por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CHEIROS DA VIDA - 74 - UM BRINDE AO SUCESSO

          
          Aquela semana parecia não terminar.
          Mesmo cansado quando chegava a casa passava longo tempo olhando a documentação, o memorial descritivo, o contrato de compra e o principal: a planta baixa do meu apartamento.
          Rabiscava num papel-manteiga, onde havia copiado o original, os futuros móveis, suas posições a ocupar em cada pedacinho daquele “palácio”. A cor das paredes, das portas, ou seriam enceradas? Os tipos de luminárias,  detalhe por detalhe. Assim pensava e assim sonhava até o sono me derrubar.
          Finalmente, sábado chegou. Ir à aula foi o mesmo que não, pois, a cabeça rodava a mil imaginando a alegria da Tania e de todos quando mostrasse a prova da minha primeira grande conquista.
         À tarde ainda teríamos aula de Tecnologia Mecânica com o querido mestre Miguel de Assis Vieira. De repente, apareceu em sala o Lucio, secretário da Escola, avisando que o Professor Miguel estava impossibilitado de subir a Petrópolis. Desejou um bom fim de semana e se retirou.
        Melhor notícia não podia existir.
        Finalmente, Rio de Janeiro e Tijuca...
        Passei pela padaria para dar um telefonema para Tania avisando que às sete horas estaria lá.
        - E as novidades?
        - Espera! À noite conto tudo.
        - Estou aflita para saber.
        - E eu para contar. À noite. Um beijo, tchau!
        Nem contei nada em casa. Papai certamente apoiaria minha decisão, mas, mamãe, viria com aquela tradicional ladainha com as não menos tradicionais qualificações: atirado, louco, sem juízo. Também viriam as frases feitas, como: “... esse menino quer abraçar o mundo com as pernas”.
        Melhor assim. Haveria tempo e modo para comunicar meu investimento.
        Pouco antes da hora combinada chequei à Morais e Silva, 19 e, por milagre, Tania já estava à minha espera no portão.
        Um abraço apertado e um beijo guardado a dias me deixaram animados para todas as novidades que tinha para contar.
        Mal cheguei à sala veio uma enxurrada de perguntas.  Seu Mario e Dona Nice, Tité (Dona Célia, tia da Tania), Carlos Alberto e Tania, naturalmente; pareciam uma verdadeira metralhadora giratória.
        Evidentemente não me fiz de rogado e esclareci todos os detalhes.
        Depois os abraços, desejos de boa sorte e no meio do papo apareceu um delicioso mousse de chocolate com biscoitos champanhe, especialidade da Tania e, para brindar, uma própria champanhe foi aberta e ouviu-se o tradicional tilintar de taças. 
        - Quer dizer que depois de casados vocês vão morar em Petrópolis? - indagou Dona Nice.
         Caramba! A coisa está séria. Até em casamento já se está falando como fato consumado. Não perdi a linha e aproveitei a oportunidade.
         - Não se preocupe Dona Nice. Caso o meu Curso continue prosperando, é por lá que devemos ficar. O apartamento tem dois quartos e um deles ficará reservado para hóspedes - respondi com naturalidade sem deixar transparecer minha emoção.
         - Assim está bom pois não posso ficar muito tempo longe da minha filhinha querida.
         - A Senhora e Seu Mario serão sempre bem-vindos.
         - Assim, sim!
         - Agora os fins de semana passaremos sempre aqui no Rio e a Senhora poderá desfrutar com calma da presença de sua filha.
         - Claro! E quando vierem os filhos?
         - Aí já terei um apartamento maior.
         - Se Deus quiser! - encerrou  minha futura sogra (acho que já podia trata-la assim)...
         Valeu a espera.
         Estava muito feliz e, noite alta, mais uma vez, não foi fácil pegar no sono, apesar do infinito cansaço que a agitação da semana tinha me causado. Recordei todos os acontecimentos que tinham ocorrido em minha vida desde a formatura no Científico e, comparando com os dois últimos, achei que, agora, estava realmente vencendo a batalha.

 - Trecho do meu livro Cheiros da Vida escrito em 2003 em Arraial do Cabo.



terça-feira, 29 de outubro de 2013

CHEIROS DA VIDA - 73 - FUGINDO DAS TREVAS

         Definida a volta ao regime de governo presidencialista, fazendo de João Goulart um presidente de fato do país, as esquerdas tomaram como seu esse galardão de vitória.

