por José Carlos Coelho Leal
domingo, 22 de março de 2015
"OS CHEIROS DA VIDA" - 123 - AH!!! O CARRO!!!
Desde dezembro do ano que passou já perdi a conta do número de vezes que sentei à frente de meu computador com a finalidade de continuar a escrever minha história.
Não são poucos os temas que vêm a minha cabeça, alguns até meio elaborados com requintes de texto pronto. Tudo isso acontece principalmente ao longo de um sem-número de horas que perco no ônibus do meu condomínio nas viagens diárias, ida e volta nos deslocamentos da Barra da Tijuca para o escritório da SERPEN no Centro do Rio (*). No entanto, uma força estranha trava meus dedos e mistura meus pensamentos com coisas do passado e do presente.
Nesse vai e vem, acontece: desvio minha atenção, agasalho um estranho cansaço, fastio, tédio e, quando volto à realidade me surpreendo, jogando "paciência" ou fazendo alguma "pesquisa".
Nos dias mais afortunados a volta à vida é mais saudável, e me descubro, sem saber como e quando comecei a ouvir músicas e ver vídeos apresentando orquestras, bandas, cantores e cantoras de várias gerações, canções e concertos, eruditos ou popular, de todos estilos, harmonias e ritmos que só fazem aumentar no meu peito uma nostalgia muitas vezes gratificante, outras amargas; quase sempre saudosas dos tempos e das pessoas queridas que passaram pela minha vida, dos encontros e desencontros. dos sucessos e dos fracassos, das honrarias e das iniquidades...
Esses devaneios frequentemente não refletem as necessidades do momento, cada vez com maior escassez de porvir, para escrever o que gostaria de deixar para meus filhos, netos, parentes e amigos. Há ainda muito a esquadrinhar na minha memória e, mais uma vez como dizia Bobbio "a imagem da vida corresponde a uma estrada cujo fim sempre se desloca para frente, e quando acreditamos tê-lo atingido, não era aquele que imagináramos como definitivo".
Certamente, o tempo restante que a vida me oferece será exíguo para o tanto a depor, tenho, no entanto, a missão assumida comigo mesmo de empurrar, a cada dia, cada hora e segundo, a curva final, a derradeira manobra e o último pisar no freio.
Como tudo isso está a cada momento mais difícil?
Noto que a "estrada" se torna a cada novo lanço mais pedregosa, as curvas desnudam traições, e o carro...
Ah!!! o carro!!!...
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(*) - Devo essas cansativas, monótonas e despropositadas viagens a, principalmente, três cidadãos (se é assim que minha generosidade os possa classificar): césar (mala) maia, luiz (molusco) ignácio e a Helen Gracie (a educação que Dona Tininha me passou não me permite a falta de cavalheirismo de escrever o nome de uma mulher precedendo-o com letra minúscula) .
Isso é assunto revoltante, imoral e desumano que não estou preparado, no momento, para descrever. O certo é que fui devastado financeiramente, depois de uma longa e dedicada vida profissional; em consequência de um ato insano e ilegal, destes três irresponsáveis que se fizeram de ignorantes de um ato de reconhecimento, em última e definitiva instância promulgado pelo Supremo Tribunal Federal. Tal ato me deu ganho de causa em 1999, por unanimidade.
Esse caso atingiu, ainda, mais alguns velhos e queridos amigos, profissionais de primeira linha.
Em decorrência tive que esquecer minha merecida e valiosa aposentadoria. Consequentemente voltar a lutar dia-a-dia para recompor, sem conseguir, minhas finanças.
Um dia contarei essa história revoltante. Se tiver força e vida ainda, é evidente...
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