Cheiros de Verão
por José Carlos Coelho Leal
domingo, 29 de janeiro de 2017
"CHEIROS DA VIDA" - 157 - UMA VEZ, UM SÍTIO EM SECRETÁRIO
No capítulo anterior me referi, de passagem, ao Sítio de Secretário, propriedade de meu irmão Guido.
Este sítio já deveria ter entrado em nossa história. Este sítio já foi meu. Na verdade meu, do Guido, do Luiz Cesar e do Papai.
Ufa! Agora sim. Restabelecida a verdade.
Mas como surgiu tudo isso?
Dr. Ruy da Costa Leite, já citado nessa história mais de uma vez, nosso vizinho da casa oito na vila, nosso médico por muitos anos, nosso amigo sempre tinha esse sítio e dizia dele maravilhas frequentando-o com fidelidade aos fins de semana, feriados ou sempre que aparecesse a oportunidade de saborear seus encantos.
Certo dia em conversa com papai e possivelmente meus irmãos, Ruy tratou de um assunto que redundou em uma proposta considerada irrecusável. Vamos chegar lá. Antes, uma historinha verdadeira.
Ruy tinha um vizinho e amigo, de nacionalidade norte-americana, que estava de volta urgente para os Estados Unidos possivelmente por motivos legais e, provavelmente, teria que optar pela venda de sua propriedade construída por ele mesmo com extremo bom gosto e qualidade. Não havia tempo hábil para essa operação. Em vista disso viajou de volta à sua terra sem uma decisão definitiva e solicitou ao Dr. Ruy o favor de tomar conta de seu sítio, moderno, espaçoso, boa piscina e um jardim de muito bom gosto. Além, evidentemente, da tradicional casa do caseiro, garagem e oficina, sem esquecer os tradicionais pomar e horta sempre abastecidos.
Premido pelos acontecimentos Dr. Ruy decidiu ocupar a residência do americano cuja saída do Brasil era definitiva e, teve a ideia de oferecer o seu sítio para nossa família usar em forma de aluguel e com características experimentais. Caso ele comprasse a propriedade do americano nos teríamos prioridade na compra. Foi o que aconteceu em relativamente pouco tempo. Concluída a negociação nos Estados Unidos, toda feita numa viagem do Dr. Ruy de apenas três dias de um fim de semana, seu comentário foi apenas achar imperdoável perder um fim de semana em Secretário.
Assim Papai, Guido, Luiz Cesar e eu nos tornamos de um hora para outra proprietários do Sítio em Secretário, Pedro do Rio, pertinho de Itaipava, previamente testado por alguns meses de aluguel camarada. Ambas as compras foram feitas de porteira praticamente fechada e nós ainda ficamos com o antigo caseiro do Dr. Ruy, o Hamilton que foi de uma valia inestimável pois conhecia tudo relativo ao funcionamento de nossa novo lar.
Mais um progresso para mim: recém casado já era proprietário de um sítio com muitos jardins, horta produtiva e diversificada, e um sem número de árvores frutíferas como laranjeiras, abacateiros, jabuticabeiras, caquizeiros, mangueiras, carambolas, figueiras, goiabeiras e pessegueiros e por ai vai. Aos fins de semana voltávamos com os carros abarrotados de frutas, legumes, hortaliças e verduras que davam para abastecer nossa casa e de muitos vizinhos amigos nossos.
Quando por algum motivo não subíamos, num fim de semana, era fatal a pergunta na segunda-feira numa viagem de elevador em nosso prédio: "não foram ao sítio ontem?".
Para nossa família o sítio foi um meio de nos sentir mais juntos, uma oportunidade dos sobrinhos crescerem saudáveis e partilhando de uma vida comum de família por todos os motivos muito saudável.