          Luiz Carlos Prestes, então secretário-geral do PCB,
da mesma forma se pronunciava, sem nenhum pudor: “Já estamos no Governo, só falta alcançar o Poder”.

          Esse era o clima de radicalização que se instalara, aliás, muito semelhante aos acontecimentos políticos que precederam à queda do regime ditatorial de 1945.

           Outra crise, essa atingindo a toda a população, era a 
crise de energia elétrica. Desde 1962 por ocasião da abertura do curso, ainda na sala do “almirante de barquinho de papel”, na Rua Marechal Deodoro, essa preocupação nos rondava, ao Ivan e a mim. Imagina ficar sem luz bem no transcorrer das aulas?

           Providenciamos a compra, naquela época, de vários
lampiões a querosene. Nem a falta de luz irá 
nos derrubar, pensava eu.
   
     Tola preocupação...

          Acompanhando o noticiário local descobri que Petrópolis era abastecida por duas empresas concessionárias diferentes: LIGHT e EFE - Empresa Fluminense de Energia. Para nossa sorte o curso estava na área da Light que não participava, sei lá por qual motivo, do racionamento daquele ano.

           Já no ano seguinte estávamos no CEPES – Rua Barão de
Tefé ai foi a vez da Light entrar no regime de racionamento.
Qual nossa nova área? Área da EFE já então denominada CELF – Centrais Elétricas  Fluminenses.

           Novamente escapávamos e o amaldiçoado racionamento
jamais nos atingiu. Muito bom.

           O clima político continuava cada vez mais “quente” e, as
palavras de ordem de Jango eram  sempre envoltas em
 “reformas”, principalmente as “Reformas de Base”.  Todas elas
embasadas num discurso nacionalista e, com ideologia claramente “socialista”, palavra mais amena para não dizer “comunista”.

          Afinal todo esse panorama surgira com a renuncia
 prematura, até hoje sem uma explicação cabal, de Jânio Quadros. Menos de nove meses no exercício da presidência. Seis milhões de eleitores que o elegeram, com imensa folga, ficaram “a ver navios”

          Aos domingos, quando não tinha alguma missão relacionada com o CEPES, lia com atenção o “Correio da Manhã”. Tomava então conhecimento das folclóricas manias de Jànio: os famosos bilhetinhos ( 1.554 editados durante o breve exercício do cargo), os blusões folgados, as alpargatas, os ridículos “slacks” que deveriam padronizar a vestimenta de todos os funcionários públicos gerando para o mundo uma imagem tropical.

          De todos os bilhetinhos apenas onze foram de elogios ou
homenagens. Por esses bilhetinhos eram dirigidas ordens como: dobrar em um ano a safra de amendoim, regulamentar o uso de maiôs das misses; ainda, proibição dos biquínis nas praias, das corridas de cavalos em dias úteis, das rinhas de galo, do lança-perfume e por ai vai...

         Um bilhete que ficaria marcado pela história demonstrava a grande suscetibilidade de Jânio, como a homenagem a Getúlio
Vargas dando esse nome à Usina de Volta Redonda apenas para
espicaçar Carlos Lacerda, que se tornara seu adversário.

        Só um detalhe: votei, em 1960, em Jânio Quadros (lembram-se do capítulo nº 28 “Embrulhadinhos um a um?).

        Pano ultrarrápido!...



- Trecho de meu livro “Cheiros da Vida” escrito em 2003 em Arraial do Cabo.

domingo, 27 de outubro de 2013

EXTRA - VISITANDO O TÚNEL DO TEMPO

          Em 1958, após onze anos de Colégio Externato São José - Maristas, entrei em 1948 no Terceiro Ano Primário (turma do Irmão Claudino) e, completei o Curso Científico (turma do Irmão Moisés - o Batatinha-) em 1958.

          Nossa turma de colégio manteve-se unida por todos esses anos, até hoje, apesar de algumas baixas pelo caminho todas elas nos deixando um pouco mais órfãos e, invadidos por uma saudade imorredoura. Essa é a vida que segue!


         Em 1983 comemoramos nosso "Jubileu de Prata" da melhor maneira possível: Missa no Colégio, com 
orações escritas especialmente pra o evento e, os mesmos cânticos  da época de Colégio (anos 40 e 50) ao som do órgão tocado pelo nosso impecável "Mestre de Cerimonia" o Ronaldo Youle.


