por José Carlos Coelho Leal

sábado, 12 de julho de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 111 - ERA A VIDA QUE SEGUIA...





             Uma parte da rotina de minha nova vida no Rio de Janeiro estava bem definida envolvida por uma sensação de retomada da rota correta. Rapidamente me adaptei ao ritmo, ao ambiente, às tarefas a desenvolver na Sursan, principalmente, agradecendo a Deus a possibilidade de participar das rápidas transformações urbanísticas que eram implantadas em nossa Cidade-Estado da Guanabara.

          Os colegas de trabalho haviam desenvolvido, ao longo dos anos precedentes, um ambiente de trabalho sadio, tendo sido muito fácil minha inserção em seu meio. Rapidamente já os tratava como "velhos amigos". Acho que não teria melhor forma de começar minha vida profissional no Serviço Público.


          Havia, no entanto, outras empreitadas simultâneas para ocupar minha preocupações: a complementação de minha conturbada vida universitária prejudicada por vários anos perdidos e, as providências para montagem do meu apartamento na Usina da Tijuca juntamente com os preparativos para meu casamento já definitivamente marcado para julho daquele ano.


          As aulas na FEUEG - Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado da Guanabara começavam exatamente às 7,00 horas da manhã, fato este confirmado, agora, enquanto escrevo essas linhas, após ligação telefônica para meu amigo desde aqueles tempos, Engenheiro Moacyr Carvalho Filho, nosso digno Representante de Turma, cargo vitalício que ocupa com maestria e dignidade até os dias de hoje.


          Naqueles anos de Faculdade, Moacyr usava toda sua habilidade pessoal e diplomacia para nos bem representar, dialogando com nossos mestres para convencê-los a atender nossas decisões e interesses,  adiando provas, transformando "trabalhos práticos" ou "estágios" em notas mensais, ou ainda, conseguindo outras benesses para os colegas, como uma revisão de nota, sempre para mais é claro. 


          Inesquecível sua atuação. Esse é o nosso "Moacyr" o mais mais jovem da turma e organizador perpétuo de nossos almoços e encontros periódicos que mantém acessa a chama de amizades eternas. 


          Voltarei a falar dele em um dos próximos capítulos.


         O importante é que, como na Sursan, a ambientação com mestres e colegas foi muito fácil. As únicas diferenças percebidas foram os tempos de viagem até à Rua Fonseca Teles, 121. Por volta das seis da manhã, todos os dias, pegava um ônibus da linha  "634 - Saenz Peña - Freguesia (Ilha do Governador)" que fazia um verdadeiro "tour" pela cidade até chegar a São Cristóvão. Faltava ainda subir a ladeira do "Fonsecão", assim chamado o prédio da Faculdade, para se chegar às salas de aula. Muita diferença de Petrópolis quando uma caminhada de cinco minutos nos levava para a Escola.


         A outra diferença era que daquele ambiente aconchegante e quase privativo de nossos campus petropolitano, passamos a frequentar uma escola com muito maior número de alunos e de instalações mais amplas, onde se perdia um pouco do encanto de nossa privacidade onde todos conviviam e até moravam juntos em "repúblicas". 


          Era a vida que seguia...


          Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo  ao longo do ano de 2005,

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