Dai por vinte e cinco anos teríamos muitas histórias para contar; até que a família cresceu e os sobrinhos começaram a casar e decidiu-se separar as propriedades. Era muita gente para pensar junto. Era bom que cada família tivesse sua privacidade para as decisões. Assim foi feito com calma e harmonia. Primeiro eu e, depois Luiz; vendemos cada um em uma oportunidade, nossa parte para o Guido. Luiz comprou um sítio bem pertinho, em Fagundes e eu, eterno convidado especial dos dois, comprei um "Apart-Hotel" na Barra da Tijuca. De 1992 até maio de 1999 o "Ocean-Drive", frontal ao marzão da Barra, foi o nosso endereço de lazer, quando decidimos partir para Arraial do Cabo com objetivo de aproveitar bem minha aposentadoria já então definitiva e completa. Dizia na época que passara à categoria de "malandro profissional". Fase boa de minha vida quando vivia metade lá, em Arraial e metade cá, na velha Tijuca de minha infância.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
"CHEIROS DA VIDA" - 156 - A PEQUENA HISTÓRIA DE UM VENTILADOR
Além dos sérios problemas econômicos e políticos que afetam nosso país, além da roubalheira institucionalizada nos últimos quatorze anos da esquerda no poder liderada pelo Partido dos Trabalhadores tendo à frente a figura nefasta de Lula, temos sofrido o calor de um verão que baterá, certamente, todos os recordes de temperaturas desde que são feitas aferições estatísticas de seus valores.
Não há como não lembrar dos verões de minha infância e juventude vividos na casa 2 da minha vila querida na Tijuca. Lembro bem: em casa tínhamos apenas um ventilador para espantar o calor. Não era grande, pelo contrário, bem pequeno, talvez vinte centímetros de diâmetro.
Bastava esse fabriqueiro de brisa suave para refrescar a família toda. E à noite com as portas dos quartos e janelas bem abertas, invadia sem-cerimônia o espaço adentro aquele nosso velho conhecido perfume gostoso da mata que nos cercava. As corujas e os outros pássaros da noite faziam um coro que só de lembrar traz uma saudade para apertar o coração. Sou obrigado a reconhecer: morávamos juntinho de um paraíso. E eu, santa ignorância, muitas vezes não trazia até aquela bem-aventurança, colegas de colégio com vergonha do aspecto modesto que tinha minha casa.
Detalhe importante. Este ventilador importado da Itália da marca Marelli, com pompas de eterno, ainda refresca o pessoal que sobe a Serra de Petrópolis em busca de tranquilidade, no sítio do irmão Guido lá em Secretário, em Pedro do Rio, pertinho de Itaipava.
Mais uma foto da minha casa.
Aos fundos a mata do outro lado do
Rio Trapicheiros.
Em primeiro plano as duas janelas
do quarto que partilhava com
meus irmãos Guido Nelson
e Luiz Cesar.
Foto de 2007
Esta casa existe até os dias de hoje.
domingo, 22 de janeiro de 2017
"CHEIROS DA VIDA" - 155 - VOU SER PAPAI!!!
Desde novembro de 1966 com a indicação para Chefe do Serviço Planejamento e Controle de Obras, minha vida vinha, a cada momento se transformando. Eu mesmo me surpreendia com a rapidez dos acontecimentos. Além do salário que tivera um grande incremento, eu, agora como chefe do 1 DT-S passava a ter direito ao uso privativo de um carro oficial - chapa branca - com motorista, os conhecidos "faixa-amarelas" do Estado da Guanabara. Tratava-se de um utilitário Vemag, uma Vemaguete novinha prefixo 2-680 da Sursan.
Pela manhã ia para faculdade de ônibus ou, em dias afortunados, de carona. Ao final das aulas, por volta do meio-dia, lá estava o 2-680 à minha espera. Tive sorte com o motorista pois, era comum as reclamações contra esses profissionais, normalmente funcionários em fim de carreira. O Manuel era um funcionário já com dois ou três anos de experiência e um pouco mais jovem do que eu. Ficava fácil o diálogo. Tratava-o com cordialidade e recebia de volta o mesmo tratamento. Sempre nos demos muito bem.
Quase todo dia dava carona para algum mestre que descia famosa ladeira da Fonseca Teles em busca de uma condução ou quem sabe de um táxi para tirá-lo de São Cristóvão. Fosse de que turma fosse fazia aquilo por gentileza e também, confesso, só para tirar uma onda.
Evidentemente meus amigos sem carro eram frequentes usuários. Me sentia o "Rei da Cocada Preta".
Vale aqui uma observação. A F.E.U.E.G - Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado da Guanabara - era uma escola pública. Pois bem: uma das principais reivindicações dos alunos era a ampliação do estacionamento tal a quantidade de alunos proprietários de carro que a frequentavam. Coisas do Brasil...
