por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

EXTRA - LI NA INTERNET - A CATRACA VAZIA


A catraca vazia ou A origem de todos os males do Brasil


Relato // Prof. Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG. Venceu o Prêmio Casa de las Américas (Cuba) na categoria Melhor Romance, em 1994. Atualmente é coordenador pedagógico do Ensino Médio no Centro Educacional Sesc Cidadania.


Domingo. 

Saguão de uma conhecida escola particular de Goiânia. Havia levado minha filha de dez anos para participar de um torneio interescolar de xadrez. A instrução que havia recebido era clara: início das partidas às 10 horas. Nada complicado, ou esotérico ou impossível, apenas um breve comando: início das partidas às 10 horas.

Cheguei às 9h45. Às 10h05, minha filha estava sentada diante de uma cadeira vazia… A sua oponente chegou, esbaforida, quase 20 minutos depois. Ao lado dela, o pai, munido das tradicionais desculpas: distância, trânsito.  Trânsito? No domingo de manhã? Não havia trânsito.

Depois de que a menina se sentou diante da minha filha, como se nada houvesse, muitas outras crianças ainda chegaram, acompanhadas por seus pais e suas mesmas desculpas. Todos entravam no auditório cujas portas fechadas traziam um enorme cartaz onde se lia Não entre. Para evitar me aborrecer mais ainda com a balbúrdia, fui me sentar longe das portas. 

Por todo o saguão, crianças pequenas começavam a correr de um lado para outro, gritando (e atrapalhando os enxadristas, mas e daí?) sob o olhar indiferente de seus pais, e contrariando um claro aviso na parede: Não corra, evite acidentes. Enfim, saímos, minha filha e eu, só para encontrar nosso carro fechado por uma pick-up que havia estacionado na esquina, sobre a calçada.

No almoço, num grande shopping, famílias corriam para segurar uma mesa (pouco importando o aviso que indicava ser preferencial), disfarçando com seus celulares enquanto pessoas com o prato na mão (algumas idosas) vagavam buscando um lugar para comer. Pedi um sanduíche sem cebola, mas elas estavam lá, pois o atendente não leu o pedido. No cinema, tive de pedir para a jovem na minha frente parar de teclar, pois a luz não me deixava ver o filme. 

Acabei a noite de volta a meu apartamento, subindo com um cachorro me cheirando no elevador social – expressamente proibido -, e pedindo silêncio ao meu vizinho de cima que se imagina cantor sertanejo e estava dando um show intimista à meia noite.

Enquanto rolava na cama, tentando ignorar o violão desafinado, tive uma visão. Sim, tudo estava claro agora, tão claro quanto o celular da moça no cinema. Estava aí, o tempo todo, na nossa frente, no nosso dia a dia, a origem de todos os males do Brasil. A nossa própria essência como nação, nossa alma verdadeira,  aquela que “olha dentro para fora”, como diria Machado de Assis. Como podia ser tão simples,  afinal, e passar tão despercebido? 

A verdade simples e crua é que o brasileiro não é capaz de cumprir regras! Só isso.

Incapacidade crônica de cumprir regras. Por isso somos o país com o maior número de leis no mundo – e, como não as cumprimos, nossos legisladores criam novas leis que por sua vez não serão cumpridas, o que vai gerar outras leis, num ciclo infinito… Posso falar por horas sobre este tema : sou professor e há 25 anos e já ouvi (é verdade que nunca tanto quanto agora) tantas desculpas esfarrapadas de alunos e também de pais para burlar as mais simples regras do cotidiano escolar. 

Assim como a menina de dez anos no torneio de xadrez, que aprendeu na prática com o seu pai que as regras não existem na verdade aqui, e que qualquer problema se resolve miraculosamente com uma mentira qualquer – foi o trânsito…

Fui mal na prova porque não estudei – jamais!  A culpa é do professor que me persegue, do bullying que sofro dos meus colegas,  da escola que não me entende, da educação que é repressora, da sociedade, do destino, de Deus! Ora, meus irmãos, ponhamos as nossas mãos cheias de culpa nas nossas consciências brasileiras tão enferrujadas e admitamos: somos nós que não sabemos seguir regras simples e que transformamos esse país tão lindo em um purgatório perpétuo.

