Definida a volta ao
regime de governo presidencialista, fazendo de João Goulart um presidente de fato
do país, as esquerdas tomaram como seu esse galardão de vitória.
Luiz
Carlos Prestes, então secretário-geral do PCB,
da mesma forma se pronunciava, sem nenhum pudor: “Já estamos no Governo, só falta alcançar o Poder”.
da mesma forma se pronunciava, sem nenhum pudor: “Já estamos no Governo, só falta alcançar o Poder”.
Esse
era o clima de radicalização que se instalara, aliás, muito semelhante aos
acontecimentos políticos que precederam à queda do regime ditatorial de 1945.
Outra
crise, essa atingindo a toda a população, era a
crise de energia elétrica. Desde 1962 por ocasião da abertura do curso, ainda na sala do “almirante de barquinho de papel”, na Rua Marechal Deodoro, essa preocupação nos rondava, ao Ivan e a mim. Imagina ficar sem luz bem no transcorrer das aulas?
crise de energia elétrica. Desde 1962 por ocasião da abertura do curso, ainda na sala do “almirante de barquinho de papel”, na Rua Marechal Deodoro, essa preocupação nos rondava, ao Ivan e a mim. Imagina ficar sem luz bem no transcorrer das aulas?
Providenciamos a compra, naquela época, de
vários
lampiões a querosene. Nem a falta de luz irá
lampiões a querosene. Nem a falta de luz irá
nos derrubar, pensava eu.
Tola preocupação...
Tola preocupação...
Já
no ano seguinte estávamos no CEPES – Rua Barão de
Tefé ai foi a vez da Light entrar no regime de racionamento.
Tefé ai foi a vez da Light entrar no regime de racionamento.
Qual nossa nova área? Área da EFE já então
denominada CELF – Centrais Elétricas Fluminenses.
Novamente escapávamos e o amaldiçoado
racionamento
jamais nos atingiu. Muito bom.
O
clima político continuava cada vez mais “quente” e, as
palavras de ordem de
Jango eram sempre envoltas em
“reformas”, principalmente as “Reformas de
Base”. Todas elas
embasadas num discurso
nacionalista e, com ideologia claramente “socialista”, palavra mais amena para
não dizer “comunista”.
Afinal
todo esse panorama surgira com a renuncia
prematura, até hoje sem uma
explicação cabal, de Jânio Quadros. Menos de nove meses no exercício da
presidência. Seis milhões de eleitores que o elegeram, com imensa folga, ficaram “a
ver navios”
Aos
domingos, quando não tinha alguma missão relacionada com o CEPES, lia com
atenção o “Correio da Manhã”. Tomava então conhecimento das folclóricas manias
de Jànio: os famosos bilhetinhos ( 1.554 editados durante o breve exercício do
cargo), os blusões folgados, as alpargatas, os ridículos “slacks” que deveriam padronizar a vestimenta de todos os funcionários públicos gerando para o mundo
uma imagem tropical.
De todos
os bilhetinhos apenas onze foram de elogios ou
homenagens. Por esses bilhetinhos eram dirigidas ordens como: dobrar em um ano a safra de amendoim, regulamentar o uso de maiôs das
misses; ainda, proibição dos biquínis nas praias, das corridas de cavalos em dias úteis,
das rinhas de galo, do lança-perfume e por ai vai...
Um
bilhete que ficaria marcado pela história demonstrava a grande suscetibilidade
de Jânio, como a homenagem a Getúlio
Vargas dando esse nome à Usina de Volta
Redonda apenas para
espicaçar Carlos Lacerda, que se tornara seu adversário.
Só um
detalhe: votei, em 1960, em Jânio Quadros (lembram-se do capítulo nº 28 “Embrulhadinhos
um a um?).
Pano ultrarrápido!...
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Trecho de meu livro “Cheiros da Vida” escrito em 2003 em Arraial do Cabo.
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