A partir deste capítulo os meus fieis leitores irão ler muitas coisas relativas à SURSAN . Meu ingresso no Serviço Público se deu em 19 de maio de 1965, lotado que fui no Departamento de Urbanização da SURSAN e, indicado para trabalhar como Auxiliar-Técnico no Serviço de Planejamento da Divisão Técnica - Rua Marechal Câmara, 186 - 6º andar - Castelo - Centro - Edifício das Bandeirantes do Brasil.
Era o início de uma carreira que só iria se encerrar em 12 de janeiro de 1992 como Engenheiro - Classe Especial lotado no Gabinete do Secretário Municipal de Obras e Serviços Públicos.
A SURSAN foi fundada ao longo da administração do então Prefeito do Distrito Federal, Embaixador Francisco Negrão de Lima, juntamente com a criação do Fundo Especial de Obras Públicas tendo sido definido seu Plano de Realizações através a Mensagem 53 de 1957.
Esse plano previa, entre outras, a realização das seguintes intervenções para modernização da cidade: ligação de Copacabana com a região do Porto planejando e executando as obras de implantação do Túnel Catumbi-Laranjeiras (atual Túnel Santa Bárbara), construção das avenidas Beira-Mar, Avenida Norte-Sul, Avenida Perimetral e parte das avenidas Presidente Vargas, Radial-Sul, e ainda uma série de túneis, viadutos, duplicações de vias, planos de capeamento e recapeamento asfáltico de vias e um série vultosa de obras complementares que irão aparecendo com o desenvolver dos capítulos seguintes.
Faziam ainda parte do Plano várias intervenções visando a melhoria do saneamento e do esgotamento pluvial de toda a área da então Capital da República e mais tarde, do Estado da Guanabara, destacando-se, ainda, as obras prioritárias para melhoria do sistema de abastecimento de água potável à cidade, culminando com a implantação da nova Adutora do Guandu.
Estas obras, referidas no parágrafo anterior, no entanto, eram de responsabilidade de outros departamentos da SURSAN como o D.R.C - Departamento de Rios e Canais, D.E.S. - Departamento do Saneamento e D.A.A. Departamento de Águas - estes dois hoje compondo a CEDAE.
Em decorrência das chuvas intensas que castigaram o Estado da Guanabara no decorrer dos verões de 1966 e 1967 foi criado o Instituto de Geotécnica que logo granjeou prestígio junto aos concidadãos, com um sem número de intervenções em encostas, eliminação de áreas de risco com incansável zelo. Como resultado a Cidade conheceu, alguns poucos anos mais tarde, um verão com intensidades de chuva muito superiores às ocorridas em 66 e 67. A memória da cidade, no entanto, não registra esse tormento pois, durante o primeiros anos do IG - Instituto de Geotécnica, foram concentrados recurso, projetos e obras nas regiões de maior risco visando salvaguardar vidas preciosas preferencialmente nas áreas mais carentes. Essa chuvas de intensidade e continuidade jamais vistas, aconteceu nos meses de janeiro e fevereiro de 1971.
Todo o quadro de servidores da SURSAN sentiu-se gratificado com o o acontecido. Oportunamente retornarei ao assunto, inclusive com números que podem mensurar a grandeza da catástrofe que foi evitada.
Na verdade a Cidade deve muito a atuação obstinada de nosso Secretário de Obras da época, Engenheiro Raymundo de Paula Soares.
Destas páginas, com emoção, agradeço a atuação deste nosso grande líder, até hoje lembrado por toda uma geração de engenheiros, geólogos e arquitetos. Sua memória deveria ser melhor reverenciada pelas nossas novas gerações que deviam conhecer com detalhes a dedicação desse incansável e modelar servidor da "coisa pública".
Sempre presente em cada recanto da Guanabara, ele mesmo pilotando um frágil helicóptero "Hughes - 300", aterrando em locais inusitados, procurando sempre mais soluções ou idéias para melhorar a vida e a modernidade desta Cidade.
Voei várias vezes com ele e ficava cada vez mais influenciado pelo seu jeito de encarar nossa profissão e, encantado com a paisagem harmoniosa e ímpar desta cidade vista de cima. PS, como era chamado carinhosamente por seus colegas, amigos e liderados, sempre procurava indagar nossa visão de cada problema; ficava feliz ao nos envolver passo a passo com os problemas da engenharia.
Esse era Paula Soares assim como são vários companheiros, grandes amigos até hoje. Pena que vários destes verdadeiros irmãos já se foram; nosso preito de saudade é reconfortado pela consciência que levaram consigo o sentimento do dever cumprido...
Com muita saudade reverencio com um beijo fraternal esse nosso eterno companheiro e amigo que até o último átimo de vida pensava em coisas novas para essa Cidade, entre outros, o projeto que chamava de "Pássaro Semeador" para replantio de encostas desgastadas e, uma melhor alternativa para construção do Túnel da Covanca (uma velha obsessão).
O principal, Paula Soares era um amante de cada pedacinho de nosso chão, conhecedor profundo de nossa terra e "carioca de coração", nascido que fora ele em Curitiba.
Esses diversos Departamentos, citados anteriormente, foram sendo incorporados à SURSAN ao longo de sua vida. Vida esta interrompida equivocadamente na Administração do Governador Chagas Freitas, em 1975.
Desaparecia, assim, um órgão formado por especialistas de larga capacidade técnica, experiência e, sobretudo, profundo conhecimento dos problemas urbanos da Cidade.
Lamentável!!!
Hoje, a cada canto que vou nesta Cidade Maravilhosa, encontro alguma obra que direta ou indiretamente teve somada na sua implantação alguma intervenção minha, pequena que fosse.