O problema da violência no trânsito é que não cumprimos as regras do trânsito.  Simples assim. Corrupção no governo?  Normas que são burladas,  tanto por quem contrata quanto por quem é contratado, diga-se de passagem. Há milhares de leis, mas não para mim. Eu ignoro, eu dou desculpas, eu passo por cima. Pode nomear o problema, meu caro leitor, e eu lhe darei a mesma causa: incapacidade crônica de cumprir regras. Duvida? A crise hídrica que vai acabar nos matando de sede vem de onde? De leis que são ignoradas – até as do bom senso, como a dona de casa que gasta centenas de metros cúbicos de agua para deixar sua calçada brilhando (ah, sim, o lixo ela empurra discretamente para o vizinho). Mas a calçada estava tão suja! Mas foi só uma vez! 

Mas, afinal, todo mundo faz isso, não é mesmo?

Esse processo perigoso e contagioso só vem se agravando… E vai levar este país, inexoravelmente, para o caos, de onde não nos ergueremos jamais, como a alma de Poe presa à sombra do corvo, no seu poema famoso. A menos que algum milagre se opere nas mentes de nossos conterrâneos, e aquele pai, antes de sacar do bolso alguma desculpa pronta para “proteger” seu filho de alguma coisa que ele deveria ter feito e que não fez, antes disso, perceba que está oferecendo à sociedade brasileira mais um cidadão irresponsável, incapaz de assumir seus erros, que não vai nunca se adaptar a um emprego (sim, em que há regras! ), e que, se por nossa infelicidade, for aprovado num concurso público qualquer não vai se especializar em desviar as verbas públicas para seu próprio cofre.

Estamos morrendo nas ruas, nos carros, morrendo de fome, de raiva e de sede (sábio Caetano) simplesmente porque não ensinamos nossos filhos a cumprir as leis que regem a vida em sociedade. E lamento constatar que não estamos nem perto de começar a fazê-lo agora…

Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia entre muitas catracas comuns uma de passagem livre. Questionei a vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto, e ela me explicou que era destinada às pessoas que por qualquer motivo não tivessem dinheiro para a passagem. Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): e se a pessoa tiver dinheiro mas simplesmente quiser burlar a lei?

Aqueles olhos suecos e azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora – Mas por que ela faria isso?, me perguntou. Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e atrás de mim uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e envergonhada.

O grande diferencial é que a honestidade está enraizada na cultura dos escandinavos, assim como na de muitos outros povos europeus.
Na cabeça da atendente sueca, deixar de pagar a passagem tendo dinheiro no bolso é algo tão descabido, que ela realmente não compreendeu a preocupação do estrangeiro:
"- Mas por que alguém faria isto?" 

Na verdade, a ideia de que alguém poderia faze-lo, simplesmente por ser um filho da puta, é inconcebível no seu arquivo de conceitos! 

Ela nasceu e foi criada lá, e seus valores do que é certo ou errado são muito distintos dos nossos.

Como ela poderia compreender, por exemplo, que no Brasil, um deputado (nababescamente pago para defender os direitos dos cidadãos) quando é pego roubando dinheiro do estado, se  sua pena for cumprir "prisão albergue" por alguns anos, ele passará a dormir na cadeia, mas continuará na função pública durante o dia, e ainda ganhando o gordo salário!
Para mudar este quadro social deprimente no qual vivemos seriam necessárias décadas de boa educação a todas as classes sociais. 

Mas se há algo que nossos governantes não querem, é tornar maioria da população (que enche as urnas),mais educada, culta, e politizada.
Uma população de ignorantes, é mais facilmente manipulável!

Daí a razão da vergonhosa "aprovação automática" em nossas escolas, verdadeiras fábricas de analfabetos funcionais!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"CHEIROS DA VIDA" - 146 - O PRIMEIRO DEGRAU



         É evidente que entregamos a "Proposta para o Orçamento-Programa de DURB para o Ano de 1966" no tempo aprazado. 
         
         Alguns detalhes de pouca monta foram assinalados pela direção do Departamento para modificação. Toda a equipe recebeu um elogio de nosso Diretor o Engenheiro Marcos Tito Tamoyo da Silva (futuramente viria a ser nosso Prefeito, da já então Cidade do Rio de Janeiro).