         Depois o coquetel e jantar, tudo realizado nas próprias dependências do Colégio, o que nos deu uma sensação de volta no tempo. A diferença: estávamos vinte e cinco anos mias velhos, agora acompanhados de nossas mulheres, todas muito jovens e elegantes, como pedia a importância da data festiva.


         Vários mestres foram trazidos de várias partes do Brasil para a comemoração: Irmão Domingos - o "Bororó", Irmão Moisés - o "Batatinha", Irmão Borges - o  "Bule", Irmão Ruperto - o "Moita" ou, "Ascomiceto", Irmão Delfim Elias - o "Pi" , Irmão Claro  -antigo Irmão Reitor e o Irmão Demétrio - "Vasco!!!". 


         Na ocasião foram feitos vários vídeos que gostaria de compartilhar com nosso leitores.


         Aí vão eles:


         http://www.youtube.com/watch?v=5dJsfTXDc7I

  
         http://www.youtube.com/watch?v=F99I-psWszQ

         http://www.youtube.com/watch?v=RKA8HM-loCc


         http://www.youtube.com/watch?v=NeJ0WajljbE


         http://www.youtube.com/watch?v=scpef0NYBxs


         http://www.youtube.com/watch?v=Gam_4fbVNTg


         http://www.youtube.com/watch?v=Wc2o7c-iHro


         Um detalhe: isso tudo aconteceu há trinta anos atrás.


         MUITA SAUDADE!!!


         ZK


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

CHEIROS DA VIDA – 72 – PLEBISCITO DE 1963 – PARLAMENTARISMO X PRESIDENCIALISMO

           
           Parecia ser um tormento. Imaginem: ser mesário numa Sessão Eleitoral a instalar-se dentro da Favela do Esqueleto, considerada das mais perigosas no Rio de Janeiro naquele início de década de sessenta. Positivamente não conseguia absorver a ideia.

         Tornar-se-ia, no entanto, uma experiência para jamais esquecer.
                                    
         Até então a única favela que conhecia era a do Morro do Salgueiro onde ultimamente minha mãe frequentava em busca da casa da Dina, nascida Alexandrina de Souza, nossa empregada com mais de vinte anos de casa.

         Portadora de uma recente diabetes, Dina, vez por outra faltava ao trabalho. Impossível comunicar-se naquela época.

         Mais outro dia de falta deixava mamãe preocupada. Daí vinha a convocação:

        - Vamos lá no morro ver o que está acontecendo com Dina.

         - Mãe, ela está medicada. Amanhã ela deve estar de volta.

         - Se você não puder ir subo o morro sem você.

         - Vamos lá mãe. Só que tem que ser um pé lá, outro cá. Caso contrário lá se vão minhas aulas.

         - Não vamos demorar! Lá íamos nós.

         Dina morava na parte mais alta, exatamente onde ficavam os barracos mais humildes. Diferentemente de hoje quando as favelas são constituídas de casas de alvenaria, naqueles dias eram barracos formados de tábuas de madeira superpostas e, telhas de zinco.

         No verão eram verdadeiras saunas.

         Morar assim era coisa muito sofrida e, cortava de cheio nosso coração ver tal espetáculo e o conformismo daquela gente.

         Em compensação ouvíamos palavras gentis ao cruzar aquelas vielas e, não raramente, nos ofereciam um copo d’água para refrescar a caminhada.

         Nada parecido com o que se vê hoje.

         Nada de violência.

         Apenas, em algum ou outro larguinho,  viam-se homens em volta de um caixote grande sentados em caixotes menores a jogar um carteado. Algumas garrafas de cerveja pelo chão denotavam que a folia já se prolongava.

        Usavam chapéu e os tiravam quando minha mãe os saudava. Alguns não tinham cara boa e bem poderiam ser ou, um “malandro” respeitado ou, um “batedor de carteiras” em repouso merecido após algumas horas de labuta. Nada mais justo...

       Na verdade iria conhecer uma nova favela, diferente do nosso Salgueiro, pois estava edificada numa área plana bem ao lado do Estádio do Maracanã.

       Todo meu preconceito dissipou-se logo nos primeiros passos após adentrar o Esqueleto. Muito sossego, quebrado aqui e acolá pelo alarido de crianças descalças e descamisadas a brincar com uma bola de meia ou, a jogar bolas de gude bem desgastadas pelo uso. 