Tenho muito orgulho de ter pertencido aos quadros da SURSAN e, ter colaborado de alguma forma para melhoria da qualidade de vida de todos nós. Afinal sou, com muita ufania, um carioca.
Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito no Rio de Janeiro em 2005.
Era o início de uma carreira que só iria se encerrar em 12 de janeiro de 1992 como Engenheiro - Classe Especial lotado no Gabinete do Secretário Municipal de Obras e Serviços Públicos.
A SURSAN foi fundada ao longo da administração do então Prefeito do Distrito Federal, Embaixador Francisco Negrão de Lima, juntamente com a criação do Fundo Especial de Obras Públicas tendo sido definido seu Plano de Realizações através a Mensagem 53 de 1957.
Esse plano previa, entre outras, a realização das seguintes intervenções para modernização da cidade: ligação de Copacabana com a região do Porto planejando e executando as obras de implantação do Túnel Catumbi-Laranjeiras (atual Túnel Santa Bárbara), construção das avenidas Beira-Mar, Avenida Norte-Sul, Avenida Perimetral e parte das avenidas Presidente Vargas, Radial-Sul, e ainda uma série de túneis, viadutos, duplicações de vias, planos de capeamento e recapeamento asfáltico de vias e um série vultosa de obras complementares que irão aparecendo com o desenvolver dos capítulos seguintes.
Faziam ainda parte do Plano várias intervenções visando a melhoria do saneamento e do esgotamento pluvial de toda a área da então Capital da República e mais tarde, do Estado da Guanabara, destacando-se, ainda, as obras prioritárias para melhoria do sistema de abastecimento de água potável à cidade, culminando com a implantação da nova Adutora do Guandu.
Estas obras, referidas no parágrafo anterior, no entanto, eram de responsabilidade de outros departamentos da SURSAN como o D.R.C - Departamento de Rios e Canais, D.E.S. - Departamento do Saneamento e D.A.A. Departamento de Águas - estes dois hoje compondo a CEDAE.
Em decorrência das chuvas intensas que castigaram o Estado da Guanabara no decorrer dos verões de 1966 e 1967 foi criado o Instituto de Geotécnica que logo granjeou prestígio junto aos concidadãos, com um sem número de intervenções em encostas, eliminação de áreas de risco com incansável zelo. Como resultado a Cidade conheceu, alguns poucos anos mais tarde, um verão com intensidades de chuva muito superiores às ocorridas em 66 e 67. A memória da cidade, no entanto, não registra esse tormento pois, durante o primeiros anos do IG - Instituto de Geotécnica, foram concentrados recurso, projetos e obras nas regiões de maior risco visando salvaguardar vidas preciosas preferencialmente nas áreas mais carentes. Essa chuvas de intensidade e continuidade jamais vistas, aconteceu nos meses de janeiro e fevereiro de 1971.
Todo o quadro de servidores da SURSAN sentiu-se gratificado com o o acontecido. Oportunamente retornarei ao assunto, inclusive com números que podem mensurar a grandeza da catástrofe que foi evitada.
Na verdade a Cidade deve muito a atuação obstinada de nosso Secretário de Obras da época, Engenheiro Raymundo de Paula Soares.
Destas páginas, com emoção, agradeço a atuação deste nosso grande líder, até hoje lembrado por toda uma geração de engenheiros, geólogos e arquitetos. Sua memória deveria ser melhor reverenciada pelas nossas novas gerações que deviam conhecer com detalhes a dedicação desse incansável e modelar servidor da "coisa pública".
Sempre presente em cada recanto da Guanabara, ele mesmo pilotando um frágil helicóptero "Hughes - 300", aterrando em locais inusitados, procurando sempre mais soluções ou idéias para melhorar a vida e a modernidade desta Cidade.
Voei várias vezes com ele e ficava cada vez mais influenciado pelo seu jeito de encarar nossa profissão e, encantado com a paisagem harmoniosa e ímpar desta cidade vista de cima. PS, como era chamado carinhosamente por seus colegas, amigos e liderados, sempre procurava indagar nossa visão de cada problema; ficava feliz ao nos envolver passo a passo com os problemas da engenharia.
Esse era Paula Soares assim como são vários companheiros, grandes amigos até hoje. Pena que vários destes verdadeiros irmãos já se foram; nosso preito de saudade é reconfortado pela consciência que levaram consigo o sentimento do dever cumprido...
Com muita saudade reverencio com um beijo fraternal esse nosso eterno companheiro e amigo que até o último átimo de vida pensava em coisas novas para essa Cidade, entre outros, o projeto que chamava de "Pássaro Semeador" para replantio de encostas desgastadas e, uma melhor alternativa para construção do Túnel da Covanca (uma velha obsessão).
O principal, Paula Soares era um amante de cada pedacinho de nosso chão, conhecedor profundo de nossa terra e "carioca de coração", nascido que fora ele em Curitiba.
Esses diversos Departamentos, citados anteriormente, foram sendo incorporados à SURSAN ao longo de sua vida. Vida esta interrompida equivocadamente na Administração do Governador Chagas Freitas, em 1975.
Desaparecia, assim, um órgão formado por especialistas de larga capacidade técnica, experiência e, sobretudo, profundo conhecimento dos problemas urbanos da Cidade.
Lamentável!!!
Hoje, a cada canto que vou nesta Cidade Maravilhosa, encontro alguma obra que direta ou indiretamente teve somada na sua implantação alguma intervenção minha, pequena que fosse.
Tenho muito orgulho de ter pertencido aos quadros da SURSAN e, ter colaborado de alguma forma para melhoria da qualidade de vida de todos nós. Afinal sou, com muita ufania, um carioca.
Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito no Rio de Janeiro em 2005.