         O que mais me impressionou ao desenvolver essa Proposta foi descobrir quantos lugares e recantos de minha cidade me eram desconhecidos. Ao tomar conhecimento, sobretudo das obras, da programação prevista para a 5ªDO-S,  relativas ao sistema de drenagem e saneamento básico da cidade, reconheci o quanto deveria ser feito para a transformação desta vasta área numa metrópole agradável e segura.

        Para se ter uma ideia dos rios que deveriam receber obras em 1966, de retificação, dragagem, atualização de sua calhas segue uma pequena listagem para simples conhecimento dos meus estimados leitores: Rio Jacaré (Engenho Novo), Canal do Cunha, e Rio Dom Carlos que chegam a atravessar a Avenida Brasil, Rio Faria (Pavuna), Rio dos Cachorros (até a Rodovia Presidente Dutra), Rio Tingui (Marechal Hermes), Rio Acari (Avenida Automóvel Clube), Rio Papa-Couve (Catumbi), Rio Ramos, Rio Joana, Rio Maracanã, Rio Irajá, Rio das Pedras (Irajá, Madureira), Rio Calogi (Coelho Neto, Pavuna), Rio Piraquara (Realengo), Rio Sanatório (Rocha Miranda).

         Estes rios tinham obras específicas. No programa também estavam incluídos o rios e canais que formam a rede hidrográfica da Cidade do Rio de Janeiro e que deveriam receber recursos alocados em cinco "pacotes" com serviços de dragagem, limpeza, pequenas obras de contenção de suas margens e demais serviços complementares.

         As obras que formavam o cartão de visitas do Departamento eram: conclusão das obras do Parque de Flamengo, principalmente da área entre o Monumento aos Mortos da Segunda Gerra até o Aeroporto Santos Dumont, inclusive com a construção do Trevo dos Estudantes com suas pistas de acesso e seus dois viadutos, além da passarela ligando o Aeroporto ao Castelo.

         Obras complementares no Túnel Santa Bárbara, construção do Túnel Rebouças, Avenida Radial Oeste, Trevo das Forças Armadas com seus quatro viadutos: Marinheiros, Fuzileiros, Aviadores e Pracinhas.

        Também fazia parte deste elenco de obras o projeto e construção do Viaduto Santiago Dantas, fazendo a ligação da Praia de Botafogo, Praça Chain Weizman  à Rua Pinheiro Machado. Esse projeto todo desenvolvido no DURB com a participação de seus arquitetos urbanistas e engenheiros calculistas mereceu o grande prêmio do IAB para aquele ano, por sua leveza de linhas arquitetônicas, curvatura suave e complexidade do cálculo estrutural (esse viaduto foi inaugurado no governo seguinte pelo Governador Negrão de Lima, sendo, então, Secretário de Obras, o Engenheiro Raymundo de Paula Soares já homenageado por mim nestas páginas). 

          Nessa época ainda não havia sido fundado o Instituto de Geotécnica (hoje Geo-Rio) e em consequência todas as obras de estabilização de encostas estavam sob a responsabilidade de nosso departamento. Era um volume considerável de obras com a seguinte localização: Rua Tabantinguera, Rua Conselheiro Macedo Soares, Corte de Cantagalo, Rua Senador Simonsen, Rua Benjamim Batista, Rua Joaquim Porto, Rua Ministro Armando Alencar, Rua Almirante Guilhobel, Rua General Marianti, entre outras.

        Ao entregar o trabalho pronto sentia-me muito contente, percebendo que acabara de subir o primeiro degrau de minha carreira de engenheiro no Estado da Guanabara de feliz memória, pelo menos, para mim. No final daquele ano já conhecia todos os diretores e companheiros da Sursan e isso foi muito bom para o que viria a seguir.

         Sinto muita saudade desse tempo...
         
          Em tempo - anexei em seguida um link postado pela SEAERJ - Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro, que focaliza uma matéria sobre o Parque do Flamengo  -  Aterro Brigadeiro Eduardo Gomes e Parque Carlos Lacerda.
          Para meu orgulho aparece minha foto e nome na equipe da Sursan. 
          Bons tempos de juventude e os primeiros momentos de um homem casado...Maravilha!!!