        Apenas algumas poças d’água exalavam um cheiro nada agradável e, os mosquitos atrevidos não me davam boa acolhida.

        Logo alguém me informou onde ficava a Sessão Eleitoral, uma escola precária e, mal conservada, erguida bem ao meio da favela.

        Os demais mesários já haviam chegado e se conheciam de eleições anteriores. Receberam-me com elevada fidalguia.
    
        A Favela do Esqueleto tinha fama de violenta. Pelo menos, naquele dia, não foi isso que vi. A grande maioria dos moradores que se apresentavam ao Plebiscito demostrava um orgulho de estar participando de uma decisão de projeção nacional.

        Num certo momento, um senhor amulatado de cabeça quase branca, antes de colocar-se na posição correta na pequena fila que se formava, pediu licença a todos, dirigiu-se ao presidente da mesa e aos demais mesários, cumprimento-os com respeito. 

       O detalhe: trajava um terno bem surrado já com cerzidos em várias partes, calçava um sapato bem andado de duas cores tudo impecavelmente limpo, perfumado, “nos trinques” como se dizia então.

       Dirigiu-se a todos os presentes e disse com voz trêmula de emoção: “Hoje sou um cidadão igual a qualquer outro brasileiro e, tenho em minhas mãos o poder igual ao Presidente da República. Vou cumprir com gosto meu dever. Obrigado!”.

       Espontaneamente todos o aplaudiram. Ato contínuo voltou ao seu lugar na fila de espera.

       Vários moradores em solidariedade e reconhecimento pelo serviço que estávamos prestando vinham com refrescos e, até alguns salgadinhos para minorar nosso desgaste. Estas cortesias jamais conheceram os mesários na minha Sessão original na Tijuca, no bem instalado Colégio Baptista.

       Mais tarde outro fato insólito. Outro senhor, este bem mais velho que o primeiro, dirigiu-se à cabine com a cédula única para marcar “presidencialismo” ou “parlamentarismo” e, por detrás da cortina permaneceu.

        Todos ficaram apreensivos com o que poderia ter acontecido. O presidente fez menção de chamá-lo, porém o fiscal do Partido Trabalhista Brasileiro o impediu alegando poder ser caracterizado um ato de coerção sobre o eleitor.

        Passados mais alguns minutos de impasse o presidente reuniu os mesários e fiscais de todos os partidos e, então ficou decidido que o presidente poderia alertar ao eleitor oculto dentro da cabine.

       - Senhor Fulano de Tal tudo bem?

       - Tudo!

       - Alguma dificuldade?

       - Nada senhor. Apenas estou aguardando o senhor me chamar.

        - Senhor Fulano de Tal!

        - Pronto Senhor!

        - Pode sair e depositar o voto na urna.

        - Imediatamente Senhor Presidente. Muito Grato!

        Já era noite quando todos nós mesários, acompanhados de dois guardas da Polícia-Militar, nossos anjos-da-guarda durante todo o pleito entregamos a ata com a urna, mediante recibo,  na Seção Apuradora no Estádio do Maracanã.

        Depois um chopinho final num bar na Rua São Francisco Xavier, as despedidas e a volta para casa cansado e, com a gostosa sensação do dever cumprido.

        O resultado confirmou o que todos esperavam: a volta do regime presidencialista. 

        Após esses acontecimentos, a política foi entrando em crises e mais crises,  caminhando a passos largos para o desfecho de 31 de março de 1964.

        O Plebiscito foi realizado em 06 de janeiro de 1963 para quase 18 milhões de eleitores. Compareceram aproximadamente 12 milhões com o resultado: presidencialismo – 9.547.448 e parlamentarismo – 2.073.082 votos.

        Para encerrar, segue foto da cédula única usada na ocasião assinada por todos meus novos amigos, mesários componentes da Sessão Eleitoral instalada na "Favela do Esqueleto"





           Trecho do meu livro "Cheiros Vida" escrito em 2003 em Arraial do Cabo.



E X T R A - CONCORDO COM O FREI DEMETRIUS

Ação do Ministério Público Federal que pede a retirada de símbolos religiosos nos locais públicos federais de São Paulo.
Sobre a decisão de retirarem a Cruz dos lugares públicos.
Que resposta bem dada de um padre consciente!
Sou Padre católico e concordo plenamente  com o Ministério Público de São Paulo,  por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.

