Welcome Ariano”,
Mas ele não quis entrar.

Vendo a tal faixa, Ariano
Ficou muito revoltado.
Começou a passar mal,
Pediu pra ser internado
E a morte foi lhe seguindo
Para ver o resultado.

Eu não sei se Ariano
Morreu de raiva ou de medo.
Que era contra estrangeirismos,
Isso nunca foi segredo.
Certo é que a morte o matou
Sem lhe tocar com um dedo.

Chegou no Céu Ariano,
Tava a porta escancarada.
São Pedro quando o avistou
Resmungando na calçada,
Correu logo pra o portão,
Louvando a sua chegada.

Um anjinho de recado
Foi chamar o Soberano,
Dizendo: - O Senhor agora
Vai concretizar seu plano.
São Pedro mandou dizer
Que aqui chegou Ariano.

Jesus saiu apressado,
Apertando o nó da manta
E disse assim: — Vou lembrar
Dessa data como santa
Que a arte de Ariano
Em toda parte ela encanta.

São Pedro lá no portão
Recebeu bem Ariano,
Que chegou meio areado,
Meio confuso e sem plano.
Ao perceber que morreu,
Se valeu do Soberano.

Com um chapelão de palha
Chegou Ascenso Ferreira,
O grande Câmara Cascudo,
Zé Pacheco e Zé Limeira.
João Firmino Cabral
Veio engrossar a fileira.

E o próprio João Ubaldo
(Que foi pra lá por engano)
Veio de braços abertos
Para abraçar Ariano.
E esse falou: - Ubaldo,
Morrer não tava em meu plano!

Logo chegou Jorge Amado
E o ator Paulo Goulart.
Veio também Chico Anysio
Que começou a contar
Uma anedota engraçada
Descontraindo o lugar.

Logo chegou Jesus Cristo,
Com seu rosto bronzeado.
Veio de braços abertos,
Suassuna emocionado
Disse assim: — Esse é o Mestre,
O resto é papo furado!

Suassuna que, na vida,
Sonhou em ser imortal,
Entrou para Academia,
Mas percebeu, afinal,
Que imortal é a vida
No plano celestial.

Jesus explicou seus planos
De fazer uma companhia
De teatro e ele era
O escritor que queria
Para escrever suas peças,
Enchendo o Céu de alegria.

Nisso Ariano responde:
— Senhor, eu me sinto honrado,
Porém escrever uma obra
É serviço demorado.
Às vezes gasto dez anos
Para obter resultado.

Nisso Jesus gargalhou
E disse: — Fique à vontade.
Tempo aqui não é problema,
Estamos na eternidade
E você pode criar
Na maior tranquilidade.

Um homem bem pequenino
Com chapeuzinho banzeiro,
Com um singelo instrumento,
Tocou um coco ligeiro
Falando da Paraíba:
Era Jackson do Pandeiro.

Logo chegou Luiz Gonzaga,
Lindu do Trio Nordestino,
E apontou Dominguinhos
Junto a José Clementino
E o grande Humberto Teixeira,
Raul e Zé Marcolino.

Depois chegou Marinês
Com Abdias de lado
E Waldick Soriano,
Com um vozeirão impostado,
Cantou “Torturas de Amor”,
Como sempre apaixonado.

Veio então Silvio Romero
Com Catulo da Paixão,
Suassuna enxugou
As lágrimas de emoção
E Catulo, com seu pinho,
Cantou “Luar do Sertão”.

Leandro Gomes de Barros
Junto a Leonardo Mota,
Chegou Juvenal Galeno,
Otacílio Patriota.
Até Rui Barbosa veio
Com título de poliglota.

Chegou Regina Dourado,
Tocada de emoção,
Juntinho de Ariano,
Veio e beijou sua mão
E disse: — Na sua peça
Quero participação.

Ariano dedicou-se
Àquele projeto novo.
Ao concluir sua peça,
Jesus deu o seu aprovo
E a peça foi encenada
Finalmente para o povo.

Na peça de Ariano
Só participa alma pura.
Ariano virou santo,
Corrigiu sua postura.
Lá no Céu ganhou o título
Padroeiro da cultura.

Os artistas que por ele
Já nutriam grande encanto
Agora estando em apuros,
Residindo em qualquer canto,
Lembra de Santo Ariano
E acende vela pro santo.

Ariano foi Quixote
Que lutou de alma pura.
Contra a arte descartável
Vestiu a sua armadura
Em qualquer dia do ano
Eu digo: viva Ariano
Padroeiro da Cultura!
FIM