O importante: os meses finais do ano de 1966 foi muito alvissareiro para mim e merecedor de muitas comemorações. Estava muito contente comigo mesmo, tal o número de coisas boas que vinham acontecendo.
Quando recebi pela primeira vez o novo salário quase não acreditei. O dinheiro, coisa que não vinha acontecendo há muito tempo, dava para pagar todas as despesas programadas e ainda sobrava uma quantia nada desprezível. Evidentemente que Tania e eu comemoramos em grande estilo, numa festinha muito íntima; só nós dois, é claro.
Para mim não era novidade. Mas nessa noite não consegui dormir planejando o que deveria fazer para que esse dinheiro rendesse o máximo possível.
Estava feliz, principalmente porque tudo o que vinha acontecendo significava que estava
recuperando o padrão financeiro a que me acostumara em Petrópolis. Até que foi rápida esta etapa de minha vida.
No dia seguinte tomei algumas providências que havia planejado na noite insone. Já à noite depois do jantar, desliguei a televisão e disse.
- Minha digníssima senhora Tania, faça o favor de sentar-se aqui ao meu lado pois temos, pelo menos, dois assuntos muito sérios a tratar.
- Virgem Maria! Do que se trata? - disse Tania meio assustada.
- Calma! Os assuntos são importantes, sérios, mas sumamente agradáveis.
- Você adora me dar susto.
- Você é que se assusta a toa. Mas, vamos lá. Está vendo esse documento em forma de um carnê? Esta vendo o logotipo da Wolkswagen na capa?
- Você é louco! Não me diga que comprou um carro.
- Comprar ainda não comprei. Mas, comecei a comprar e já paguei a primeira cota.
- Que cota?
- Assinei um contrato com a União dos Revendedores Wolkswagen e já paguei a primeira cota. No fim do mês concorro ao primeiro sorteio. Vai que o sorteio me beneficie?
- Você vai ficar com um carro na garagem.
- Já está tudo combinado e o Pedro vai me dar algumas aulas e rapidinho tiro a carteira de motorista. Cumpri minha palavra: só tirarei carteira quando tiver meu carro. Chegou a hora. É isso que vai acontecer. Com o que estou ganhando tiro de letra esse Consórcio. É possível até que em poucos meses, se a sorte não me favorecer, compro o carro por lance e pronto: mais um sonho realizado.
- Você é doido mesmo. Mas é meu amor!
- Agora o assunto mais importante.
- Ai minha Nossa Senhora!!! O que vem pela frente...
- Um filho! Vem um filho!
- Como?
- Um filho! Com o que estou ganhando e, considerando que dentro de alguns meses estarei formado e ganhando como engenheiro, não há mais motivos para não ter um filho. Aliás filha! O que Deus nos der estará bom mas, vou conversar com Ele para me dar uma filha. Chega de homem nessa família.
- Mas...
- Não tem mas! Amanhã você vai marcar o Dr. Eurico Carneiro para saber direitinho como proceder para encerrar essa etapa de "pílula" que fez você emagrecer demais. Quero de volta a minha mulher que ganhei no dia nove de julho de mil novecentos e sessenta e cinco.
Dai para frente foi uma porção de beijos e carícias.
Resumo: mais uma noite sem dormir. E eu feliz da vida como não me sentia a bastante tempo.
Finalmente, em 1967 vou ser engenheiro e papai. Quem sabe? Ainda com um carro novinho zero quilômetro.
Em tempo: Dr. Eurico Carneiro era o médico ginecologista da Tania. Na verdade era amigo do meu sogro e trabalhava quando estudante de medicina na Farmácia Giffoni (rua Primeiro de Março, 17) para custear seus estudos. Outro detalhe ele, já médico, fez o parto de Dona Nice quando Tania veio ao mundo. Dr. Eurico e Lucia, sua mulher, foram os padrinhos de batismo da Tania. Acho linda esta história.
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
CHEIROS DA VIDA - 154 - OS SERVIÇOS RELEVANTES
O mais importante do plano de reordenamento de locação de funcionários foi aquele de adequar cada setor ao número ideal de profissionais, preparados tecnicamente para a missão a desenvolver, sem privilégios e procurando minimizar prejuízos para aqueles que seriam obrigados a tomar novo destino.