Frade Demetrius dos Santos Silva  -  
São Paulo/SP



 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" - 71 - "MIDNIGHT LACE"

O ano de 2003 começou péssimo!

Prevejo vários dissabores para nosso país. Sinceramente, torço com veemência para estar enganado. Preciso estar enganado... 


Lula presidente! Inacreditável! 


Para onde estaremos indo? O bom senso me aconselha deixar o tempo correr para uma análise mais completa e, se possível, isenta. 


Difícil! Acompanho Lula desde o final dos anos setenta. A partir dessa época nunca me enganou; será que agora surpreenderá derrubando todo o conceito negativo que formei dele? 


Se for para o bem do Brasil serei o primeiro a dar as mãos à palmatória... 


No entanto, pergunto, será que estamos preparados para o que vem? Será que há pouco e pouco  não iremos percorrer os mesmos caminhos que nos levaram a 1964? 


Não desejo isso para essa nova geração de brasileiros. Devo me conter; só o tempo poderá dizer. 


Melhor, voltemos à nossa história. 


Transcorria o ano de 1963. 


Tão envolvido estava no atingimento de minhas metas que pouco tempo sobrava para acompanhar as notícias do dia-a-dia. 


O dia começava cedo com as “famosas” aulas às sete horas da manhã no Colégio Werneck. Quando chegava à Faculdade, pouco depois das oito, ai sim, tomava o café da manhã na cantina da Faculdade, no consagrado “Charle’s Bar!” e, finalmente poderia conversar rapidamente quanto às notícias do mundo, do país, e da minha cidade. 


Recordando bem o ano de 1963 foi rico em acontecimentos, senão vejamos: 


- Logo em seis de janeiro realiza-se o plebiscito para escolha do regime de governo do Brasil. Mais uma vez fui convocado para ser mesário e, como estava em Petrópolis não me apresentei no prazo previsto. Fui designado para trabalhar numa seção eleitoral que funcionaria na Favela do Esqueleto, exatamente uma das favelas que seriam posteriormente removidas, mais precisamente em 1965.


Uma população de 12 mil pessoas ocupava cerca de 4 mil casas, na sua maioria construídas com o material abandonado que se destinava a erigir o Hospital das Clínicas da então Universidade do Brasil. Este prédio semi-construído tornou-se, mais tarde, o Pavilhão João Lyra Filho fazendo parte integrante do Campus da Universidade do Rio de Janeiro que ocupa a totalidade da área que abrigava até então a favela. 


A maioria de seus favelados foram relocados na Vila Kennedy em Bangu. Na vila Kennedy está localizado o Teatro Mario Lago e a Escola de Samba Unidos da Vila Kennedy. 


Os recursos para construção desse verdadeiro bairro veio primordialmente do Programa Aliança para o Progresso criado pelo então Presidente Kennedy dos Estados Unidos. O nome inicialmente sugerido para o local seria Vila Progresso, mas com a morte do Presidente no final daquele ano, como forma de homenagem, recebeu o nome atual. 


Foram ainda encaminhados para aquela localidade moradores oriundos da Favela do Pasmado, em Botafogo e, da Praia do Pinto na Lagoa. 


- Outros acontecimentos que marcariam aquele ano, alguns de vasta repercussão e sobre o os quais ainda nos reportaremos neste livro: 


- Nelson Rodrigues cria o personagem “Sobrenatural de Almeida”; 


- Governo proíbe que empresas francesas pesquem lagosta no litoral do Brasil; 


- O Kremlin aceita a implantação de uma linha telefônica direta com a Casa Branca; 


- Pela primeira vez um ator negro consegue ganhar o “Oscar” de melhor ator principal. Trata-se de Sidney Poitier por sua atuação no filme “Uma voz nas sombras”; 


- O Brasil torna-se Bicampeão Mundial de Basquete Masculino vencendo, na final, a União Soviética por 90 x 79; 


- Morre de câncer o Papa João XXIII; 


- Giovanni Montini é o novo papa e adota o nome de Papa Paulo VI; 


- Pastor Martin Luther King lidera uma marcha de duzentos mil negros pelos direitos civis em Washington;


- O Santos Futebol Clube vence o Milan por 1 x 0 e, torna-se bicampeão mundial interclubes;


 - O Presidente Kennedy autoriza venda emergencial e humanitária de trigo á União Soviética; 


- O Presidente Kennedy de 46 anos é assassinado em Dallas no Texas. O vice-presidente, Lyndon Johnson, assume o governo a bordo do avião que transladava o corpo de Kennedy para Washington. 


