"CHEIROS DA VIDA" - 141 - "AS PREVISÕES DE MACHADO"
Num período de quinze anos (1960-1975) a cidade do Rio de Janeiro foi transformada em Estado da Guanabara, como decorrência da transferência da Capital Federal para o Planalto Central - Brasília - cumprindo-se o que estava escrito na primeira Constituição Republicana do Brasil editada em 1891.
Conta-se que 1896, o escritor Machado de Assis entrara no debate quanto à mudança da Capital defendendo-a: "A conclusão é que o Rio de Janeiro, desde o princípio, achou que não devia ser a Capital da União e esse voto pesa muito(...). Não levarão daqui a nossa vasta baía, as nossas grandezas naturais e industriais, a nossa Rua do Ouvidor(...) a Lagoa Rodrigo de Freitas, a enseada de Botafogo, se até lá não estiver aterrada(...).Tudo pode acontecer. Um dia, quem sabe? Lançaremos uma ponte entre esta cidade e Niterói, uma ponte política, entenda-se, nada impedindo que também se faça uma ponte de ferro. A ponte política ligará os dois Estados, pois que somos todos fluminenses, e esta cidade passará de Capital de si mesma a Capital de um grande Estado único, a que se dará o nome de Guanabara.".
Sessenta e quatro anos depois surgia o verdadeiro Estado da Guanabara, a cidade-estado e, paralelamente surgia a grande discussão: seria melhor, a emancipação da cidade formando um novo estado, como aconteceu de imediato, ou a fusão com o Estado do Rio de Janeiro?
O poeta Vinícius de Moraes, por exemplo, dizia-se contra a fusão afirmando que "um carioca que se preza jamais vai abdicar de sua cidadania. Ninguém é carioca em vão. Um carioca é um carioca.".
Enfim, no dia 21 de abril de 1960, o Estado da Guanabara, antigo Distrito Federal, surgiu no cenário nacional, com uma área de 1.171 km², uma população de 3.307.163 habitantes, sendo que 3.223.408 localizados na zona urbana e, apenas 83.755 habitantes na zona rural.
Esse novo Estado receberia do Governo Federal uma verba de três milhões de cruzeiros que foram de imediato aplicados em algumas obras fundamentais como a chamada avenida Perimetral, o Túnel Catumbi-Laranjeiras e a continuação do aterrado do Flamengo com a implantação de suas pistas, obras iniciadas pelo governador "provisório" o Embaixador José Sette Câmara (1920-2002).
Após esses primeiros passos o povo carioca pela primeira vez seria dono de seu nariz escolhendo nas urnas, pelo voto direto, seu Governador e os deputados estaduais que iriam elaborar a Constituição do mais novo Estado da Federação, sendo eleito o Sr. Carlos Frederico Werneck de Lacerda como Governado e Rafael de Almeida Magalhães, Vice- Governador.
Era para esse novo Estado que eu e, meus colegas trabalhávamos e teríamos que, num grande esforço, apresentar proposta do "Orçamento-Programa do Departamento de Urbanização da Sursan" até o final daquele mês com a consequente aprovação das autoridades superiores.
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