O ano de 2003 começou péssimo!
Prevejo vários dissabores para nosso país.
Sinceramente, torço com veemência para estar enganado. Preciso estar enganado...
Lula presidente! Inacreditável!
Para onde estaremos indo?
O bom senso me aconselha deixar o tempo correr para uma análise mais completa e, se possível, isenta.
Difícil!
Acompanho Lula desde o final dos anos setenta. A partir dessa época nunca me enganou; será que agora surpreenderá derrubando todo o conceito negativo que formei dele?
Se for para o bem do Brasil serei o primeiro a dar as mãos à palmatória...
No entanto, pergunto, será que estamos preparados para o que vem? Será que há pouco e pouco não iremos percorrer os mesmos caminhos que nos levaram a 1964?
Não desejo isso para essa nova geração de brasileiros.
Devo me conter; só o tempo poderá dizer.
Melhor, voltemos à nossa história.
Transcorria o ano de 1963.
Tão envolvido estava no atingimento de minhas metas que pouco tempo sobrava para acompanhar as notícias do dia-a-dia.
O dia começava cedo com as “famosas” aulas às sete horas da manhã no Colégio Werneck. Quando chegava à Faculdade, pouco depois das oito, ai sim, tomava o café da manhã na cantina da Faculdade, no consagrado “Charle’s Bar!” e, finalmente poderia conversar rapidamente quanto às notícias do mundo, do país, e da minha cidade.
Recordando bem o ano de 1963 foi rico em acontecimentos, senão vejamos:
- Logo em seis de janeiro realiza-se o plebiscito para escolha do regime de governo do Brasil. Mais uma vez fui convocado para ser mesário e, como estava em Petrópolis não me apresentei no prazo previsto. Fui designado para trabalhar numa seção eleitoral que funcionaria na Favela do Esqueleto, exatamente uma das favelas que seriam posteriormente removidas, mais precisamente em 1965.
Uma população de 12 mil pessoas ocupava cerca de 4 mil casas, na sua maioria construídas com o material abandonado que se destinava a erigir o Hospital das Clínicas da então Universidade do Brasil.
Este prédio semi-construído tornou-se, mais tarde, o Pavilhão João Lyra Filho fazendo parte integrante do Campus da Universidade do Rio de Janeiro que ocupa a totalidade da área que abrigava até então a favela.
A maioria de seus favelados foram relocados na Vila Kennedy em Bangu.
Na vila Kennedy está localizado o Teatro Mario Lago e a Escola de Samba Unidos da Vila Kennedy.
Os recursos para construção desse verdadeiro bairro veio primordialmente do Programa Aliança para o Progresso criado pelo então Presidente Kennedy dos Estados Unidos.
O nome inicialmente sugerido para o local seria Vila Progresso, mas com a morte do Presidente no final daquele ano, como forma de homenagem, recebeu o nome atual.
Foram ainda encaminhados para aquela localidade moradores oriundos da Favela do Pasmado, em Botafogo e, da Praia do Pinto na Lagoa.
- Outros acontecimentos que marcariam aquele ano, alguns de vasta repercussão e sobre o os quais ainda nos reportaremos neste livro:
- Nelson Rodrigues cria o personagem “Sobrenatural de Almeida”;
- Governo proíbe que empresas francesas pesquem lagosta no litoral do Brasil;
- O Kremlin aceita a implantação de uma linha telefônica direta com a Casa Branca;
- Pela primeira vez um ator negro consegue ganhar o “Oscar” de melhor ator principal. Trata-se de Sidney Poitier por sua atuação no filme “Uma voz nas sombras”;
- O Brasil torna-se Bicampeão Mundial de Basquete Masculino vencendo, na final, a União Soviética por 90 x 79;
- Morre de câncer o Papa João XXIII;
- Giovanni Montini é o novo papa e adota o nome de Papa Paulo VI;
- Pastor Martin Luther King lidera uma marcha de duzentos mil negros pelos direitos civis em Washington;
- O Santos Futebol Clube vence o Milan por 1 x 0 e, torna-se bicampeão mundial interclubes;
- O Presidente Kennedy autoriza venda emergencial e humanitária de trigo á União Soviética;
- O Presidente Kennedy de 46 anos é assassinado em Dallas no Texas. O vice-presidente, Lyndon Johnson, assume o governo a bordo do avião que transladava o corpo de Kennedy para Washington.
Quantos acontecimentos importantes.
Pouco tempo podia dedicar aos detalhes e à análise das consequências de cada um deles para nossas vidas.
Não esquecer que estava relatando um dia rotineiro de minha passagem por Petrópolis entre os anos de 1962 e 1965.
A coisa só acalmava depois da meia-noite quando chegava à casa, esgotado e não raras vezes me jogava na cama com a mesma roupa que passara o dia.
Havia, no entanto, um fato inusitado que ocorria todas as noites.
Fosse qual fosse a hora que chegasse, acariciava meus ouvidos pelo ar, provavelmente vindo de um apartamento próximo ao meu, o som de uma música marcante.
Era chegar em casa e nem cinco minutos passados lá vinha a trilha sonora de minhas madrugadas. Uma, duas... Sei lá quantas vezes.
Sem muita dificuldade identifiquei ser o tema da trilha sonora do filme a “A teia de renda negra” estrelado por Doris Day e Rex Harrison, um “thriller” que fez razoável sucesso naquele início dos anos sessenta.
Pensava comigo mesmo: “isso é coisa de mulher apaixonada”. Levantava a cabeça, apreciava um pouco a minha fantasia e, logo me entregava ao sono profundo.
Amanhã cedo começa tudo de novo.
Em tempo: com o auxílio da “Internet” consegui, agora, recuperar esses sons do passado. Trata-se de “Midnight Lace”; a seguir o endereçamento do site.
Ouçam e talvez vocês justifiquem as minhas suspeitas:
http://www.youtube.com/watch?v=C-Y80AaYQe0
Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2003
Coisa de mulher apaixonada!! com certeza.
ResponderExcluirMANUEL
ResponderExcluirComo diria minha mãe: "não fique colocando caraminholas na minha cabeça!"
No caso de minha história tratava-se uma "bazaqueana enxuta"", como se dizia à época, com os trinta bem passados. Hoje, se viva, deve estar com uns oitenta e muitos. Pergunto: Será que esta criatura insólita ainda está a colocar músicas na madrugada para atrair algum "solitário perdido em lutas mil nas serras fluminenses???..."
Um abraço / Zé Karlos