         Basta clicar em : PARQUE DO FLAMENGO conforme figuração a seguir e aparecerá o link.

                     PARQUE DO FLAMENGO

          

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

"CHEIROS DA VIDA" - 145 - "INÍCIO DE UMA CARREIRA"




          Acabei entrando por uns atalhos e fui longe; além da conta. Vamos voltar à nossa história recordando aonde estávamos.

          Vamos lá: terminara o mês de julho de 1965 e com ele o tempo das férias para gozo de nossa lua de mel, Tania e eu. No domingo 1º de agosto eu fazia 26 anos e recebia, pela vez primeira, minha família na minha casa. Com a "boca cheia" dizia que estava abrindo os salões para receber convidados ilustres.

         Dia 2, segunda-feira, começaria a rotina de acordar às seis horas da manhã, faculdade e trabalho.
        Ao chegar ao escritório sou surpreendido com o almoço comemorativo pela minha volta à Sursan e, logo após, sou convocado para uma nova tarefa importante a desenvolver: coordenar a execução da Proposta para o "Orçamento-Programa do DURB para o ano de 1966".

         Certo? Então podemos seguir...

         Mergulhei  de cabeça, devorei os volumes de instruções me detendo principalmente no histórico que nos dava uma visão bem clara do produto a ser elaborado.

         Tenho a mania de guardar as agendas de cada ano. Faltam algumas. Pena. Elas são como testemunhas da vida que passou. Nelas estão assinaladas as datas importantes de nossa vida, os acontecimentos, agradáveis ou não, as receitas e as despesas, e por ai vai...

         A agenda de 1965 tem um lugar especial, pois identifica fatos que aconteceram numa das melhores fases de minha vida.

         Nas páginas relativas ao mês de agosto daquele ano, estão registradas várias notas referindo-se  a ocupação  que tomaria todo o tempo de uma equipe. Felizmente, tinha conseguido em poucos meses de convívio desenvolver um ambiente muito bom e participativo (naquela época essa palavra ainda não estava em moda, porém tínhamos alcançado sua significação prática).

         Eis o meu time: Álvaro Castro Pereira, Desidério Dorneles, Luiz Eduardo Ferreira Tinoco, Luiz Roberto Cardoso Queiroz, Nilton Bello,  Oby Monteiro da Silva, Ricardo Romero Estellita Pessoa. Alguns desses amigos já nos deixaram para sempre despertando no fundo de nossa alma um sentimento de saudade doída.

         Essa relação está lá na minha agenda assim como os princípios básicos que norteariam o desenvolvimento de nossos estudos.

         Em resumo:
         - Agenda - definição dos problemas a serem tratados pela ação governamental;
         - Estudo de alternativas para atender o item anterior;
         - Formulação da opção política a ser adotada;
         - Implementação - condições administrativas, jurídicas, técnicas e financeiras para consecução da opção política escolhida pelas autoridades superiores;
         - Ações de planejamento;
         - Controle do andamento das etapas planejadas:
         - Avaliação dos resultados obtidos segundo critérios previamente fixados.

          Todo esse cabedal de informações, dados e decisões deveriam ser colhidos nas fontes, tendo como órgão de referência, orientação e consulta a Secretaria de Governo através a sua Coordenação de Planos e Orçamentos dirigida com maestria e vigor pelo Dr. Rego Monteiro.

          Com a apresentação e o aval da direção do DURB, eu era recebido na Coordenação como engenheiro fosse. Isso me deixava tranquilo para desenvolver minha missão por mais complicada que aparentasse.

          Também nas visitas que fazia às Divisões de Obras da 1ª à 6ª tal fato se repetia. Sentido-me a vontade ia seguindo meu caminho com um desembaraço que até a mim próprio espantava.

          Na retaguarda do 1 DT-S, os formulários, tabelas e gráficos iam sendo preenchidos pela equipe com justificativas, quantitativos e valores obtidos na visitas que fazíamos aos diversos pontos da cidade. Toda aquela massa de informações deveria ser submetida às autoridades superiores, elas responsáveis finais pelas decisões executivas do plano.

          O que me impressiona é que aquela massa de números, valores eram manuseados apenas com obsoletas máquinas de somar. Nada de computador. Quadros gigantes com quantitativos e valores eram apresentados datilografados em "stencils" e depois rodados em mimeógrafos. Tudo manual. Informática: zero.
          
