por José Carlos Coelho Leal

domingo, 29 de janeiro de 2017

"CHEIROS DA VIDA" - 157 - UMA VEZ, UM SÍTIO EM SECRETÁRIO




           No capítulo anterior me referi, de passagem, ao Sítio de Secretário, propriedade de meu irmão Guido.

          Este sítio já deveria ter entrado em nossa história. Este sítio já foi meu. Na verdade meu, do Guido, do Luiz Cesar e do Papai. 

         Ufa! Agora sim. Restabelecida a verdade.

         Mas como surgiu tudo isso?

         Dr. Ruy da Costa Leite, já citado nessa história mais de uma vez, nosso vizinho da casa oito na vila, nosso médico por muitos anos, nosso amigo sempre tinha esse sítio e dizia dele maravilhas frequentando-o com fidelidade aos fins de semana, feriados ou sempre que aparecesse a oportunidade de saborear seus encantos.

          Certo dia em conversa com papai e possivelmente meus irmãos, Ruy tratou de um assunto que redundou em uma proposta considerada irrecusável. Vamos chegar lá. Antes, uma historinha verdadeira.

          Ruy tinha um vizinho e amigo, de nacionalidade norte-americana, que estava de volta urgente para os Estados Unidos possivelmente por motivos legais e, provavelmente, teria que optar pela venda de sua propriedade construída por ele mesmo com extremo bom gosto e qualidade. Não havia tempo hábil para essa operação. Em vista disso viajou de volta à sua terra sem uma decisão definitiva e solicitou ao Dr. Ruy o favor de tomar conta de seu sítio, moderno, espaçoso, boa piscina e um jardim de muito bom gosto. Além, evidentemente, da tradicional casa do caseiro, garagem e oficina, sem esquecer os tradicionais pomar e horta sempre abastecidos.
          Premido pelos acontecimentos Dr. Ruy decidiu ocupar a residência do americano cuja saída do Brasil era definitiva e, teve a ideia de oferecer o seu sítio para nossa família usar em forma de aluguel e com características experimentais. Caso ele comprasse a propriedade do americano nos teríamos prioridade na compra. Foi o que aconteceu em relativamente pouco tempo. Concluída a negociação nos Estados Unidos, toda feita numa viagem do Dr. Ruy de apenas três dias de um fim de semana, seu comentário foi apenas achar imperdoável perder um fim de semana em Secretário. 
         Assim Papai, Guido, Luiz Cesar e eu nos tornamos de um hora para outra proprietários do Sítio em Secretário,  Pedro do Rio, pertinho de Itaipava, previamente testado por alguns meses de aluguel camarada. Ambas as compras foram feitas de porteira praticamente fechada e nós ainda ficamos com o antigo caseiro do Dr. Ruy, o Hamilton que foi de uma valia inestimável pois conhecia tudo relativo ao funcionamento de nossa novo lar.

          Mais um progresso para mim: recém casado já era proprietário de um sítio com muitos jardins, horta  produtiva e diversificada, e um sem número de árvores frutíferas  como laranjeiras, abacateiros, jabuticabeiras, caquizeiros, mangueiras, carambolas, figueiras, goiabeiras e pessegueiros e por ai vai. Aos fins de semana voltávamos com os carros abarrotados de frutas, legumes,   hortaliças e verduras que davam para abastecer nossa casa e de muitos vizinhos amigos nossos. 

          Quando por algum motivo não subíamos, num fim de semana, era fatal a pergunta na segunda-feira numa viagem de elevador em nosso prédio: "não foram ao sítio ontem?".

          Para nossa família o sítio foi um meio de nos sentir mais juntos, uma oportunidade dos sobrinhos crescerem saudáveis e partilhando de uma vida comum de família por todos os motivos muito saudável.

          Dai por vinte e cinco anos teríamos  muitas histórias para contar; até que a família cresceu e os sobrinhos começaram a casar e decidiu-se separar as propriedades. Era muita gente para pensar junto. Era bom que cada família tivesse sua privacidade para as decisões. Assim foi feito com calma e harmonia. Primeiro eu e, depois  Luiz; vendemos cada um em uma oportunidade, nossa parte para o Guido. Luiz comprou um sítio bem pertinho, em Fagundes e eu, eterno convidado especial dos dois, comprei um "Apart-Hotel" na Barra da Tijuca. De 1992 até maio de 1999 o "Ocean-Drive", frontal ao marzão da Barra, foi o nosso endereço de lazer, quando decidimos partir para Arraial do Cabo com objetivo de  aproveitar bem minha aposentadoria já então definitiva e completa. Dizia na época que passara à categoria de "malandro profissional". Fase boa de minha vida quando vivia metade lá, em Arraial e metade cá, na velha Tijuca de minha infância.

Um comentário:

  1. Lembro de algumas histórias deste sítio contadas há alguns anos pelo Guido e por você.

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