por José Carlos Coelho Leal

domingo, 7 de dezembro de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 122 - DIA PARA JAMAIS ESQUECER...




          - Mãe!!! Assim não  é possível... Já estou começando a ficar nervoso!!!

          - Mais do que natural. Num dia como hoje seria novidade não ficar, pelo menos, ansioso.


          - Estamos falando de coisas diferentes A senhora está falando do casamento e eu, me referindo ao seu "bendito" irmão!


          - Qual deles?


          - É claro que estou falando do Tio Augusto. Inda ontem à noite telefonei para ele que prometeu trazer o meu terno entre meio-dia e meio-dia e meia. Já são duas.


          - Seu casamento é as seis; vai dar tudo certo.


          - Combinei com Tania estar na casa dela no máximo às quatro e meia para tirarmos com calma as fotografias. A essa hora ela já está pronta, mais linda do que nunca, tirando as fotos individuais


         - Que absurdo! Você vai ver a noiva antes dela subir o altar?


         - Vou. Claro! E daí?


         - Isso foge a tradição e dizem que dá azar.


         - A senhora acredita nestas bobagens? Francamente...Estamos pagando para ver. Ela quer fazer tudo com calma e não na correria depois da cerimônia, com a casa cheia de convidados esperando sua atenção.


         - Eu também não acredito nessas coisas. Afinal agora vocês é que são donos de suas vidas.


         - Sabe de uma coisa? Vou subir, colocar para fora meu "velho cansado" terno de festas  e. usá-lo na falto de algo melhor.


         Foi o que fiz. Ato contínuo comecei a me vestir com zelo. Cueca, meias, camisa, gravata prateada a receber o primeiro laço (o primeiro e único, foi logo na primeira tentativa - ficou legal como poderão ver nas fotos). Tudo novinho em folha, como novinha seria minha vida dali para frente. Estava prestes a dar mais um passo, certamente o mais importante da minha existência...


         Passava das três e meia quando tio Augusto chegou trazendo uma caixa grande e uma maleta.


         - Estou precisando de um alfaiate e não de um médico. Para quê essa maleta?


         - Chega de perguntas e vamos vestir logo ese terno para dar os últimos retoques.


         - Retoques? O senhor é uma alfaiate ou um charlatão que precisa enganar o cliente.


         - Aqui não estou vendo um cliente, sim meu sobrinho filho da minha irmã caçula.


         Ao vestir a calça tio Augusto abriu finalmente a maleta e tirou um ferro elétrico em miniatura com fio e tomada.


         - Que o senhor está fazendo?


         - Vou dar um acerto final na beira do vinco direito perto da bainha da calça. Está dando impressão de dois vincos no final.


         -  O quê?!!!


         -  Não vai levar nem dois minutos. Estou com um taxi, ai fora, esperando a gente. Vou te levar à casa da tua noiva.


         - Minha noiva tem nome.


         - É Tania. Eu sei!!! Você é atrevido, hein!!!


         - Não vai levar minuto nenhum. Está bom assim. Afinal quem vai olhar para o vinco da calça do noivo. Todos estarão interessados em ver a lindeza da noiva. Quero vestir logo esse bendito colete. Quem será que inventou essa porcaria só para fazer a gente sentir mais calor.


        - Veste e você vai ver como ficará elegante.


        - Estou parecendo um manequim esculpido em madeira. Francamente, como sofre um noivo.


        - Tininha!!! Você não deu educação para esse menino? Traz pelo menos uma "maracujina" para acalmar essa fera.


        - Pelo contrário. Estou preocupado pois estou calmo demais.


        - Veste esse paletó. Perfeito!


        Eram exatamente quatro e meia quando cheguei à casa de Tania.


        - Tio obrigado por tudo. Foi um presentão.


        - Foi tudo muito bom e sinto-me feliz. Como já falei com sua mãe, não poderei ir ao casamento pois tenho muito trabalho para entregar amanhã. Parece que o mundo todo resolveu se casar ao mesmo tempo. Sejam muito felizes.


   - Vamos ser com certeza. Mamãe já tinha me avisado da impossibilidade de sua presença, Mais uma vez obrigado por tudo. Um beijo na tia Esmeralda, no Walter e no Augustinho.

        -  O teu primo Augustinho vai, com certeza. O Walter ainda não sei.  Fiquem com Deus. Felicidades!Tchau!!!


        Era o dia nove de julho de mil novecentos e sessenta e cinco. Dia para jamais esquecer...


                           Linda, linda, linda...

            Foto tirada no momento exato do  Brinde Nupcial


       

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