          Em pouco tempo já estava dominando todas aquelas siglas, codificações, ações e demais informações que deviam fazer parte de nossa proposta.

          Alguns códigos ainda me lembro, apesar de não constar de minha agenda. Assim seguem alguns significados daquela miscelânea de números alinhados:

           4.23.08 = Sursan;
           1. = Despesas de custeio (chamada Categoria 1;
           2. = Despesas de capital (investimento - chamada Categoria 2);
           2.1.1 = Obra pública;
           2.1.1.8.3. = Obra pública do setor drenagem e saneamento básico;
           2.1.1.9.1. = Obra pública do setor viário.
           2.1.1.9.5. = Obra pública do setor parques e jardins.

          Cada numeral destes códigos de despesas tem um significado específico como: órgão, departamento, programa, sub-programa, projeto, sub-projeto, atividade, etc., etc...

          Para simplificar; por exemplo, o significado da dotação - 4.23.08.9.5.2.1.1.17.04 -
obra da Sursan do Programa Parques e Jardins, pavimentação em pedra portuguesa, continuação de obra já iniciada...

           Rapidamente dominei todo aquele linguajar. Não podia imaginar como seria importante, tal conhecimento, para o seguimento vertiginoso que tomou minha carreira dentro do Serviço Público após esse fato.

         Na verdade, mais uma dívida que absorveria com o meu irmão Guido. Afinal foi ele quem me abriu esse caminho.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

"CHEIROS DA VIDA" - 144 - "RESSONÂNCIA SHUMANN"

               Não é coisa minha. Todos comentam. Como o tempo passa cada vez mais rápido!!!

          Os  chegados às ciências procuram explicações técnicas para isso. Alguns anos passados andei estudando algo sobre a "Ressonância Shumann" que tenta explicar tal  fenômeno - a rapidez cada vez maior da passagem  do tempo, ou sua sensação...


          Não só as pessoas idosas sentem isso. Também, frequentemente, os jovens manifestam a mesma sensibilidade. Será fruto da rapidez da informação, influência do mundo virtual, decorrência da globalização exacerbada, a camada de ozônio?...


          Ontem foi Natal. Estamos em plenos festejos do Carnaval e, daqui a pouco será tempo de Páscoa; logo, novamente, chegará o Natal.


          Baseados na "Ressonância Shumann" os estudiosos procuram uma explicação palatável para esse fenômeno partindo da descoberta, feita  em 1952 pelo físico alemão Winfried Otto Shumann, que afirma que toda a Terra é circundada por um poderoso campo eletromagnético formado entre o solo e a parte inferior da Ionosfera. São cerca de 100 quilômetros acima de nossas  cabeças.


          Evidente que não me aprofundei nessa matéria pois, meus conhecimentos modernos de física e matemática estacionaram já faz tempo.


          O importante é que a ressonância deste campo é, aproximadamente, da ordem de 7,85 pulsações por segundo, tendo um funcionamento semelhante a um marca-passo que mantém o equilíbrio para todas as formas de vida na biosfera. Verificou-se então que nossos cérebros são dotados da mesma frequência 7,85 Hz/seg.


          Ao longo dos séculos as "batidas do coração" da Terra respeitaram essa frequência e a vida foi sempre mantida por um seguro equilíbrio ecológico. Após, principalmente os anos oitenta e, mais fortemente no decorrer dos anos noventa, essa frequência passou para casa dos 11 e 13 Hertz por segundo. O "coração da terra" foi acometido de uma severa taquicardia.


          Em decorrência deste fato os pesquisadores observaram que os desiquilíbrios ecológicos, destacadamente estes, marcaram sua presença: maior atividade dos vulcões, pertubações do clima, além de conflitos e tensões que se desenvolveram com rapidez desusada em várias partes do globo, com aumento das agressividades entre pessoas, grupos e até mesmo, nações.


          Devido a essa aceleração geral a duração das vinte e quatro horas reais de um dia passaram a acontecer no tempo relativo de até 16 horas. Sendo isso verdade e, comprovado estes fatos pelos cientistas, esta percepção de que tudo está passando mais rápido não será mera ilusão ou comoção mas um fato real motivado pelo desvio de valores das "Ressonâncias Shumann".


