por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"CHEIROS DA VIDA" - 109 - UMA GRANDE DIFERENÇA...





          Verdadeiramente a negociação para a venda do curso foi rápida. Mais simples ainda foi a minha transferência para a Faculdade de Engenharia da UEG - Universidade do Estado da Guanabara, atual UERJ - Universidade do Estado do Rio Janeiro.

           Comigo vieram muitos colegas: Luiz Edmundo, Fernando Vaz, Roberto Morais. Luiz Eduardo Tinoco, Jean Michel Pinelli, Antonio Bali, Fernando Tostes, Alcebíades Gomes (o Bill), sem contar  outros que se transferiram para a PUC do  Rio ou Fluminense.


          Com essa transferência perderia mais um ano de minha vida universitária pois. troquei o quarto ano de Engenharia Mecânica pelo terceiro ano de Engenharia Civil. Sabia decisão pois, já em abril estava trabalhando na Sursan - Superintendência de Urbanização e Saneamento da Secretaria de Obras do Estado da Guanabara-. 


          Nesta época o Governador do "saudoso" Estado da Guanabara era o ex-deputado da UDN - União Democrática Nacional - Carlos Frederico Werneck de Lacerda e, o Diretor do DURB, departamento onde já-e-já estaria lotado, o Engenheiro Marcos Tito Tamoyo da Silva, futuro Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.


          A história, resumidamente, foi a seguinte: Guido me avisara de que havia uma vaga para desenhista no Departamento de Urbanização onde ele, engenheiro efetivo, trabalhava como assessor do Diretor.


         Fiz uma prova e, logo fui encaminhado ao exame médico. O "bendito" oftalmologista  me reprovou baseado num astigmatismo que me impedia de ser desenhista. Isso, segundo ele. 


         Fiquei muito chateado. Aprendi, no entanto, que existem coisas aparentemente ruins que no futuro se transformam em verdadeiros tesouros.


         Fui finalmente contratado como auxiliar-técnico, ganhando quase a metade do salário de um desenhista. Ganharia o que hoje equivaleria a um salário de "estagiário de engenharia" com possibilidades de, concluído o curso, ser contratado como Engenheiro-Celetista (critério preferencial na administração pública na época).


         Aqueles que persistem, com paciência, em me acompanhar nessa viagem através deste Blog, vão verificar o que de bom, Deus estava me preparando. Uma carreira digna, profícua e longa, dedicada a esta minha "Cidade Maravilhosa". Foram décadas seguidas servindo minha terra natal. Sinto-me profundamente orgulhoso do que fiz por essa cidade que tão bem me acolheu naquele 1º de agosto de 1939 - dia do meu nascimento. Foram tempos de imensa satisfação em trabalhar, aprender com mestres inolvidáveis e fazer um sem-número de amizades profundas que permanecem até hoje e, para todo sempre.


          Ao desenvolver minha missão senti que pelas mãos de Deus fui encaminhado para o lugar certo. Minha vida profissional foi muito feliz.


         Me conformei com o salário mais baixo e tratei de recomeçar minha vida como professor para completar uma renda que me permitisse realizar o que havíamos planejado, Tania e eu: planejávamos casar ao longo das férias de julho daquele ano de 1965.

    
         Minha vida continuava numa correria igual à de Petrópolis: faculdade pela manhã, Sursan à tarde e, ministrar aulas quase todas as noites.

         Paulatinamente recomeçava a conquistar novos alunos particulares bem como voltava a formar pequenos grupos - assim era melhor. No fundo o que me fazia falta eram as aulas nos colégios e principalmente no meu CEPES. No sistema curricular praticado em Petrópolis podia desenvolver um programa planejado, sempre procurando modernizar, facilitar e tornar mais atraentes as aulas de matemática, desenho e, eventualmente física, principalmente as disciplinas de  Calorimetria e Ótica-Geométrica.


         Havia no entanto uma grande diferença a meu favor: estava de volta ao conforto de minha casa na Tijuca, perto de minha de minha família e de minha noiva querida. Realmente, uma grande diferença...


          Efetivamente, Tania e eu, casamos numa sexta-feira, dia 9 de julho de 1965, às dezoito horas, na Igreja de São Pedro, à Avenida Paulo de Frontin nº 566, durante Missa Nupcial de Ação de Graças  celebrada especialmente pelo Frei Gabriel Lanna, grande amigo da Família Curty Giffoni.


Havia uma grande diferença, estava de volta ao Rio e perto de minha noiva. Linda, linda, linda...



           Trecho do meu livro "Cheiros da Vida" escrito na cidade de Arraial do Cabo ao longo do ano de 2005.

         



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