por José Carlos Coelho Leal

domingo, 24 de agosto de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 115 - A HISTÓRIA DO "TESOURINHO"




          No último capítulo, ao final, me reportei ao apelido transbordante de meiguice "Tesourinho". Fica evidente que estava me referindo à Tania, minha mulher, aquela época minha noiva. É fundamental esclarecer que esse tratamento afetivo não saiu de minha boca mas do carinho que dona Nice, minha futura sogra, tinha pela sua filha dileta e muito amada. Fato fácil de se tornar evidente para quem convivia o dia-a-dia da família.

         Quando decidimos casar as duas futuras sogras, Dona Nice, pelo lado da Tania e, Dona Tininha pelo meu, resolveram ter uma conversa particular com o futuro genro e futura nora respectivamente. Segundo consta foram decisões isoladas conduzidas apenas pelo zelo daquelas mães. Na pior das  hipóteses fica combinado assim: "verdade histórica".

          Da minha parte não tenho nada a omitir. Foi uma conversa longa rememorando as histórias das famílias Curty e Giffoni. Fiquei sabendo de tudo de bom e ruim de ambos os lados e ao fim da explanação Dona Nice foi explícita:

          - Fico muito feliz com a união de vocês dois. Os conheço muito bem; penso que serão muito felizes. Apenas quero deixar bem claro como é a família que os acolherá como casal e, que em nenhum momento possam, neste caso os dois, dizer: "fui enganado. eu não sabia que era assim.".

          - Quanto a isso a senhora pode ficar tranquila. Agradeço muito a confiança que depositou em mim. Cresce mais ainda minha responsabilidade. Obrigado!

          - Mais uma coisinha. Quanto à Tania posso garantir: você vai levar um "tesourinho". Essa é minha caçulinha, minha filha muita querida que nunca deu trabalho. Pensa bem nesse presente de Deus:  você vai se casar com um "tesourinho"!

           Tania não me contou em detalhes sua conversa com mamãe. apenas me deu a conhecer comentários que eu já estava "careca de saber" que ela iria fazer: 

           - Tania, minha filha, esse tal de Carlinhos é de amargar: um sonhador, nunca está contente com o que já tem, quer sempre mais, teimoso, rebelde mesmo...

           - Um pouco de ambição faz bem para um homem.

           - Mais uma coisa, minha filha. Veja se vocês conseguem ficar um mês sem se falar.

           Até hoje não entendemos esse pedido. Será que ela não tinha confiança no nosso amor e na nossa decisão.

           Eu, sinceramente, não lembro. Tania diz que cumprimos esse pedido. 

           Será que tive coragem de fazer esse ato de bravura? Será que Dona Tininha tinha dúvidas quanto à nossa decisão mais do que consciente. 

           Nunca soube, nem nunca vou saber... Nessa altura nem importa mais. Em julho de 2015 estaremos fazendo nossas "Bodas de Ouro". Cinquenta anos juntos. Será que ainda ficou alguma dúvida?...

          Apesar de todas suas qualidades (nada no mundo é perfeito) Tania não é uma privilegiada quanto a um dom, na minha opinião importantíssimo para uma leveza de "bom viver". 

         Decididamente não e pródiga quanto a ser portadora de um "senso de humor" de boa qualidade. Aliás muito pouco senso de humor.

         Eu, pelo contrário cultivo por demais tal qualidade. Assim é frequente minha observação malvada e inverosímel quanto ao tema da conversa de sua mãe comigo por ocasião de nosso casamento.

         Com um ar provocante, vez por outra a atiço com a seguinte indagação: "Tania, se Dona Nice ainda viva fosse, iria denunciá-la ao Procon por sua propaganda enganosa a qual procuro aferir sua veracidade ao longo desses quase cinquenta anos de mossas vidas juntos: "Você vai casar com um "tesourinho"!".

         A cada vez que faço essa observação, ouço poucas e boas e, dou largas gargalhadas de desdém. 

         No fim a questão é facilmente resolvida com vários beijos carinhosos.




         

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