          Segundo os pesquisadores envolvidos com o estudo dessa matéria, os animais não são influenciados pela "Ressonância Shumann" pois suas ondas cerebrais estão acima daquelas dos seres humanos em várias dezenas de ciclos por segundo. 


          Ainda baseados nestas análises de dados verificou-se que para o ano de 2006 aconteceram poucos dias com duração real de vinte e quatro horas e, apenas nos meses de março, setembro e outubro. 

          Um detalhe importante: de outubro para frente, em 2006, a maior parte dos dias não chegou a atingir 12 horas. Nos demais meses suas durações variaram no intervalo de 12 e 18 horas.


          Uma tentativa de explicação para tal fenômeno baseia-se na investigação de como transcorre a iteração entre o ser humano e a natureza.


          Conclusão provisória: em virtude dos maus tratos que o ser humano tem impingido à natureza foi ele, ser humano, o agente principal que ocasionou essas mudanças. Aqueles otimistas acreditam que mudando a mentalidade predatória e por demais ambiciosa da humanidade, tal quadro, talvez, possa sofrer reversão. 


          Seria isso possível com o egocentrismo cada vez mais preponderando nas relações humanas?


          Esta digressão foi motivada em função da consulta feita por mim há dias quanto a tudo que enfoquei nos dois livros "Cheiro de Verão" e "Cheiros da Vida" para, com mais segurança seguir minha jornada.



          Comecei a escrever tudo isso em 1997, portanto no século passado. Quase vinte anos! Nem de longe imaginava que tanto tempo havia transcorrido. Como passaram rápido os últimos anos...


          Como escrevi pouco ao longo desse tempo. 


         Tanto tenho ainda a contar. Haverá tempo?


         "Ressonância Shumann"?


         Misticismo, ciência, sonho, verdade, terror, charlatanismo, ficção, impostura?... 


         O tempo explicará tudo isto.


         Tempo? Quê tempo?!!!...

         

          

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

EXTRA - ACIDENTE EM 1955



          Quando estava por volta dos dezesseis anos estudava na "Cultura Inglesa", com um detalhe, fazia o curso na matriz, no centro da cidade.
          A Cultura Inglesa ocupava vários andares do Edifício Montepio, hoje um prédio ocupado por instalações da Petrobrás.
          O meu meio de locomoção era o ônibus da linha 103 - Pça. Saenz Pena - Leblon - via centro da cidade e, via Rua Mariz e Barros (ônibus da Viação Relâmpago, moderno e apelidado pelo povo de "gostosão"). 
          Ao cruzar a Av. São Francisco Xavier, com sinal aberto para ele, colidiu com outro veículo que avançou o sinal da São Francisco Xavier. Como resultado da colisão o motorista ficou sem  ação preso com a perna no acelerador. Só conseguiu escolher uma árvore para jogar o veículo contra esse obstáculo e para-lo. Neste choque caiu sobre o ônibus a rede elétrica que ricocheteava sobre o teto fazendo um barulho continuo semelhante ao de mini-explosões. Este ponto de paragem foi apenas em frente ao hospital Gafreé-Guinle.
          Muita gente se machucou, eu felizmente não; consegui proteger a minha cabeça com o cruzamento dos braços à sua frente e, cai duas poltronas adiante porém sem ferimentos.
          De imediato o tumulto e os passageiros gritando para o motorista liberar a porta de emergência.
          Apesar de bastante ferido ele alertou que era muito perigoso liberar os passageiros que estavam protegidos dentro ônibus. Tudo em volta, na rua estaria energizado pela quantidade de fios caídos que repicavam sem parar no asfalto, podendo ser fatal para cada passageiro que abandonasse o veículo.
          Só liberaria os passageiros quando chegasse o socorro dos bombeiros e da Ligth.
          Revolta dos passageiros. 
          Hoje, verifico que o motorista estava muito consciente de sua função e com razão e responsabilidade manteve a calma e lucidez apesar dos ferimentos. Assim foi feito e todo mundo saiu com segurança.
          Outro dia zapeando pela internet tomei conhecimento desse video que imagino seja proveitoso para muitos leitores.