Aquela
semana parecia não terminar.
Mesmo cansado quando chegava a casa passava longo tempo olhando a
documentação, o memorial descritivo, o contrato de compra e o principal: a
planta baixa do meu apartamento.
Rabiscava num papel-manteiga, onde havia copiado o original, os futuros
móveis, suas posições a ocupar em cada pedacinho daquele “palácio”. A cor das
paredes, das portas, ou seriam enceradas? Os tipos de luminárias, detalhe por detalhe. Assim pensava e assim
sonhava até o sono me derrubar.
Finalmente, sábado chegou. Ir à aula foi o mesmo que não, pois, a cabeça
rodava a mil imaginando a alegria da Tania e de todos quando mostrasse a prova
da minha primeira grande conquista.
À tarde
ainda teríamos aula de Tecnologia Mecânica com o querido mestre Miguel de Assis
Vieira. De repente, apareceu em sala o Lucio, secretário da Escola, avisando
que o Professor Miguel estava impossibilitado de subir a Petrópolis. Desejou um
bom fim de semana e se retirou.
Melhor notícia não podia existir.
Melhor notícia não podia existir.
Finalmente,
Rio de Janeiro e Tijuca...
Passei
pela padaria para dar um telefonema para Tania avisando que às sete
horas estaria lá.
- E as
novidades?
-
Espera! À noite conto tudo.
-
Estou aflita para saber.
- E eu
para contar. À noite. Um beijo, tchau!
Nem
contei nada em casa. Papai certamente apoiaria minha decisão, mas, mamãe, viria
com aquela tradicional ladainha com as não menos tradicionais qualificações: atirado,
louco, sem juízo. Também viriam as frases feitas, como: “... esse menino quer abraçar o mundo com as pernas”.
Melhor assim. Haveria tempo e modo para comunicar
meu investimento.
Pouco antes da hora combinada chequei à Morais e Silva, 19 e, por milagre, Tania já estava à minha
espera no portão.
Um
abraço apertado e um beijo guardado a dias me deixaram animados para todas as
novidades que tinha para contar.
Mal
cheguei à sala veio uma enxurrada de perguntas. Seu Mario e Dona Nice, Tité (Dona Célia, tia da Tania), Carlos
Alberto e Tania, naturalmente; pareciam uma verdadeira metralhadora giratória.
Evidentemente não me fiz de rogado e esclareci todos os detalhes.
Depois
os abraços, desejos de boa sorte e no meio do papo apareceu um delicioso mousse
de chocolate com biscoitos champanhe, especialidade da Tania e, para brindar,
uma própria champanhe foi aberta e ouviu-se o tradicional tilintar de
taças.
- Quer dizer que depois de casados vocês vão morar em Petrópolis? - indagou Dona Nice.
Caramba! A coisa está séria. Até em casamento já se está falando como fato consumado. Não perdi a linha e aproveitei a oportunidade.
- Não se preocupe Dona Nice. Caso o meu Curso continue prosperando, é por lá que devemos ficar. O apartamento tem dois quartos e um deles ficará reservado para hóspedes - respondi com naturalidade sem deixar transparecer minha emoção.
- Assim está bom pois não posso ficar muito tempo longe da minha filhinha querida.
- A Senhora e Seu Mario serão sempre bem-vindos.
- Assim, sim!
- Agora os fins de semana passaremos sempre aqui no Rio e a Senhora poderá desfrutar com calma da presença de sua filha.
- Claro! E quando vierem os filhos?
- Aí já terei um apartamento maior.
- Se Deus quiser! - encerrou minha futura sogra (acho que já podia trata-la assim)...
- Quer dizer que depois de casados vocês vão morar em Petrópolis? - indagou Dona Nice.
Caramba! A coisa está séria. Até em casamento já se está falando como fato consumado. Não perdi a linha e aproveitei a oportunidade.
- Não se preocupe Dona Nice. Caso o meu Curso continue prosperando, é por lá que devemos ficar. O apartamento tem dois quartos e um deles ficará reservado para hóspedes - respondi com naturalidade sem deixar transparecer minha emoção.
- Assim está bom pois não posso ficar muito tempo longe da minha filhinha querida.
- A Senhora e Seu Mario serão sempre bem-vindos.
- Assim, sim!
- Agora os fins de semana passaremos sempre aqui no Rio e a Senhora poderá desfrutar com calma da presença de sua filha.
- Claro! E quando vierem os filhos?
- Aí já terei um apartamento maior.
- Se Deus quiser! - encerrou minha futura sogra (acho que já podia trata-la assim)...
Valeu
a espera.
Estava
muito feliz e, noite alta, mais uma vez, não foi fácil pegar no sono, apesar do
infinito cansaço que a agitação da semana tinha me causado. Recordei todos os
acontecimentos que tinham ocorrido em minha vida desde a formatura no
Científico e, comparando com os dois últimos, achei que, agora, estava realmente
vencendo a batalha.
- Trecho do meu livro Cheiros da Vida escrito
em 2003 em Arraial do Cabo.
