por José Carlos Coelho Leal

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

"CHEIROS DA VIDA" - 81 - A CAMINHO DO CAOS

      Apesar de envolvido pela minha "guerra particular", sentia que aquele ano de 1963 trazia uma carga pesada na área politica que atingia a todos nós. A partir de certo ponto passei a me informar mais, pois, afinal eu era um cidadão brasileiro e teria que tomar uma posição  consciente dentro daquele conflito que certamente seria longo e penoso.

          Assim pensava, e, assim foi...
  
      A posse do Sr. João Goulart como Presidente do Brasil, com amplos poderes, jamais foi suficiente para contornar, como imaginavam as "raposas da política", a crise institucional que se formava desde a renuncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 - Dia do Soldado.

       Havia uma grande massa pensante, formada principalmente pela "classe média", que pouca coisa boa esperava do novo governo. Pelo contrário, pairava no ar uma certa aflição quanto à aplicação das chamadas "Reformas de Base" a todo momento apregoadas pelo novel governo.

        Aqueles que apostaram no descontrole total do governo não precisaram de muito tempo para constatar que suas previsões se concretizavam.

          Era notória a falta de pulso de Jango, seu fastio pelo exercício do poder que, ao ser pressionado por todos os lados a todos desejava contentar, e, nessa impossível conciliação se tornava, dia-a-dia, mais refém dos radicais da "esquerda" que tentavam, já há algum tempo a "comunização" do país.

           Influindo diretamente nos atos do Presidente estava seu cunhado Leonel Brizola, então deputado federal, somado ao fato que na anterior eleição parlamentar sobreveio um aumento significativo da bancada esquerdista que transformou o Congresso num barril de pólvora.

        Brizola, ele próprio, passou a organizar "células" à maneira dos sovietes, alcunhando-as de "Grupo dos Onze" em alusão ao grupo de pessoas que compunham cada célula.

          Começaram a  eclodir movimentos violentos em vários pontos do país sendo o mais sério aquele acontecido no campo em função da atuação, apoiada pelo governo, das Ligas Camponesas liderada pelo deputado Francisco Julião. A luta armada entre camponeses e proprietários, com invasões de terras,  gerou um número elevado de mortes de ambas facções.

         Por outro lado aumentou  o questionamento no setor estudantil em torno da UNE - União Nacional  dos Estudantes, presidida à época por José Serra. Mais intelectualizada e com planos mais consistentes, a UNE não escapou, todavia, da infiltração comunista, o que a colocava como alvo preferido dos ataque dos extremados da direita.

       Paralelamente, um grupo de teatro encenava peças com conteúdo revolucionário, com vistas ao apregoado sucesso da "revolução cubana".

             Entusiasmado o presidente Goulart sentia-se empolgado com tais correntes e nem sequer imaginava que, na sua força, estavam os próprios germes da destruição de  seu governo

              - Trecho de meu livro "Cheiros da Vida" escrito em Arraial do Cabo em 2003



    
      

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