Alguns, de imediato, desfalcaram a minha nova equipe a ser formada, seguindo o seu até então chefe e a convite dele, convidado que fora para um novo cargo mais elevado dentro da hierarquia profissional, qual seja o de Assistente do Diretor do Departamento Financeiro da Sursan.
Assim restaram onze funcionários (minha tarefa ficara sensivelmente diminuída) e, após estudo minucioso, reduzi finalmente minha equipe para os sete colaboradores conforme meu planejamento inicial. Os não aproveitados na minha equipe tiveram o apoio de seus companheiros para serem aproveitados em outros órgãos ou, até facilitadas suas voltas às secretarias de origem. Haviam sim, professoras que estavam fugidas das salas de aula e tiveram que voltar à sua nobre missão. Estas talvez não tenham gostado muito. Problema delas...
Resumo da aplicação desta resolução administrativa, a princípio julgada por demais radical; melhor adequação de atividades e melhor padrão de produtividade para toda a Sursan, sem aumento de despesa e sem agressão a legislação vigente.
Poucos foram os desgastes pessoais ou queixas de perseguição ou assemelhados. Tiveram sim que lutar por melhor produção para alcançar o novo padrão de remuneração.
Na verdade toda essa operação foi feita com base legal com a aplicação na prática de uma gratificação regulamentada e em desuso o chamado "Serviço Relevante". Tudo dentro da lei e sem precisar de lutas de aprovação junto ao Legislativo e de acordo com a Junta de Controle (o verdadeiro Tribunal de Contas das Autarquias) presidido na época pelo operante Dr. João Lyra Filho.
Como os postulantes à gratificação de Serviço Relevante dependiam do número de competidores por tal remuneração, é claro acompanhado pelo seu próprio desempenho técnico e administrativo pessoal, surgiu no departamento o jocoso e debochado slogan "mate seu semelhante e aumente eu relevante", um chiste engraçado mas, convenhamos, de péssimo gosto.
Estava cumprida a minha primeira missão como Engenheiro Chefe do 1DT-S - Serviço de Planejamento e Controle de Obras do Departamento de Urbanização da Sursan (Superintendência de Urbanização e Saneamento da Secretaria de Obras do Estado da Guanabara).
domingo, 20 de novembro de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 153 - INOVANDO SEMPRE
Acho que o mundo está virado de cabeça para baixo. Passamos há pouco tempo por um rito eleitoral e foi uma lástima tudo que aconteceu. Candidatos despreparados, a mediocridade reinando nas apresentações e nos debates. Resultado: prefeitos de quinta categoria compromissados com terceiros, interessados unicamente em seus planos de enriquecimento pessoal, totalmente alheios aos problemas e soluções relativos aos assuntos municipais.
Idem, idem na maior nação do mundo. A eleição americana teve uma campanha digna da mais reles nação do terceiro mundo. Uma baixaria só.
O resultado não deixou nada a dever com a eleição de Donald Trump incorporação perfeita de um requintado cafajeste à margem da lei e da cidadania digna.
Contrariamente à realidade que vivemos hoje, cercada de aflições, expectativas agourentas e previsões de longo período de trevas, aquela época, em pleno terceiro ano do movimento de 1964, vivíamos um ambiente de segurança, progresso e tranquilidade (apesar que na atualidade a mídia quase toda dominada pela esquerda diz que vivíamos um circo dos horrores - os anos de chumbo). Na verdade aqueles envolvidos em lutas ideológicas para implantação de uma ditadura de extrema esquerda, estes, sentiam-se acuados e ameaçados. A maioria esmagadora de brasileiros viviam sua vidas uma liberdade sem limites.
Em novembro de 1966 recebi com orgulho o convite para assumir a chefia do serviço no qual trabalhava. Em 24 de novembro de 1966 minha portaria foi assinada pelo Governador Embaixador Francisco Negrão de Lima. Fui nomeado Chefe do Serviço de Planejamento e Controle da Divisão Técnica do Departamento de Urbanização da Sursan da Secretaria de Obras do Estado da Guanabara. Serviço este, ligado diretamente ao Gabinete do Diretor do Departamento.
