NOTA - Aconteceu com minha
neta na saída das aulas na UFRJ
na Urca às 20 horas. O e-mail é
transcrito a seguir.
Esta situação de nosso país é revoltante.
ZK
22 de maio DE 2014 - Rio de Janeiro
Acabei de ser assaltada. Essa frase não é nova na sua timeline. Principalmente se você mora no Rio de Janeiro.
Eu fui assaltada. Levaram meus pequenos pertences que eu tentei alertar: "não tem nada de valor, moço, tem meu caderno, o celular vagabun..." e levei um soco na cara. Um soco na boca que está que nem 1/4 da da Jolie agora, sangrando e enorme de inchada.
Fui agredida, subtraída, traída. Traída pela cidade que eu já amei tanto morar. Traída por um governo covarde. Traída por uma justiça vexaminosa. Traída complexamente por uma sociedade conformada, acuada, humilhada.
Fui - mais uma vez - dada como otária. Mas tá passando a novela do Manoel Carlos. E que lindo o Leblon. E o policial me disse também: sorte sua que você está viva!! Que realidade louca a que temos que nos sentir sortudos em uma outra pessoa não tirar a nossa vida quando a gente sai da faculdade com mais três amigas, e só roubar nossas coisas e nos dar um soco gratuito no rosto. É muita tristeza. só isso. Tristeza funda. Tristeza sem jeito.
É a terceira vez que sou assaltada só em 2014. To colecionando BOs. "Depois a gente bate num vagabundo desse até ele aprender e nego reclama" foi o que disse o policial (nas duas vezes em que pedi ajuda a eles) e eu tive vontade de me desculpar ao ladrão. "não precisa ir atrás não, moço". a culpa não é do ladrão. mas também não é minha. Ou é? é de quem? e ai? dá próxima vez, eu fico na minha. reclamo no ouvido dos meus pais.
A ultima coisa que quero é multiplicar a violência que recebi. documento, dinheiro, pertences, caderno, uma boca. Isso tudo se recupera. ainda estou viva! a cabeça - mesmo que confusa agora - funciona bem! só não consigo mais recuperar o tesão de ficar aqui nessa cidade. sei que voltarei a andar em pânico pelas ruas, me assustando quando um amigo vier falar oi "de surpresa" na rua. é isso que somos obrigados a entubar. esperar o próximo assalto. ou o próximo jogo no maracanã. enquanto a educação, os hospitais, o asfalto, a organização, a cultura...
Somos reféns de nós mesmos. e vai ter copa!...
Gabriela Giffoni Leal de Souza
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