Quantos acontecimentos importantes. 


Pouco tempo podia dedicar aos detalhes e à análise das consequências de cada um deles para nossas vidas. 


Não esquecer que estava relatando um dia rotineiro de minha passagem por Petrópolis entre os anos de 1962 e 1965. A coisa só acalmava depois da meia-noite quando chegava à casa, esgotado e não raras vezes me jogava na cama com a mesma roupa que passara o dia. Havia, no entanto,  um fato inusitado que ocorria todas as noites. 


Fosse qual fosse a hora que chegasse, acariciava meus ouvidos pelo ar, provavelmente vindo de um apartamento próximo ao meu, o som de uma música marcante. Era chegar em casa e nem cinco minutos passados lá vinha a trilha sonora de minhas madrugadas. Uma, duas... Sei lá quantas vezes. 


 Sem muita dificuldade identifiquei ser o tema da trilha sonora do filme a “A teia de renda negra” estrelado por Doris Day e Rex Harrison, um “thriller” que fez razoável sucesso naquele início dos anos sessenta. 


Pensava comigo mesmo: “isso é coisa de mulher apaixonada”. Levantava a cabeça, apreciava um pouco a minha fantasia e, logo me entregava ao sono profundo. Amanhã cedo começa tudo de novo. 


Em tempo: com o auxílio da “Internet” consegui, agora, recuperar esses sons do passado. Trata-se de “Midnight Lace”; a seguir o endereçamento do site. 


 Ouçam e talvez vocês justifiquem as minhas suspeitas: 


http://www.youtube.com/watch?v=C-Y80AaYQe0



Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2003

sábado, 19 de outubro de 2013

VOLTANDO AO BLOG - E X T R A - CORRUPÇÃO, MENTIRA, E COOPTAÇÃO PERVERSA NA DOMINAÇÃO DAS MASSAS

Parece que foi celebrado em todo o país com toda pompa e circunstância, um grande acordo, uma verdadeira conspiração foi consolidada e que não pode ficar confinada a poucos gabinetes e sim deve se irradiar em todos os poderes e todos os níveis da Federação.

Foi tacitamente aceito o primado da corrupção, do cinismo, da mentira, somados a todas as maléficas consequências de sua pratica unânime.

Do cafezinho aceito fora de hora ao jatinho de última geração para adejar a imensidão do céu cor de anil da pátria varonil e, das massas aquietadas por sabe-se lá quantas bolsas disso ou daquilo...

Vale a letra brega: “está tudo dominado!”...

Nosso ex-presidente (aquele que age com liberdade na república), conhecido também como “molusco”, personifica a figura de uma marionete que nas mãos de uma ”intelligentsia socialista” manipula os "gatunos" da política brasileira  com o objetivo único de implantar no Brasil algo que foi impossível no começo dos anos sessenta e que foi sufocado pelo contragolpe de 1964.

Isso explica esse estado ineficiente, predador, autoritário, e imoral.

A população esclarecida parece inerte, anestesiada enquanto um esquema maquiavélico consegue aliar dois autoritarismos extremados dominando corações e mentes.

Como numa aliança inverossímil Goebbels e Gramsci, apostos pela história, agem juntos na política nefanda e primária deste Brasil entorpecido...

Haverá tempo para uma reação?

 Quando a população que paga a conta irá abrir os olhos?
E as elites? Pensa continuar com a banca cheia eternamente?
Esse dilema pode perdurar por muito tempo da mesma maneira que pode ter um fim repentino com difícil definição de prognóstico.

Tudo isso tem me atingido profundamente nos últimos meses.
Esse governo que já havia me prejudicado seriamente prepara-se para o golpe final.
Sinto-me sem reação ante esse "assalto" a meu passado. 

Nas mãos de Deus entrego a solução desta problemática.

Decisão tomada!
Volto ao meu Blog pesquisando e reproduzindo o que escrevi faz tempo.
Depois retorno o caminho possivelmente com novo livro sempre com a mesma ótica: minha história, da minha cidade, do meu país e do mundo.

Acho que ainda tenho muito a passar para as novas gerações.
Mãos a obra...
A todos (antigos e novos leitores), peço licença e convido a me acompanhar..

Boa Noite / Recebam o meu abraço / Zé Karlos