Lacerda, apesar de ter feito um governo reconhecidamente profícuo, não conseguiu eleger seu sucessor. Assim o Embaixador Francisco Negrão de Lima foi eleito governador compondo uma chapa unindo seu partido PSD - Partido Social Democrático ao PTB - Partido Trabalhista Brasileiro representado pelo então eleito Vice-Governador Rubens Berardo jornalista e dono de uma empresa radiofônica, a Emissora Continental, eminentemente especializada em jornalismo e posteriormente ampliada com a fundação da TV-Continental de vida curta.
O resultado das eleições de 1965 foi.
1º Negrão de Lima, PSD com 582.026 votos; 2º Flexa Ribeiro, UDN com 442.363 votos; 3º Amaral Neto, PL com 40.403 votos; 4º Aurélio Viana, PSB com 25.841 votos; 5º Helio Damasceno, PTN com 14.140 votos.
Negrão de Lima foi eleito com 52,68% do votos válidos.
Foi neste governo (no qual não votei) que passei a ocupar pela primeira vez uma chefia na minha longa carreira na Prefeitura. Na verdade meu nome foi referendado pelo Engenheiro Raymundo de Paula Soares, então, o novo Secretário de Obras que tomara posse cheio de novas idéias e disposto a fazer uma administração que marcasse época. Por tudo isso imaginem com que euforia e gana eu assumia meu novo cargo.
Compondo seu plano de administração Paula Soares expedira logo ao início de sua atuação uma política agressiva de pessoal, fixando como teto máximo de gasto com salários para o total dos funcionários de cada setor administrativo, descendo até o nível de Serviço, o que passava a ser o valor global de cada setor, aquele praticado em outubro de 1966.
Assim esse valor de cada setor poderia ser atingido pelo número total de funcionários respectivos. O objetivo real por trás dessa política seria a redução de número de funcionários considerados demasiados para o bom desempenho da máquina administrativa.
A responsabilidade da montagem de cada equipe de cada setor caberia ao chefe. Minha primeira missão: eu chefiava (sim, era eu) um Serviço que tinha quatorze funcionários ao custo total de X Cruzeiros.
Eu poderia permanecer com esses 14 auxiliares ganhando o mesmo salário ou, remunerar melhor aqueles qualificados com boa produtividade, reduzindo o número total de profissionais.
Assim fiz: como conhecia de sobejo todos os que trabalhavam no 1 DT-S, essa era a sigla do Serviço de Planejamento, fiz uma análise nome a nome da atuação e desempenho de cada auxiliar. Reduzi de quatorze para sete o número total de funcionários, devolvendo, inclusive aos órgãos de origem funcionários que estavam equivocadamente lotados no meu Serviço, como por exemplo da Secretaria de Educação que lá estavam, possivelmente por compadrio, com baixo desempenho, apenas para fugir das salas de aulas.
De saída comprei algumas antipatias mas, pude remunerar bem melhor aqueles que iriam me ajudar numa nova fase que sabia iria ser implementada pela administração de Paula Soares.
Assim foi feito e tive meu primeiro sucesso. No final do ano seguinte, meu 1DT-S foi eleito o Serviço mais eficiente do Departamento de Urbanização recebendo medalha de ouro na festa de fim de ano realizada no Canecão, presente toda a comunidade da Prefeitura.
Fiquei feliz e orgulhoso daquele feito, afinal fora um ano difícil tendo em vista, inclusive, as chuvas de verão que quase destruíram a cidade. Foram dias de muito risco e trabalho. Toda a minha equipe cumpriu com especial zelo e responsabilidade, exemplarmente, as árduas missões a ela impostas, sendo, o que era novidade no serviço público, o que aconteceu.
Ao final de cada mês eram remunerados com justiça em função do grau desempenho pessoal dentro do grupo.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
CHEIROS DA VIDA - 152 - IMPOSSÍVEL FICAR INSENSÍVEL
Já cumpri uma caminhada de setenta e sete anos. Talvez mais longa que jamais imaginara e, ao olhar com cuidado minha estampa no espelho vejo meu rosto marcado pelo tempo decorrido mas, talvez, ainda com um brilho de quem ainda não perdeu a capacidade de sonhar, apesar dos tropeços, que foram vários e, cada vez mais sérios, ao longo desta jornada preparada por meus pais, acompanhada de meus entes queridos e aquecida pela quantidade de amigos que consegui granjear ao longo do percurso.
Devo ser grato a Deus: fui um cara feliz.
Chegou o momento de repetir a frase sobre a qual tenho meditado longamente. Frase madurada e realista: "ninguém chega impunemente aos 77 anos"...
Além da doença que teima em fazer um périplo pelo meu organismo disseminando por onde circula células de má fama, dor, desconforto bem como limitando as ações habituais de um ser hígido e gerando tratamentos prolongados e sofridos; tudo isso a custa de um cansaço exagerado e, trazendo momentos de intensa solidão acrescidos pela tomada cotidiana do conhecimento de novas informações pela mídia perversa que não deixa um segundo de trazer problemas para a cabeça de cada cidadão consciente.
São cada vez mais graves as notícias e perto de nós afligem problemas políticos-sociais-econômicos que em tempo algum acometeram esse pais em semelhante grau - fruto de uma torpe tomada do poder engendrada com a finalidade de sorver até o último recurso da nação, pouco importando o destino de milhões de brasileiros, fazendo hibernar num limbo cruel 13 milhões de desempregados e mais de 60 milhões de cidadãos inadimplentes.
Os amigos alertam: - está na hora de pensar só em você.
E os meus filhos, meus netos, todos que me cercam e me fazem tomar conhecimento de seus dramas. Sou um cidadão brasileiro, e como tal devo ser em qualquer hipótese solidário com eles; assim fui educado, assim minha fé me deu convicções e devo assumi-las até o fim...
Impossível ficar insensível...
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
"CHEIROS DA VIDA" - 151 - REPLETA DE ALEGRIA NOVAMENTE
No capítulo anterior me referi:"...a doença que parece estar procurando outros caminhos para atacar...".
Aconteceu. Foram descobertos nódulos nos meus dois pulmões, certamente coisa recente, metástase do câncer que ocasionou a retirada radical de minha próstata e bexiga.
Mais uma batalha que já estou enfrentando - quimioterapia com sessões sempre as terças-feiras - com todas as naturais consequências. Mais um vez vale minha frase do momento "Ninguém chega aos setenta e sete anos impunemente". Este é o preço a pagar. Vou pagar moeda por moeda e, ao final, ainda vou querer troco. Isso vou...
Não vou querer parar a minha história na melhor fase: estava revivendo o início da vida de casado, os primeiros sucessos profissionais, os filhos que foram vindo devagarinho, um monte de conquistas saboreadas com bastante deleite, as novas amizades muitas delas para sempre e os normais tropeços que a vida corrente nos apresenta.
Os domingos eram, quase sempre, passados integralmente na casa de meus sogros Nice e Mário. Juntos meus cunhados Elisepte e Carlos Alberto, Verinha e Luiz Mário e os de casa Tia Célia (Tité) e Paulo meu cunhado mais velho e ainda, até então, solteiro. Quase sempre também presentes os agregados familiares Vera (madrinha de Crisma da Tania), Bilulú e Didi, todas já senhoras sendo que as duas últimas, conhecidas por seus apelidos, tinham o mesmo nome Maria Adelaide.
Para Nice, Célia e Mário não deixava de ser uma festa ter os três filhos de volta ao lar pelo menos por um fim de semana já que Carlos Alberto em fevereiro, Luiz Mário em abril e Tania em julho deixaram, num intervalo de cinco meses a casa vazia. 1965 foi um ano de casamentos naquela família Curty Giffoni.
Elisepte ficou grávida logo e, em dois de dezembro de 1965, nascia meu sobrinho Luiz Paulo começando a reencher a casa com os netos que viriam em sequência. Com o decorrer dos anos foram dez os que iriam brincar nos jardins daquela casa acolhedora, contando com os dois decorrentes do casamento de Heloisa e Paulo Cezar em 1969. Muita festa e contentamento nos esperava logo, logo...
Depois do Luiz Paulo (Iba) vieram: Tóia, Paulo Mário (Mazzo), Claudia, Luiz Henrique (Ique), Alexandre (Xande). Bruno, Alexandra (Xanda), Ricardo (Rico) e Bernardo (Bê).
Nos domingos o aconchego da Rua Morais e Silva, 19, casa de Nice e Mário, ficava repleto de alegria novamente.
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